Entenda a possibilidade de seguir as tendências do universo da moda a partir do movimento circular e do comércio de roupas usadas.
Por Isabel Assis
É certo o quanto o mercado da moda é um dos mais lucrativos. De acordo com um estudo realizado pela Semrush, nos últimos anos a busca pelo termo brechó aumentou em 175%. Estima-se que o mercado global de roupas usadas deve chegar perto de 80 bilhões de dólares em 2025. A moda circular e sustentável está avançando a cada dia, fazendo parte desse universo e acompanhando as tendências.
Em entrevista com Natália Rocha, designer de moda, ela explica o que são essas tendências. “Quando falamos de tendências, antes de falarmos de roupas, falamos de comportamento. Uma tendência de comportamento gera uma tendência de consumo, e esse padrão de consumo é o que é popularmente conhecido como tendência de moda, podendo se refletir em tipos de tecido, modelagem, cores, etc.”
Com o surgimento do comércio de roupas usadas, diversos consumidores passaram a buscar por essas tendências em brechós. Um dos motivos para esta procura está relacionada ao preço mais acessível que esses comércios oferecem, diferentemente das grandes lojas de departamento, por exemplo.

A designer de moda Natália Rocha. (Foto: arquivo pessoal)
O questionamento “será que é possível ser estiloso comprando apenas roupas usadas?” se tornou comum aos amantes dessas tendências, que buscam através das redes sociais dicas e informações.
“Um dos maiores benefícios das redes sociais é justamente a facilidade e o acesso à informação, tornando muito mais fácil acompanhar as tendências de moda. Isso pode ser feito seguindo perfis de estilistas, marcas, revistas digitais de moda, aplicativos e sites especializados em tendências”, explicou Natália.
Porém, mesmo com essa alta demanda de procura das tendências nas roupas usadas, o termo brechó ainda é visto com preconceito por algumas pessoas. Em conversa com Josiane Almeida, dona do primeiro e maior brechó de Capivari – interior de São Paulo, ela explica a diferença entre o bazar e o brechó.
“ Hoje está muito mais fácil, essa questão das pessoas aceitarem essa ideia do brechó. E é importante ressaltar que existe uma grande diferença entre brechó e bazar. O brechó hoje ele virou uma empresa, um negócio. Até por isso que muitas pessoas não entendem o valor de um brechó ser mais alto hoje do que antigamente. Hoje temos toda uma estrutura diferente na loja, uma estrutura que oferece uma peça pronta para você usar mesmo. O bazar tem um viés mais beneficente, uma mão de obra mais voluntária”, afirmou.


O brechó Brejô. em Capivari (Foto: arquivo pessoal)
A empresária Josiane Almeida. Foto: Arquivo pessoal).
O comércio de roupas usadas está cada vez mais forte. A partir dessa diferença entre o brechó e o bazar, se abrem diversas oportunidades para este comércio ser muito diversificado. Atualmente, existem lojas onlines e presenciais. Alguns brechós são focados na revenda de roupas de grandes marcas como Louis Vuitton, Gucci, e outros focados na revenda de roupas mais acessíveis. “Por isso, hoje em dia, a população tem aceitado porque tem visto os brechós com uma curadoria mais selecionada, tem cuidado mais do bolso”, concluiu Josiane.
Ao ser questionada sobre a questão já apresentada no início, se realmente é possível ser estiloso e seguir as tendências usando roupas que já foram usadas por outras pessoas, Natália, como designer de moda, concorda e explica o porquê: “muito se fala sobre o quanto a moda é cíclica. É muito comum vermos o ressurgimento de tendências. Por isso, é fácil afirmar que é possível seguir as tendências de moda reaproveitando peças usadas, como as de brechós e bazares. Além disso, peças seminovas são mais acessíveis financeiramente, geram menos descarte de tecido e ainda trazem outras economias relacionadas à fabricação de novas peças, sendo um movimento muito consciente”, disse a designer.
Ou seja, a partir da opinião de duas especialistas na área, pode-se concluir que sim: é possível ser estiloso comprando roupas usadas. A moda não está totalmente encaixada em um padrão, e de acordo com elas há sim a possibilidade de diversificar seu guarda-roupa e acompanhar as tendências do universo da moda a partir de peças que já foram usadas por outras pessoas, fazendo do velho o novo.
