Junho vermelho ressalta a importância da doação mas também os vários requisitos para doar

(Foto: Reprodução FreePick)
Por Júlia França
Em todo o mundo, o dia 14 de junho é considerado o dia do doador de sangue e, por consequência, o mês todo se volta para ações de conscientização da importância da doação, sendo chamado assim de “Junho vermelho”.
Porém, com esse destaque se escancara também a alta burocracia que o possível doador precisa enfrentar antes de conseguir realizar sua doação.
A doação de sangue consiste na retirada de aproximadamente 450ml dos 5 litros de sangue que temos dentro do nosso corpo. A coleta é feita em centros de doação chamados hemonúcleos de maneira gratuita onde o doador pode ou não especificar para quem seu sangue deve ser doado.
Mesmo que pareça uma tarefa fácil, nem 2% da população brasileira doa sangue regularmente, segundo dados do Ministério da Saúde. Uma das razões disso por alguns especialistas são as normas e proibições do processo criterioso que o doador passa antes de realizar de fato a doação.
A estudante de jornalismo Isabela Miyuki, de 23 anos, relata que ficou desapontada por não conseguir doar por pesar meio quilo abaixo do peso mínimo.
“Fiquei muito triste pois não pude ajudar o banco de sangue por uma razão que não interferiria tanto assim. O peso mínimo é 50kg mas eles contam 51kg por causa das roupas, mas era verão e eu pesei 50,5kg e me barraram.”

Entrada do Hemonúcleo, no Hospital de Base, de Bauru (Foto: Júlia França)
Para se ter uma ideia, ao chegar ao hemonúcleo, você é recebido por uma equipe que o orienta no cadastro inicial. Após preencher os formulários com seus dados, você é encaminhado para fazer um teste rápido de anemia para garantir sua elegibilidade para a doação. Em seguida, enfrenta uma entrevista detalhada sobre sua saúde e vida sexual, onde cada pergunta parece aumentar o nervosismo de dizer algo que a entrevistadora não quer ouvir.
Após passar por esse momento de tensão, você é levado para lavar os braços antes de finalmente realizar a doação. Porém, o que acaba acontecendo muitas vezes é a “reprovação” do doador no momento da entrevista.
Segundo o Hemonúcleo do Estado de São Paulo, você não poderá doar sangue se não tiver entre 16 e 60 anos, não pesar mais que 50 quilos, se estiver com anemia, hiper ou hipotensão, febre, gravidez ou amamentando. Se teve ou tem algum tipo de câncer, diabetes, problemas no pulmão, coração, rins ou fígado, doença de chagas, um teste positivo para HIV. Se você teve hepatite após os 11 anos de idade, elefantíase, leishmaniose, esquistossomose, mal de Parkinson ou se já foi submetido a transplante de órgãos, medula ou transfusão sanguínea a doação também é proibida.
Além disso, será impedido de doar sangue temporariamente todos aqueles que fizeram piercing, tatuagem ou micropigmentação, que estiveram nos Estados Unidos ou em região onde há surto de febre amarela, malária ou até aqueles que moraram na Europa por mais de cinco anos. Todos que receberam vacinas preparadas com vírus ou bactéria, que tiveram diarréia, gripe, conjuntivite, caxumba, catapora, dengue, febre amarela ou tuberculose e todos aqueles que tomaram antibióticos ou medicamentos via oral para prevenir infecção pelo HIV (PrEP ou PEP) e que foram submetidos a cirurgias, endoscopias, extração dentária ou tratamento de canal também são impedidos por um tempo de doar sangue.
Por fim, fica vetada a doação de todos aqueles que foram detidos por mais de 72 horas e todos aqueles que tiveram mais de um parceiro sexual no ano. Sobre este último tópico, a quantidade de parceiros sexuais permitidos varia de região para região do Brasil.
Aqui em Bauru, por exemplo, a assistente social do hemonúcleo do Hospital de Base, Valéria Ferreira Nunes, diz em entrevista exclusiva ao jornal contexto que o número de parceiros sexuais para cada doador se restringe para dois a cada 12 meses seja qual for a orientação sexual da pessoa.
“Mais de 2 parceiros nos últimos 12 meses a pessoa não pode doar. Independentemente da orientação sexual pois aumenta a chance da pessoa ter contraído uma doença sexualmente transmissível e passar ela para o paciente”.
Perguntada sobre a questão da doação feita por homens que já se relacionaram com outros homens, a assistente social afirmou que em Bauru a proibição nunca aconteceu de fato.
“Sempre tivemos vários doadores homossexuais aqui que tem parceiro fixo, sem problema nenhum”.
Já sobre todos os outros requisitos para o doador, ela afirma que eles visam proteger tanto a saúde de quem vai receber o sangue quanto de quem vai doá-lo.
“Todos os cuidados que a gente toma são regulamentados pela vigilância sanitária para a segurança do paciente e do doador”.
Ela explica ainda que isso não é chatice.
“A gente tenta orientar o doador para prevenir sua saúde também”.
Apesar da burocracia, é importante lembrar que a doação de sangue continua sendo de extrema importância. O ato pode salvar até 4 vidas e pode ser feito gratuitamente em qualquer hemocentro da região.
Para a doadora Vitória Mendes, de 20 anos, a doação é importante pois pode salvar vidas e ajudar em tratamentos.
“Acredito que esse ato voluntário é muito importante porque pode salvar vidas, ajudar em diversos tipos de tratamentos e melhorar a qualidade de vida de muitos. Então, eu faço doações regulares, seguindo os protocolos recomendados”.
Informações
A doação de sangue em Bauru pode ser feita nos seguintes locais:
Hospital de Base: de segunda a sexta, das 7h às 13h e aos sábados das 7h às 12h.
Hemovida do Hospital Beneficência Portuguesa: todos os dias da semana, das 07h às 12h ou das 13h30 às 16h.

(Infográfico para doação de sangue – Kauã Pedro Alves)
