O aumento do uso de medicamentos emagrecedores sem orientação profissional preocupa especialistas da saúde
Por Heloísa Gomes
Nos últimos anos, os medicamentos de emagrecimento deixaram de ser utilizados exclusivamente para tratamento de patologias e passaram a ganhar destaque nas redes sociais, apresenta-se como uma solução rápida para perda de peso. Esse cenário, tem impulsionado o uso dessas medicações sem acompanhamento profissional, levantando sérias preocupações entre profissionais da área da saúde sobre os riscos físicos e psicológicos.
Nos últimos anos, foi confirmado pelas pesquisas realizadas pela Scanntech que os usos desses medicamentos de emagrecimento cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A psicóloga Fátima Varalta, especialista em terapia cognitiva e comportamental explica que “historicamente foi construída uma cultura que associa o corpo magro ao sucesso, disciplina e a realização da mulher, sendo que na verdade apenas são maneiras da sociedade te vender alguns produtos, na sua maioria das vezes sem necessidade.”
Ela ressalta a pressão estética, do “corpo perfeito” que nos dias atuais são propagados através das mídias digitais e que contribui muito para que a mulher crie uma distorção de como ela mesmo se enxerga, isso contribui para a busca de um resultado milagroso e imediato mesmo que comprometa a própria saúde favorecendo o surgimento de problemas psicológicos como ansiedade e dependência ao medicamento.

A psicóloga Fátima Varalta Foto: Acervo pessoal
Segundo a UNINASSAU, pesquisas lideradas pela USP mostram que 45% dos consumidores dessas medicações não têm indicação clínica Pesquisa inédita da USP aponta riscos do uso de canetas emagrecedoras por pessoas sem indicação clínica. Desse grupo, 73% não recebem nenhuma orientação profissional.
A nutricionista Ângela Rosa, formada pela UNIP de Bauru e pós-graduanda em nutrição clínica e obesidade pela faculdade FAVENI, ressalta que os efeitos colaterais mais comuns o uso de medicamentos emagrecedores, sem acompanhamento profissional, são náuseas, vômitos, constipação intestinal e a volta do peso na falta do uso constante da medicação, agindo como efeito REBOT, já que o uso desses medicamentos foi desenvolvido para pacientes que possuem algum tipo de patologia, como por exemplo a diabetes, colesterol elevado ou gordura no fígado. Para ela, a utilização desses medicamentos de maneira irresponsável pode causar sérios danos ao corpo humano, como a perda de massa magra e a alteração do funcionamento dos rins.
Ela ressalta ainda, que fármacos como Monjaro e Ozempic (injetáveis) Orlistate e Sibutramina (ingeridas), que estão na “moda” trazem riscos preocupantes para a saúde social. Lembra ainda, que os benefícios de emagrecer de forma saudável são a regularização do sono, aumento da autoestima, da energia e o do bom funcionamento intestinal.

A nutricionista Ângela Rosa Foto: Acervo pessoal
O uso dos medicamentos emagrecedores revela que não é só uma pauta passageira, ela causa perigo para a sociedade, pois mulheres em situação de vulnerabilidade psicológica se mostram dispostas a colocar a própria saúde em risco para atender aos padrões impostos. Diante disso, o acesso desses medicamentos deveria ser acompanhado por critérios rígidos, para que seu uso sempre aconteça com orientação e acompanhamento profissional e para que a saúde pública sempre esteja acima de todos os padrões estéticos.
