Em meio a altos índices de doenças mentais, método desenvolvido pela psiquiatra na década de 1940 se mostra atual
Por Juliana Allevato
Apesar de um mês de campanha contra o suicídio e a prevenção de doenças mentais, Brasil chega em outubro com 720 milhões de pessoas com transtornos mentais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nesse cenário, muitos especialistas resgatam os métodos de Nise da Silveira. A psiquiatra ficou conhecida, na década de 1940, por ser pioneira em humanizar o tratamento mental por meio da arte. Os conflitos internos vivenciados, principalmente, por esquizofrênicos, puderam ser reordenados com a pintura.
Para a psicóloga e acompanhante terapêutica Julia Neves, os benefícios da arte são notáveis nos pacientes em muitos estágios de tratamento.
“A arte-terapia é uma forma mediada de conseguir expressar suas emoções, uma vez que, por meio dela, o paciente consegue trabalhar seus sentimentos e seus traumas e necessidades, como forma de cuidado da saúde mental”, diz.
“Uma das ferramentas mais poderosas”
Em seu trabalho enquanto acompanhante terapêutica, Júlia diz que usar a arte é uma das ferramentas mais poderosas de acessar pensamentos privados, especialmente para pacientes que apresentam um diagnóstico de rigidez cognitiva, ou dificuldade de se expressar por meio da fala.
A psicóloga ainda destaca que, além da arte plástica, a arte terapia pode ser estimulada também pela música e a dança, por exemplo. “Tudo é uma questão de adequar de acordo com as necessidades do paciente com a abordagem do terapeuta, mas, na prática, os benefícios são observados da mesma forma”.
Mesmo com bons resultados, há ainda dificuldades em promover esse método na psicologia. “Por não ser uma abordagem muito técnica, não há muitos protocolos que ajudem a guiar o paciente nessa abordagem”, explica Júlia.
Segundo ela, isso exige que a interpretação do terapeuta seja muito mais crítica, para entender, de fato, o que aquele paciente está tentando expressar.
