Os casos da doença tem aumentado em vários países. Saiba como o brasil está enfrentando a crise.

Por Ana Marques

UBS da cidade de Bauru Foto: Ana Marques

O surto de sarampo tem se alastrado pelo globo em razão da baixa adesão da vacinação. Atualmente, as Américas passam pelo maior surto de sarampo das últimas duas décadas, e os casos já começaram a aparecer no Brasil. O Ministério da Saúde recomendou a ampliação da cobertura vacinal nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos, que apresentaram casos da doença.

A medida temporária foi associada à Campanha de Multivacinação de agosto, que teve seu dia D no último sábado (22), depois dos casos da doença serem confirmados no Brasil. Eles indicam uma cadeia de transmissão do sarampo através da importação desse vírus, relacionados com o regresso de viagens internacionais, de países onde circula a patologia.

Desde de 2024, o Brasil voltou a possuir o certificado de eliminação do sarampo, o mesmo que possuía em 2016, mas que foi perdido em 2019 pelo incentivo dos movimentos de antivacinação. Mesmo com a certificação, o país não está isento de apresentar casos da doença, por isso a vacinação se torna a medida mais assertiva para conter a circulação do vírus no território nacional.

O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa e a sua transmissão acontece pelo ar quando uma pessoa contaminada está presente. Os principais sintomas são: febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse seca, mal-estar intenso e olhos avermelhados. O período de transmissão pode começar até uma semana antes e continuar até quatro dias depois do aparecimento das manchas pelo corpo. A infecção pode gerar complicações como encefalite e pneumonia.

Antes da introdução da vacina, o sarampo chegou a causar até 2,6 milhões de mortes ao ano e ainda hoje representa um risco grande, principalmente para crianças com menos de 5 anos.

Para as três cidades que apresentaram casos da doença, a recomendação é a vacinação de todas as pessoas dentro da faixa etária de 6 meses à 59 anos, independentemente do histórico de vacinação. Para as demais cidades do território brasileiro, há necessidade de uma avaliação do histórico de vacinação para saber se é necessário a aplicação da dose.

No calendário rotineiro, a vacina de sarampo é aplicada aos 12 meses de idade, e depois aos 15 meses. Caso uma pessoa tenha tomado a vacina de sarampo antes de completar um ano de idade, quando criança, ela pode estar desprotegida, já que a proteção efetiva só ocorre quando respeitado o limite mínimo de idade e o intervalo de tempo necessários. Apesar disso, atualmente, nas cidades onde a doença se faz presente está sendo aplicada a dose zero em crianças de 6 a 11 meses de idade. Essa dose não substitui as doses já previstas no calendário vacinal, mas funcionam como uma proteção provisória antes que a idade mínima para a proteção efetiva seja atingida.

Uma enfermeira que aplica vacinas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade de Bauru, que preferiu não se identificar, comentou sobre a queda nas taxas de vacinação como um todo e do desinteresse do público geral. “No pós covid identificamos uma baixa de vacinação, temos a cobertura vacinal, mas temos encontrado dificuldade para as pessoas virem se vacinar. Hoje é o dia D de vacinação e a UBS está vazia”, afirmou ela.

Ela completou dizendo que sempre espera que o movimento melhore, mas que a luta ainda permanece constante. “Esperamos uma melhoria sempre, principalmente abrindo aos sábados”, disse ela. “Fazemos a busca ativa por telefone, whatsapp”, completou, afirmando chamar as crianças com doses pendentes para o posto de vacinação.

A cobertura vacinal começou a cair por volta de 2015 e 2016, mas piorou com a chegada da pandemia de covid-19, período associado a perda de confiança nas vacinas e a falta de acesso a esses serviços. O negacionismo e a desinformação são as principais ferramentas que perpetuam essa desconfiança.

O marco da incredulidade em relação às vacinas, internacionalmente, foi em 1998, quando o médico Andrew Wakefield publicou uma pesquisa preliminar, posteriormente despublicada, associando a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, com o autismo. Apesar de ter sido constatada fraude nos dados da pesquisa, a desinformação que ela gerou reverbera até os dias de hoje.

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo SUS e pode ser encontrada em qualquer UBS. A caderneta de vacinação é importante para saber o histórico vacinal do paciente e para o registro de futuras doses a serem aplicadas.

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