Metade de uma década após seu lançamento, a obra prima urbana de Scorsese continua a inspirar uma nova geração de artistas
Por Nicolas Chadarevian

Taxi Driver (1976)
Em 22 de março de 1976, Taxi Driver chegava aos cinemas ao redor do mundo. Na época, jornalistas e críticos se juntaram para dissecar a obra e suas complexidades. Hoje, o desafio é outro. Falar algo de novo sobre um filme com meia década de história e que foi dirigido por uma das figuras do Mount Rushmore cinematográfico parece uma tarefa impossível.
Na primeira cena do filme, o táxi amarelo emerge do vapor dos bueiros de Nova York e abre caminho para a expressão facial abatida de Travis Bickle, interpretado por Robert De Niro em seu auge. Veterano da Guerra do Vietnã e sofrendo de insônia após voltar do conflito, Travis é só mais um homem comum, em busca de um trabalho monótono e uma vida igualmente pacata.
No decorrer do filme, Scorsese nos guia pelo outro lado da moeda do “sonho americano”, pela confusão e subsequente crise mental que anda lado a lado do pós-guerra. Ana Clara Barreto, estudante do terceiro ano de Audiovisual da Unesp, considera a obra uma denúncia. “Eu considero a mensagem do filme uma crítica à sociedade individualista e indiferente ao sofrimento alheio” relata a estudante.
A técnica e o perfeccionismo minucioso do diretor foram imprescindíveis para o caráter imortal da obra. “Para mim, todas as obras de Scorsese são atemporais e memoráveis. Taxi driver se eterniza em sua estética.” diz Barreto, enfatizando a fotografia e a iluminação marcante do filme como características que fazem o longa-metragem ser tão emblemático.
Ainda sobre a destreza do cinematógrafo, Ana Clara diz que assistir as produções de Scorsese a fizeram entender melhor a complexidade de um filme como um todo. “Entender roteiro, cenários, atuação e pós como mecanismos de algo maior. Sinto a paixão dele em suas obras e seu estilo clássico é uma ode a diversos outros filmes, e eu amo”, conta Barreto.
50 anos após o seu lançamento, Taxi Driver continua revolucionando e influenciando novas gerações de artistas. A profundidade da obra permite o seu estudo por diversas áreas do conhecimento, desde a psicanálise freudiana (comentada pelo próprio diretor) até o estudo técnico da paleta de cores escolhida a dedo para cada cena.
A trilha sonora do filme também merece seu devido reconhecimento. Feita por Bernard Herrmann, a musicalidade do filme tem o jazz como guia principal. Os tons melancólicos do saxofone de Herrmann solidificam a atmosfera da obra como algo noturno, solitário e claustrofóbico, agindo como uma porta que se abre para a psique caótica de Travis Bickle.

Taxi Driver (1976)
