O comércio de livros na cidade da garoa passa por diversos desafios, os estabelecimentos independentes se mostram como um refúgio no caos.
Por Nicolas Chadarevian

Entre as estantes da Livraria Megafauna no Edifício Copan – Foto: Nicolas Chadarevian
Após a falência de grandes livrarias como a Saraiva, a Livraria Cultura e a filial nacional da rede francesa Fnac, o comércio de livros brasileiros têm passado por um momento repleto de dúvidas. Com a ascensão de livros online e o domínio incontestável da Amazon sobre o comércio literário, o futuro das livrarias do país tem sido ameaçado.
O comércio independente é apontado por muitos leitores como uma alternativa depois do aparente sumiço de grandes livrarias em lugares comuns como shoppings e galerias. Comércios de rua em São Paulo como a Livraria Megafauna, a Banca Stardust e a Livraria Gato Sem Rabo têm sido palco para uma revolução na maneira de comprar e consumir livros.
Lojas exclusivamente digitais como a Amazon, o Mercado Livre e a Estante Virtual têm sido a forma mais comum de comprar livros, a atratividade dos preços é o suficiente para substituir a preferência por uma compra física. Segundo a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro de 2025 realizada pela Câmara Brasileira dos Livros (CBL), pelo quinto ano consecutivo o setor diminui na venda de impressos, tendo encolhido 44% desde 2006.
A outra ameaça direta às livrarias é ainda mais digitalizada. Livros on-line e ferramentas como o Kindle têm sido alguns dos jeitos mais comuns de consumo literário pelos jovens. Evelyn Monteiro, estudante de Medicina na Unicamp e leitora ávida, relata que lê mais livros online, “É muito mais barato e prático”, afirma a estudante.
Para as livrarias independentes, o baque do comércio on-line é sentido em dobro. “O maior desafio não é só o fato de que cada vez se consome menos literatura. Também temos que considerar que competimos com grandes empresas de distribuição que conseguem colocar um preço muito barato e entregar na porta da sua casa”, afirma Carlos Cercós, administrador da Banca Stardust na capital paulista.
Carlos conta que o medo de ter o mesmo destino que as grandes livrarias recém-falidas também permeia o comércio independente: “É realmente difícil ver que nem grandes estruturas conseguem se manter”. O receio comunicado por Cercós também foi observado de uma perspectiva externa por Monteiro, “Percebo que muitas livrarias, independentes ou não, estão fechando. A meu ver, o comércio eletrônico e os e-books são muito mais atrativos a uma grande parcela dos leitores”.
O intuito geral das livrarias independentes de São Paulo de gerar locais inclusivos, diversos e confortáveis parece ser seu maior atrativo. Espaços como a unidade da Megafauna no Edifício Copan, no centro da capital, e a Gato Sem Rabo, também na mesma região, tem uma maneira de cativar qualquer amante de livros que bate o olho em suas vitrines.
Por mais que esteja em risco de extinção, o comércio de livros independente em São Paulo pode ser encontrado em quase toda esquina da cidade. O projeto Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo documenta quase todas essas localidades, apresentando leitores a 37 novos locais para estimular o comércio literário de bairro.
O administrador da Banca Stardust reforça a importância deste apoio para a sobrevivência de outros estabelecimentos similares. “De qualquer jeito, precisamos reforçar o comércio de bairro e fortalecer comunidades locais e independentes. Acho que faz uma diferença real”.
