Linhas de ônibus na cidade apresentam problemas crônicos que prejudicam a locomoção dos habitantes em dias e finais de semana

Por Samira Armond

Transporte público de Bauru Foto: Samira Armond

Os circulares da cidade de Bauru enfrentam constantes problemas na defasagem do seu serviço e muitas críticas da população. Atrasos frequentes, superlotação, poucos ônibus e veículos com baixa manutenção são alguns dos principais pontos que expõem o cenário recente da mobilidade local. A estudante de engenharia mecânica pela Unesp e moradora de Bauru, Thamires Ferrari, afirma que “a principal dificuldade é a questão da superlotação. Tem dia que eu não consigo nem passar da catraca para entrar no ônibus.”

A empresa responsável por gerenciar esse setor na cidade é a Transurb (Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru), que apresenta como principal meta, segundo sua descrição no site oficial, oferecer à cidade um serviço de eficiência e confiabilidade. Ademais, esse órgão opera sob regulação e fiscalização da prefeitura e da EMDURB (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) desde 2014.

Apesar disso, os relatórios de fiscalização do transporte público da EMDURB de Bauru não são publicados desde 2017, portanto não cumprem com a periodicidade regular exigida pelo Decreto Municipal nº 7.657/1996 e pela Lei Municipal nº 7.692/2023. Esses informes deveriam garantir o cumprimento das normas legais e a notificação das empresas por irregularidades na frota. Dessa forma, a ausência dos relatórios de monitoramento contribuí para a falta de transparência desses órgãos e serviços com a população.

O último relatório postado, em 2017, aponta que as principais reclamações dos usuários focaram no descumprimento de horário (69) e de itinerário (41), principalmente nos finais de semana, manutenção dos veículos (13) e lotação (10). De acordo com uma reportagem de 2024 feita pela 96FM, o atual presidente da EMDURB, Donizete do Carmo dos Santos, afirmou que a cidade é composta por uma frota de 230 ônibus. Ademais, pelo relatório de consulta pública postado em abril de 2025, é criticado também a estrutura para a recarga dos passes de ônibus, visto que, não apresenta um sistema digital – como aplicativos –, apenas alguns poucos pontos físicos distribuídos pela cidade.

A Gerência de Transporte Coletivo da EMDURB informou, por meio do Chefe de fiscalização de trânsito, Michel Batista, e do Gerente de transporte coletivo, Victor Silveira, que retomará a publicação no site dos relatórios de fiscalização e monitoramento do setor. O objetivo é manter os usuários atualizados sobre as condições do transporte público municipal. Michel e Victor também afirmaram que a melhoria dos ônibus na cidade é uma pauta de discussão efetiva na prefeitura, visto que, ela “é responsável por elaborar e executar o processo licitatório para a contratação das empresas operadores do sistema de transporte.”

Dessa forma, a partir dos relatórios de fiscalização e de consulta pública que expõem os atrasos e as mudanças inesperadas dos itinerários dos ônibus durante os finais de semana, a população enfrenta uma grande dificuldade em depender dos transportes públicos de Bauru para a sua locomoção. Tal cenário contrasta com o Plano de Mobilidade Urbana de Bauru (PLANMOB), formalizado pelo Decreto Nº 14.446 em 22 de novembro de 2019, já que alguns dos princípios da Política Municipal de Mobilidade de Bauru são eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços de transporte urbano e na circulação urbana.

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