Plataforma criada pelo Ministério da Educação possibilita o aprendizado e a inspiração através dos livros de forma gratuita
Por Maria Clara Batista

O Ministério da Educação, em parceria com a Biblioteca Nacional, lançou, no início de abril, o MEC Livros, uma biblioteca digital pública. A plataforma, que pode ser acessada pelo site ou pelo aplicativo, conta com mais de 25 mil títulos e busca democratizar o acesso à literatura no Brasil. Segundo o governo, a iniciativa surgiu como uma tentativa de levar a literatura a todo o povo brasileiro, incentivando o hábito da leitura e preservando o patrimônio literário do país.
Além disso, a plataforma promove a interação entre novas tecnologias e educação, apoiando diferentes práticas pedagógicas.
Para acessar o MEC Livros, o usuário precisa entrar no site ou no aplicativo e fazer login com sua conta gov.br. Depois, basta escolher o título que mais se interessar e fazer o empréstimo. É possível pegar um livro por vez, e o período de empréstimo dura 14 dias. No final desse prazo, o usuário pode decidir se fará a devolução ou se renovará por mais duas semanas.
Caso o leitor termine a leitura antes do prazo ou não queira continuar o livro, é possível devolvê-lo antes dos 14 dias e escolher um novo exemplar para empréstimo. A plataforma conta ainda com recursos de acessibilidade como a personalização do tamanho da fonte e do contraste, e suporte específico para pessoas com dislexia.
Democratização da literatura
A obra “Retratos da Literatura no Brasil”, em sua edição mais recente, revelou que 53% dos entrevistados não leram nem mesmo o trecho de um livro nos últimos meses. Essa foi a primeira vez que o levantamento concluiu que a maioria dos brasileiros não leem. As causas foram diversas, como a falta de tempo, de gosto pela leitura e de acesso a livros.
Nesse cenário, o MEC Livros surge como uma forma de ampliar o acesso à literatura no país. Para a professora e doutoranda em estudos da linguagem Kedilen Dutra, a plataforma carrega grande importância no aumento de leitores no Brasil, já que leva a leitura para aqueles que não conseguem acessá-la através do livro tradicional, o que se comprova pelas métricas da primeira semana da iniciativa.

Kedilen no evento de lançamento do MEC Livros. Foto: Acervo pessoal de Kedilen Dutra
“Nos primeiros 20 dias que a plataforma foi lançada, ela foi muito procurada. Se eu não me engano, foram 200 mil acessos e livros concluídos. A importância disso é justamente dar acesso para quem não consegue acessar por meio do livro convencional ou de leitores digitais. Porque é isso, o primeiro impasse que a gente tem é justamente fazer chegar a literatura. Não é nem conquistar o público leitor, mas é fazer chegar”, afirmou a doutoranda.
Como professora, Kedilen acredita que o MEC Livros vai ajudar a resolver os problemas de falta de acervo e estrutura nas escolas, já que com a plataforma será possível trabalhar livros que possuem poucos ou nenhum exemplar na instituição, além de possibilitar o acesso a lançamentos e obras mais contemporâneas. Assim, se torna possível atividades de leitura em sala de aula e o uso produtivo das telas.
“Nós não conseguimos fazer uma leitura mediada em casa ou até mesmo na sala de aula, porque a gente conta com uma obra só. Agora, a gente pode acessar por meio do Chromebook da escola, por meio dos celulares dos alunos quando utilizado pelo uso pedagógico. Sem contar que nessa questão do acervo tem coisas que não chegam para a escola E agora podemos contar com esses outros gêneros para motivar os alunos a lerem também”, conta Kedilen.
No início de julho, com apenas três meses desde o lançamento, o MEC Livros ultrapassou a marca de 1 milhão de usuários cadastrados. A plataforma continua renovando as obras em seu acervo e buscando levar a leitura a todos os brasileiros.
