Mesmo com a grandeza de certos jogadores, há uma inconsistência coletiva em suas equipes
Por Artur Thiezerini
Desde 2014, os amantes do basquete se acostumaram com certos nomes no topo da NBA, como Lebron James, Stephen Curry e Kevin Durant, mas infelizmente seus times estão praticando o esporte de uma maneira muito limitada, principalmente quando analisamos o sucesso coletivo de cada um. Para melhor compreensão, é importante o entendimento do porquê deles estarem com holofotes cada vez mais apagados.
Quando falamos de declínio no basquete, o último nome que vem à tona é o de Lebron James, tanto por ser considerado o rei na liga e um jogador muito vitorioso, com inúmeros prêmios individuais e um dos melhores em quase todas as estatísticas. Porém, desde que foi campeão com o Los Angeles Lakers em 2020, Lebron e companhia passam por problemas cada vez mais alarmantes, tendo neste período de quatro anos duas eliminações precoces e uma não classificação para a reta final.
O jornalista e comentarista Ricardo Bulgarelli explica alguns pontos sobre a falta de competitividade do Los Angeles Lakers. “Se você está pensando em um Lakers ainda com Lebron querendo ser campeão, você tem que utilizar o sucesso dos times que o Lebron foi campeão, que é ter arremessadores confiáveis, ter um comandante que os jogadores confiem e respeitem acima de tudo. Em Miami teve Mike Miller, Shane Battier, Ray Allen, James Jones, todos caras com aproveitamento de 38/40% na bola de três, você teve em Cleveland JR Smith, James Jones, Kyrie Irving, Kevin Love, você tinha caras que matavam bola, um coletivo muito forte”.
Ele explica ainda que “No próprio Lakers os jogadores tiveram bom aproveitamento em 2020, não tinham uma artilharia pesada de três, mas o Kuzma tava matando bola, Alex Caruso, Markieff Morris teve bons números nas finais, Rajon Rondo, todo mundo que entrava, pelo menos matava bola, Danny Green foi muito criticado mas era um cara importante, um cara experiente, um cara com histórico de matar bolas”.

Los Angeles Lakers (Foto: Divulgação/Instagram)
Além disso, temos o declínio relâmpago do Golden State Warriors, porque mesmo sendo campeões em 2022, executaram trocas arriscadas a cada temporada, as quais não renderam nem perto do esperado, como a contratação do armador Chris Paul com seus 39 anos.
O jogador chegou com um papel de facilitador para o ataque, porém, pelo fato de estar longe de seu auge físico, passou grande parte da última temporada lesionado, acarretando em uma sobrecarga ainda maior para a estrela Stephen Curry, por ser armador titular e o mais confiável do elenco. Há também uma crítica pesada em torno do veterano Klay Thompson, colocado muitas vezes como único culpado pela eliminação da equipe, justamente por seu rendimento muito abaixo.
Rodrigo Rabelo, fundador da página do instagram ‘Tribuna do Basquete’, explica sua visão sobre os problemas da equipe.
“O maior problema dos Warriors é o preço do elenco. Agora, com as novas regras da NBA, se a franquia passa muito do teto ela fica impedida de assinar com jogadores por mais de um determinado salário, não podem fazer trocas desfavoráveis para se livrar de salários e outras coisas mais. O elenco dos Warriors é o mais caro, por isso, manter Klay não é uma opção inteligente por parte dos negócios. Com tantos jovens promissores no elenco, poderiam usar o espaço salarial de uma maneira mais saudável para compor o elenco com peças chaves”.

Klay Thompson depois de errar um arremesso no jogo de play-in contra o Sacramento Kings em 16 de Abril, 2024 (Foto: Getty images)
Por fim, uma nova decepção foi alimentada nessa temporada com a eliminação do Phoenix Suns, time comandado por Kevin Durant. Desde sua saída de Golden State em 2019, vem sofrendo com eliminações na maioria das vezes inesperadas, principalmente por conta de como os times que passou foram formados.
Assim que chegou no Brooklyn Nets para a temporada 2019-2020, juntamente com Kyrie Irving, Durant convenceu o ala-armador James Harden a formarem um trio de elite no time em Nova Iorque para 2020-2021, porém, com lesões de Kyrie Irving e James Harden, sobrou para Kevin Durant a responsabilidade de levá-los adiante, mesmo com jogadores incapazes de darem o suporte necessário para isso.
Então, em Março de 2023 se juntou ao Phoenix Suns na tentativa de ser campeão ao lado de Devin Booker, foram eliminados pelo Denver campeão naquela campanha, com isso contrataram Bradley Beal do Washington Wizards, mas foram novamente surpreendidos na eliminação por 4×0 pelo Minnesota Timberwolves nessa temporada.
Para Rodrigo, tanto o ala quanto o Golden State tem seus motivos para certas escolhas durante esses anos. “Os Warriors foram perfeitos na maneira de desenvolver através do draft e mereceram assinar com uma superestrela para compor o já espetacular elenco. Foi um merecimento para Kerr, Curry e o executivo da franquia. Para Durant, claramente ele não se importa pelas franquias e pelos times. Logo, esse cara é para ser a cara de uma franquia vencedora? De maneira alguma. Ele não vai criar a cultura necessária para ganhar, ele está lá jogando basquete e, para ele, é o que importa e está tudo bem, mas quem insiste com ele ainda, infelizmente, não terá sucesso.”

Kevin Durant, com uniformes dos times que jogou após sair de Oklahoma
(Foto: Getty images)
É fato que os torcedores devem começar a se preparar para a despedida dessas lendas. Porém, a NBA está repleta de grandes talentos capazes até mesmo de superarem tais ídolos dessa última década, principalmente com estrangeiros, como o esloveno Luka Doncic e sérvio Nikola Jokic. Os estadunidenses também estarão na briga pelo topo na próxima geração, como o astro celta Jayson Tatum e o jovem de apenas vinte e dois anos Anthony Edwards.
