O jogo de ida entre a Raposa e o Urubu, válido pela fase eliminatória do campeonato, foi marcado por um desempenho técnico semelhante entre ambas as equipes
Por Melissa Bellai

Kaio Jorge, atacante do Cruzeiro, sendo marcado por Léo Pereira, zagueiro do Flamengo. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
No Mineirão, em Belo Horizonte, Cruzeiro e Flamengo protagonizaram uma das partidas válidas pelos primeiros confrontos das oitavas de final da Copa Libertadores com direito à empate entre as duas equipes na capital mineira. A partida desta última quarta-feira, 12 de agosto, trouxe um confronto emocionante e equilibrado entre o time da casa e a equipe rubro-negra, que saem esperançosos para buscarem, no jogo de volta, a vaga nas quartas de final.
O Cruzeiro, que contava com o fator anfitrião e torcida, foi um rival que exigiu resiliência do adversário e demonstrou que é forte o suficiente para competir de igual para igual contra um dos elencos mais bem estruturados na temporada, sendo capaz de incomodá-los nessa disputa, mesmo oscilando entre um bom desempenho e momentos de vulnerabilidade.
No primeiro tempo, a equipe celeste desperdiçou algumas oportunidades claras de gol e enfrentou dificuldade para ajustar o elenco à pressão e organização tática do adversário. Mas após a pausa para hidratação, mesmo que ainda sofresse com finalizações boas, passou a igualar o ritmo de jogo com o apresentado pelo Flamengo e entregou um jogo equilibrado até o apito final.
No começo do segundo tempo, aos sete minutos, o equatoriano Keny Arroyo converteu para os mineiros em uma jogada individual bem executada e, por mais que tenham se esforçado para bloquear as criações ofensivas dos cariocas, o Cruzeiro sofreu o empate em um lance de bola parada. Na reta final da partida, o time celeste se esforçou para anular as investidas do Flamengo e impedir que ele pudesse ampliar o placar.
Em entrevista, a torcedora cruzeirense, Maria Clara Calsavara, expressou sua opinião sobre o confronto e o equilíbrio tático entre ambas as equipes: “Pra mim, trata-se de uma partida com um grande peso por serem dois gigantes se enfrentando e, nesse primeiro jogo, o Cruzeiro poderia ter reagido mais em relação à disputa com o Flamengo, visto que não é um adversário fácil, nós sabemos que não é, e por ser um jogo dentro de casa, eu esperava que nós buscássemos mais, que tivéssemos nos esforçado mais. Mas foi sim um jogo que refletiu a semelhança técnica de ambas as equipes e isso servirá como motivação para que o Cruzeiro se aproxime ainda mais no próximo encontro. Querendo ou não, são dois técnicos espertos com táticas inteligentíssimas”.
Segundo Calsavara, o empate poderia ter sido evitado e a vantagem conquistada se tivessem sido mais ofensivos e se colocassem mais pressão no jogo. A torcedora declara que o rendimento do time decaiu após o primeiro gol e que isso é um problema recorrente há um tempo no Cruzeiro, que tem a falha ainda mais intensificada em uma disputa contra um time que não desiste fácil, como é o caso do Flamengo.
Agora, o Cruzeiro sai decepcionado pelo empate, mas se prepara para buscar a classificação para as quartas de final fora de casa depois de seis anos sem participar da competição.
“Eu acho que foi um jogo muito emocionante e importante para nós que somos cruzeirenses, ainda mais depois de tanto tempo longe dessa competição enorme que é tão querida e valorizada por nós brasileiros. Como cruzeirense, nunca vou desacreditar do meu time, então minha expectativa pro jogo de volta no Maracanã é boa. Acredito que, com muito esforço e suor, iremos conseguir a vitória, quem sabe um placar de 3 a 1 ou 3 a 2 para nós”, destaca Maria Clara ao mencionar a importância que o retorno da Raposa à Copa Libertadores tem para a torcida e as expectativas para o jogo de volta.

