Aliando os movimentos físicos e as questões emocionais, a área compreende a relação entre o corpo e características da psique humana

por Filipe Nascimento

Buscando entender a relação entre as ações motoras e o aspecto cognitivo do ser, abrangendo tudo desde amarrar o cadarço até mesmo pular corda, a Psicomotricidade é uma ciência que estuda as formas como o cérebro aprende e memoriza as ações do corpo em movimento, além da maneira em que a percepção do externo e interno impacta as características físicas e mentais do indivíduo.

Psicomotricidade é uma junção de três afixos que definem seu significado: Psico, que se refere à mente/alma e traz o lado emocional e cognitivo; Motric (motriz), significando o movimento do corpo; e Idade, recorrendo à vida em todas suas etapas.

A psicomotricidade atua no desenvolvimento motor, especialmente para crianças (Foto: Arquivo Pessoal)

As atividades nessa área costumam a ser direcionadas para o público infanto-juvenil, principalmente para as crianças, uma vez que o desenvolvimento das funções motoras ocorre nessa faixa etária, como as noções de coordenação motora global, lateralidade e organização espacial-temporal, mas podem também contemplar outros grupos, por exemplo pessoas que sofreram acidentes graves, onde a psicomotricidade pode atuar em conjunto com a fisioterapia.

O psicomotricista e professor de Educação Física Wagner Gomes conta sobre a importância da área na saúde. “A Psicomotricidade é de grande valia, pois ao estimular o movimento intencional através das brincadeiras, permite que o indivíduo desenvolva a percepção do eu, além de situar-se no espaço, no tempo, no mundo dos objetos, e, de apropriar-se de uma linguagem para se relacionar com o outro”.

Wagner atua na área da Psicomotricidade (Foto: Redes Sociais)

Wagner é criador do projeto “Aprimore Kids” na cidade de Jundiaí-SP, que possui o objetivo de promover o desenvolvimento psicomotor de crianças e jovens por meio de atendimentos especializados. O projeto também possui uma página no Instagram, na qual vídeos de atividades e brincadeiras são postados para incentivar a realização de exercícios relacionados à psicomotricidade. No total, mais de 76 mil seguidores acompanham as postagens, sendo assim uma referência no meio.

O psicomotricista relata sobre como são os atendimentos com as crianças e as atividades praticadas. “As atividades são pensadas de acordo com a necessidade de cada criança, onde dentro do seu saber, podemos contribuir com brincadeiras simbólicas, levando-as a percepção do eu, melhorando sua autoestima e todos os aspectos já mencionados”.

O projeto “Aprimore Kids” é inspiração na área através do Instagram (Foto: Redes Sociais)

Wagner relata ainda que tem trabalhado atualmente com a hipotonia, “A Hipotonia se refere a crianças com pouca atenção e sustentação de postura, aparentemente desajeitadas, com dificuldade na respiração, pouco interesse em atividades que exigem força muscular e habilidades específicas. Esses aspectos estão diretamente relacionados à tonicidade e equilíbrio, que são a base da psicomotricidade para a aquisição de novas habilidades motoras”.

Ele também explica como funciona a associação das ações motoras entre o corpo e a mente. “Para a psicomotricidade a associação entre as ações mentais e motoras se dá através das experiências proporcionadas e vivenciadas pelo indivíduo, de acordo com o ambiente e a sua relação com o outro. Importante dizer, que o vínculo afetivo é fundamental para que uma nova aquisição na aprendizagem aconteça”.

Em entrevista, a pedagoga e psicomotricista Libna Mendes ressalta o objetivo da psicomotricidade e seus três pilares ao ser perguntada sobre a relação entre as atividades físicas com o ‘comando’ cognitivo. “A Psicomotricidade trabalha diretamente no movimento intencional, não é apenas movimento por movimento, existe um desejo para a execução de determinada atividade e movimento. Trabalhando uma tríade em uma única atividade que é o querer fazer que está diretamente ligado ao sistema límbico: emoção, o saber fazer que se liga a cognição e o poder fazer que se refere ao ato motor”.

Psicomotricista Libna Mendes (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela é dona da página “Motriciar Desenvolvimento Infantil” no Instagram, atua com terapia e educação psicomotora na cidade de Jundiaí, e trabalha o desenvolvimento psicomotor, especialmente com crianças.

“Motriciar Desenvolvimento Infantil”, projeto jundiaiense no campo da Psicomotricidade (Foto: Redes Sociais)

Libna, questionada sobre as atividades trabalhadas com os infantes, afirma que há bases embasadas na área para o trabalho na terapia e educação psicomotoras, como os estudos da Teoria do sistema funcional de Alexander Romanovich Luria e elaborada em forma de pirâmide segundo o professor Vitor da Fonseca, considerado grande epistemólogo no campo da Psicomotricidade.

“Nessa pirâmide existem sete fatores psicomotores para serem atingidos em determinadas faixas etárias, de acordo com o amadurecimento do sistema nervoso do indivíduo. Essas bases são: Tonicidade: 0 – 12 meses; Equilibração: 1 – 2 anos ; Lateralização: 2 – 3 anos; Noção de corpo: 3 – 4 anos; Estruturação espaço temporal: 4 – 5 anos; Praxia global: 5 – 6 anos e Praxia fina: 6- 7 anos.

Uma criança de três anos por exemplo, não tem a praxia fina amadurecida para a escrita, então trabalhamos todo esse corpo conforme o seu crescimento e marcos de desenvolvimento com atividades que vão desde o rolar, saltar, conhecimento de si e do outro até essa criança crescer e chegar na fase mais refinada do movimento que é as habilidades finas com as mãos (escrita, costura, pintura entre outras)”

Para mais informações e atendimentos, siga a redes sociais dos entrevistados Wagner Gomes e Libna Mendes, respectivamente:

@aprimorekids no Instagram

@motriciar.infantil no Instagram

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