Com o envolvimento dos Estados Unidos em diversos conflitos, a ocorrência dos jogos da Copa do Mundo foi afetada e tornou o campeonato um dos mais conturbados da história.
Por Sophia Cinquetti

Trump durante recepção da FIFA em Nova Iorque Foto: Casa Branca/divulgação
A Copa do Mundo de 2026 ocorreu em três países, no México, Canadá e Estados Unidos, onde foi disputada a final do campeonato. Com o envolvimento direto do país em diversos conflitos e rivalidades históricas, além de leis estritas de visto, surgiram questionamentos sobre a ocorrência e integridade da Copa.
O professor de Relações Internacionais Henrique Cavalcanti falou sobre os conflitos e como a Copa do Mundo pode ser atingida. “Apesar de tudo, é um evento muito grande e que movimenta muito dinheiro e turistas, acredito que para não desagradar a FIFA e os investidores o Trump deve manter uma postura menos agressiva”. Segundo ele, o campeonato atrai muita atenção e para evitar tensões desnecessárias, aproveitando a visibilidade gerada pelo evento de forma positiva, a tomada de decisões polêmicas deve ser evitada.
Sobre os vistos e entrada de turistas, Cavalcanti destaca que “a maioria dos países que vai mandar seleções e torcidas para Copa tem sistemas de visto diferenciados, os problemas de visto são focados em alguns países específicos, é difícil que um turista europeu tenha algum problema.”. Para ele, a dificuldade de viajar para os Estados Unidos deve atingir alguns países em desenvolvimento ou que estão em conflitos, mas não deve afetar todo o público e é provável que esse fator não seja alterado durante o período da Copa do Mundo.
A respeito da entrada das seleções, o professor acredita que os Estados Unidos só irão proibir o acesso de jogadores ou comissões técnicas em casos de críticas agressivas ao país ou atual governo, uma vez que pode gerar muita atenção negativa. Um fator relevante é o papel da FIFA de garantir o acontecimento da Copa e a sua integridade, uma vez que ela funciona como intermediária entre as outras nações e os países sede e deve amenizar desavenças, mantendo os jogos justos e possibilitando a participação de todas as seleções escaladas.
Do ponto de vista geopolítico, Henrique Cavalcanti acredita que o Governo Trump não deve ser muito afetado por suas decisões, uma vez que a sociedade estadunidense é polarizada e ele possui uma base de apoio bem consolidada. No quesito internacional já existem países abertamente contra o atual governo e o evento, individualmente, não tem a força de influenciar esses posicionamentos, principalmente com a existência dos conflitos armados.
De maneira geral, mesmo sendo um evento grande, a Copa do Mundo não tem o poder de alterar o rumo das guerras que os Estados Unidos tem envolvimento. A vigilância dos estádios deve aumentar, assim como a monitoração nos países como um todo, mas as políticas não sofrerão mudanças bruscas. O país irá priorizar se valorizar e aproveitar a atenção da mídia, evitando decisões extremas e graves, que podem acabar desagradando a FIFA e os patrocinadores da Copa do Mundo.
