Hoje (6) crava junho como o mês nacional de prevenção de acidentes com queimaduras. O tema da campanha convida o público a refletir sobre formas de conscientização e proteção contra ferimentos no dia a dia
Por Maria Clara Alves
Em 9 de setembro de 2009 foi sancionada no Congresso Nacional a lei que determinou 6 de junho como o Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras. A campanha deste ano, organizada e impulsionada pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), possui como slogan a frase “Queimaduras? Na minha casa não!” e busca, através da realização de aulas no formato on-line, transmissões ao vivo e eventos científicos, espalhar conhecimentos e orientar o público sobre como agir em casos de acidente.

Programação da SBQ de 2024 irá focar na prevenção de acidentes com queimadura em ambiente doméstico (Créditos da imagem: Sociedade Brasileira de Queimaduras)
O Brasil registra cerca de um milhão de casos de queimadura por ano. Desse número, aproximadamente cem mil pessoas procuram um médico e dezessete mil são hospitalizadas, de acordo com dados fornecidos pela SBQ e pelo Ministério da Saúde. A maioria das lesões ocorre em ambiente doméstico, com crianças, idosos e pessoas com deficiência sendo os grupos mais afetados.
Acidentes com queimadura ocorrem com frequência no dia a dia dos brasileiros – principalmente no mês de junho, com a chegada das festas juninas – transformando um mero comportamento ‘descuidado’ que leva à autolesão em uma questão de saúde pública. Nesse sentido, a subnotificação no número de casos é tida como um empecilho para o enfrentamento do problema, pois oculta o número muito maior de acidentes. Isso porque, geralmente, os ferimentos são feitos em momentos de pressa ou distração no cotidiano, e os acidentados acabam sendo socorridos pelas pessoas presentes no momento.
“Foi num antigo serviço meu, trabalhava como auxiliar de cozinha, e estávamos na correria do almoço, fazendo um macarrão, a água lá quente, eu fui coar e caiu tudo em cima de mim”, conta Miriam, quando perguntada sobre os detalhes do acidente com queimadura que sofreu. “Ali estavam só as meninas, mas ninguém me prestou socorro, não que eu me lembre. De médico assim, não”, adiciona.
Uma queimadura acontece quando há a agressão parcial ou completa dos tecidos corporais, prejudicando o andamento de suas funções. Ela é causada por agentes químicos, elétricos, radioativos ou térmicos – como foi o caso de Miriam, que se lesionou devido ao contato com o macarrão e a água escaldantes. O tratamento dessas lesões deve ser feito obrigatoriamente em ambiente hospitalar, na presença de um profissional de saúde.
No momento do acidente, é recomendado lavar o local com água corrente em temperatura ambiente, cobrí-lo e ir até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima. Nela, será feito o diagnóstico e a prescrição de algum medicamento, além do atestado, dependendo da gravidade da queimadura. Depois, em casos mais graves, o paciente é direcionado para tratar da lesão em um hospital.
Nesse contexto, destaca-se a Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual de Bauru, que conta com aproximadamente 3 mil vagas distribuídas em 16 alas no segundo andar do edifício. A maioria de seus pacientes são homens (65%) maiores de 18 anos.

O Hospital Estadual de Bauru é referência do centro-oeste paulista e em todo o estado no cuidado com queimaduras (Foto: Maria Clara Alves)
Mesmo com a frequência que os acidentes acontecem, as campanhas de conscientização federais e municipais não chegam até toda a população. Para Sandra, cozinheira do Restaurante Universitário da Unesp no câmpus de Bauru, “a informação é muito pouca, teria que ter mais”. Ela disse que há a normalização dos acidentes com queimadura (que são tidos como inevitáveis), principalmente no seu ambiente de trabalho. A entrevistada Kiara complementa: “As campanhas podem ser um meio de comunicação pra gente ter mais atenção, mas na prática a gente não presta atenção, no dia a dia, porque você tá numa correria”.
Para além das campanhas educativas já empregadas, outras medidas de precaução de queimaduras envolvem o uso de equipamentos de segurança e a não comercialização de álcool etílico com teor acima de 46º INPM. A nutricionista do Restaurante Universitário, Camila, reforça a necessidade de um treinamento prévio para a prevenção de queimaduras, e afirma que “independente de qual nível de queimadura seja, é uma coisa séria pra ser tratada e levada a sério”.
Durante todo o mês de junho, a Sociedade Brasileira de Queimaduras prosseguirá com eventos de divulgação científica e outras atividades abertas ao público. O cronograma completo está disponível no site oficial da SBQ.
