Especialista avalia que com a polarização ainda em alta no Brasil, eleitorado de centro deverá ser determinante na decisão dos rumos do país nos próximos quatro anos

Por Eduardo Scateli

O PT promoveu seu 8° Congresso Nacional em Brasília para discutir a tática eleitoral com foco nas Eleições de outubro. O objetivo do partido foi também detalhar as propostas de alianças com a “direita liberal”. O PT afirmou em seu documento oficial do congresso que “a distinção entre extrema-direita autoritária e direita liberal é decisiva para a tática política, ainda que não elimine as divergências estruturais”.

8° Congresso Nacional do PT ————- Foto: PT/Mídias sociais

As alianças propostas pelo partido têm semelhanças com a chamada “Frente Ampla” das eleições presidenciais de 2022. Para o professor e pesquisador em Ciências Políticas, Jefferson Oliveira Goulart, “a vitória de Lula em 2022 já teve características de ‘Frente Ampla’ em defesa da democracia que foi muito além do raio de influência petista. Essa abertura refletiu a correlação de forças no país e a intensa polarização que não desapareceu, especialmente em razão da força da extrema direita e do enfraquecimento do centro democrático”.

O objetivo do PT é formar maioria dialogando com setores de outro espectro político. “A explicação é razoavelmente simples: partidos políticos promovem alianças porque precisam ampliar sua capilaridade social e sua competitividade eleitoral. E alianças dentro do mesmo espectro agregam menos do que aquelas que se fazem com forças de outros campos político-ideológicos”, observou Jefferson. “A propósito, todos os governos petistas conquistaram governabilidade e implantaram uma agenda desse tipo porque havia coalizões com setores de centro e centro-direita”.

A polarização ainda marca o cenário político atual, mesmo em comparação com as últimas eleições, o que torna o eleitorado de centro ainda mais decisivo taticamente. Apesar da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado no ano passado, a extrema-direita segue organizada e ativa politicamente. “A polarização extrema direita X democracia persiste. Embora em outro contexto, o eleitorado terá que escolher entre dois projetos de país completamente opostos”, diz o professor. “Como há evidências de que há uma razoável cristalização desses campos (e os indicadores de rejeição dos dois principais concorrentes confirmam esse diagnóstico), tudo indica que o eleitorado de centro terá um papel determinante no resultado final”.

Segundo o partido, a estratégia de promover coligações com outros setores do espectro político busca ampliar a maioria sem que isso implique diluição do seu programa. Para Jefferson Oliveira Goulart, “o desafio dessas eleições será dialogar com o eleitorado (principalmente do espectro de centro e indecisos) e persuadi-lo de que democracia, soberania, desenvolvimento, inclusão social e respeito às diferenças são as bases de um presente e de um futuro melhores para todos”.

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