Sesc Bauru abre a exposição “Nise: A revolução pelo afeto”, com obras dos pacientes da psiquiatra Nise da Silveira
Por Juliana Allevato
A nova exposição do Sesc Bauru presta uma homenagem à psiquiatra Nise da Silveira. São aproximadamente 90 obras do acervo do Museu Imagem do Inconsciente, criado por Nise da Silveira no Rio de Janeiro em 1952. A curadoria, feita pelo estúdio M’Baraká, mostra pinturas feitas pelos clientes de Nise (termo que ela mesma preferia usar ao invés de “paciente”). Entre eles, o visitante pode esperar pinturas de Adelina Gomes, Fernando Diniz, Beta D’Rocha, Carlos Pertuius e Anna Letycia.
Caminhando na direção contrária aos manicômios e aos tratamentos de eletrochoque de sua época, a psiquiatra observou a influência da pintura nas pessoas em que tratava. Para ela, a arte ajudava a organizar o pensamento de pessoas que estavam em estado de loucura.
“Nossos pintores mesclam muitas vezes ao abstrato as formas definidas dos símbolos, consistentes objetos utilitários, seres fantásticos ou reais, tudo dependendo de suas situações interiores”, define Nise da Silveira, em cartaz presente na exposição do SESC Bauru.

foto da exposição “Nise da Silveira: A revolução pelo afeto”. Todos os direitos de imagem reservados ao SESC-BAURU | Curadoria: estúdio M’Baraká
Além dessas obras, a exposição também traz fotos do arquivo pessoal de Nise, que contam sua história e influência na política, o ingresso na Faculdade de Medicina da Bahia e a influência de Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica.
A exposição é uma oportunidade de conhecer de perto um dos grandes nomes da psiquiatria. Isabela Meira, psicóloga analítica junguiana (quem segue a filosofia de Carl Gustav Jung), diz que desde que começou a estudar psicologia, Nise foi sua grande inspiração. “Ela inspira como tratar o outro, validando a potência do ser-humano, então influencia diariamente no meu trabalho”, diz.

Em menção honrosa, Lima Barreto, internado compulsoriamente em um manicômio em 1918, também aparece na curadoria. Em sua obra “cemitério dos vivos”, o romance inacabado foi escrito em um período de internação e relata os mais variados abusos sofridos pelo escritor no período em que esteve nos manicômios, lugar o qual Nise da Silveira criticou duramente no período em que atuou como psiquiatra.


Exposição “Nise: a revolução pelo afeto”
De 23/9/2023 a 26/3/2024
Sesc Bauru
Rua Aureliano Cardia,6-71 – Vila Cardia, Bauru – SP, 17013-411
Entrada Gratuita
