Faltando menos de um ano, saiba como estão os preparativos e o quê esperar da Copa do Mundo feminina.

Por Izabela Pusso

A primeira Copa do Mundo Feminina a ser sediada na América do Sul terá início no dia 24 de junho de 2027, com a final marcada para 25 de julho, no estádio do Maracanã. A competição que ocorrerá no Brasil terá oito cidades-sede: Belo-Horizonte (Mineirão), Brasília (Arena BRB Mané Garrincha), Fortaleza (Arena Castelão), Porto Alegre (Beira Rio), Recife (Arena Pernambuco), Rio de Janeiro (Maracanã), Salvador (Arena Fonte Nova) e São Paulo (NeoQuímica Arena). 

O campeonato já tem 14 seleções classificadas até o momento. Além do Brasil como país-sede, a Espanha, Alemanha, França e Dinamarca conseguiram classificações nas eliminatórias europeias. Pela América do Sul, Argentina e Colômbia garantiram suas vagas e a Nova Zelândia pela Oceania. Representando a Confederação Asiática de Futebol (AFC), avançaram Austrália, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Filipinas e Japão.

Com a escolha do Brasil como país-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, as perspectivas de crescimento e consolidação do futebol feminino se ampliaram diante a dimensão do cenário. Tornou-se necessário a criação de uma regulamentação voltada à competição.

Foi aprovado no Congresso Nacional a Lei da Copa (15.421). Entre as novidades da Legislação, estão a mudança nos calendários escolares para que as férias nas redes privadas e públicas coincidam com o período da competição. Na prática, os sistemas de ensino deverão reorganizar o calendário letivo de 2027 para concentrar o recesso escolar durante a Copa do Mundo Feminina. A medida busca facilitar o acesso dos estudantes aos jogos, incentivar o acompanhamento do torneio e promover maior engajamento com o futebol feminino, especialmente entre crianças e adolescentes.

Além disso, a lei institui o pagamento de um prêmio de R$500 mil para cada atleta que defendeu a Seleção Brasileira Feminina no Torneio Experimental da Fifa de 1988 e na primeira Copa do Mundo Feminina, disputada em 1991. Nos casos de atletas já falecidas, o valor será destinado a seus sucessores legais. A proposta é apresentada como uma forma de reparação histórica às jogadoras que colaboraram para a consolidação do futebol feminino no país. 

O principal objetivo da lei é aproveitar a realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil para impulsionar a modalidade, ampliar sua visibilidade e reconhecer a trajetória e a importância das mulheres no esporte.

A partir disso, a mídia desempenha um papel fundamental na visibilidade do torneio ao transformar a competição em um evento de massa, dar visibilidade às atletas e influenciar diretamente o crescimento do esporte. A jornalista e doutoranda no programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unesp, Érika Alfaro, comenta sobre a cobertura de imprensa na Copa do Mundo Feminina: “A cobertura, a transmissão, a presença da pauta nas mesas redondas, explorar todos os tipos de formatos que o jornalismo esportivo propõe, de notícia até reportagem são essenciais para a gente legitimar o desenvolvimento da modalidade no Brasil e no Mundo”.

A jornalista complementa explicando que a presença dessa pauta sendo explorada nas suas mais diversas facetas na mídia contribui para a disseminação de informação, reforça o agendamento e naturaliza a participação feminina no futebol, evidenciando que elas ocupam também o espaço de elite. Nesse contexto, a visibilidade do futebol feminino fortalece o potencial de grandes competições gerarem impactos sociais, turísticos e econômicos.

Segundo um estudo feito pelo FGV projetos, encomendado pela Embratur, a Copa do Mundo Feminina 2027 irá movimentar R$8,8 bilhões na economia do Brasil, além da criação de 73,7 mil postos de trabalhos diretos e indiretos. Essas projeções demonstram que grandes eventos esportivos atuam também como fatores de desenvolvimento econômico e atração de investimentos, consolidando um legado que pode se estender para além do período da competição. 

Jornalista e pesquisadora Érika Alfaro de Araújo Foto: Acervo pessoal

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