Atletas do Cruzeiro e do Flamengo em lance do confronto no Mineirão. Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro
Em contrapartida, o Flamengo saiu do Mineirão confiante com o empate para a disputa em sua casa depois de apresentar um estilo de jogo competitivo e que aproveitava, principalmente, a velocidade e a linha alta de marcação. Entretanto, no primeiro tempo, a equipe rubro-negra apresentou dificuldade de finalização e transição, jogando com um perfil menos incisivo e ameaçador para o time da casa. Já na segunda parte regulamentar da partida, os cariocas começaram a sofrer mais com o desempenho apresentado pelo Cruzeiro e enfrentaram seu pior momento no jogo após o gol marcado por Arroyo.
Em entrevista, o torcedor rubro-negro, Isaac Lisboa, analisou o resultado do jogo: “O empate refletiu o que pode ter sido o confronto entre as duas melhores equipes do futebol brasileiro no momento. Eu tinha a convicção de que não seria um jogo de placar elástico, pelo contrário. Ambas equipes mostraram uma consistência nos seus planos de jogo que, não só favoreceu o espetáculo, mas prorrogou a decisão para o segundo jogo”.
O técnico do Flamengo, Leonardo Jardim, encontrou a solução para seu time ao colocar Pedro e Lucas Paquetá, que antes estavam no banco de reservas, em substituição. Aos vinte minutos do segundo tempo, um minuto após os dois atletas rubro-negros entrarem, Pedro sofre uma falta feita por Fabrício Bruno e Paquetá finaliza a bola dentro da área de forma certeira após a cobrança, convertendo e igualando o placar.
“Por mais que o Bruno Henrique tenha sido titular durante toda a campanha, a falta do Pedro nesse time foi, mais uma vez, inexplicável. Por mais que o jogo pedisse uma transição e velocidade que, às vezes, o Pedro não tem, a falta dele foi muito sentida no ataque. O cara é diferente, faz gol de todo jeito, e talvez pudéssemos ter saído com a vitória se ele tivesse jogado os 90 minutos”, confessa o torcedor do Flamengo ao ser questionado sobre o que poderia ter sido diferente na postura do carioca para que o time saísse do Mineirão vitorioso.
Agora, o Flamengo aguarda o Cruzeiro para a disputa decisiva que consagrará a classificação de um dos dois grandes no Maracanã. Isaac Lisboa expôs sua opinião sobre o próximo compromisso de seu time na competição: “Acredito que o Flamengo tentará impor seu jogo dentro de casa, mas entendo que, em mata-mata, as idas costumam ser mais interessantes do que as voltas, principalmente pela pressão de uma eliminação que faz com que todos joguem na cautela”.
Ele explica ainda que “o último confronto do Clube de Regatas pelo Brasileirão, que contou com goleada, deixou o time mais confortável, mas o Cruzeiro tem totais condições de levar para os pênaltis ou ganhar se houver distração. O Flamengo vai precisar ser efetivo nas finalizações e consistente no sistema defensivo se quiser ganhar o jogo por 1 a 0 porque, analisando o chaveamento, o vencedor deste confronto terá um caminho bem trilhado até a final da Libertadores”.
Sobre as mudanças que ele realizaria em prol da melhoria tática do elenco, o torcedor disse que “mesmo que Emerson Royal esteja melhorando e que precisamos ter paciência com ele, o Varela me passa mais segurança do ponto de vista defensivo. O título da Libertadores, com Filipe Luís, mostrou que é muito mais importante não tomar gol do que fazer, algo que Jardim parece ter dificuldade em aplicar. Eu também daria um jeito de começar com o Lucas Paquetá, por mais que ele esteja voltando de lesão e não tenha se apresentado bem nos jogos anteriores, é um atleta diferenciado que precisa ser colocado em campo, por mais que a participação dele divida opiniões”.
Isaac finaliza dizendo que “o Pedro precisa muito estar, mesmo que não jogue todos os minutos dos tempos regulamentares, ele é diferente e pode mudar o jogo. Se o Flamengo marcar ainda no primeiro tempo, por exemplo, o jogo pode ser outro e apostar no Pedro parece a opção mais confiável”.
No confronto desta semana, o Cruzeiro tentará explorar mais os espaços e as oportunidades que receber no Maracanã, apresentando uma postura que valoriza maior eficiência e ofensividade do que a que trouxeram no jogo de ida. Já o Flamengo, fará uso dos atletas Pedro e Lucas Paquetá como titulares, com a expectativa de que não precisará corrigir os erros que tiveram com a bola rolando.
