Apesar de ser um ícone para a luta feminista nos dias de hoje, qual foi a real contribuição da artista para o movimento?
Por: Isadora Lombardi

Foto: Reprodução
Nos anos 60 as pessoas passavam pela famosa “febre do rock ‘n roll”, cada vez mais as bandas se destacaram fazendo sucesso entre os jovens. Os meninos sonhavam em ser estrelas do rock, enquanto as meninas sonhavam em namorar essas estrelas. Foi assim que essa história foi contada até o final dos anos 60, quando Rita Lee, a rainha do rock, revolucionou todo o cenário musical.
Ao contrário do credo popular, sua trajetória musical começou bem antes dos Mutantes. Foi em 1963, que a cantora formou um conjunto musical com mais duas garotas, as Teenage Singers, que faziam pequenos shows em colégios. Apesar dos seus diversos sucessos com Arnaldo Baptista e Dinho Leme, foi em sua carreira solo que Rita Lee apresentou seus maiores sucessos para o mundo.
Rebeldia, drogas e sexo, com tom ácido e irônico suas músicas abordavam temas extremamente polémicos para a época. Mas acima disso, suas músicas evidenciaram um dos aspectos mais importantes da personalidade de Rita Lee, sua liberdade. E foi essa liberdade que fez com que a artista fosse considerada um “ícone feminista” nos dias de hoje.
Apesar dos seus maiores sucessos como “Agora só falta você”, “Ovelha Negra”, “Amor e Sexo”, abordarem temas como a igualdade de gênero, liberdade sexual e empoderamento femino, a estrela do rock sempre ressaltou que suas motivações sempre foram com a música e não com o movimento.
“Nunca carreguei bandeira de feminismo. Eu era a única menina roqueira no meio de um clube só de bolinhas, cujo mantra era: para fazer rock tem que ter culhão. Eu fui lá com meu útero e meus ovários – e me senti uma igual, gostassem eles ou não. Sou do tempo em que o feminismo era queimar sutiã no meio da rua, e eu nunca tive peito suficiente para sequer usar sutiã. Talvez eu seja uma feminista gauche”, disse a artsita ao portal Hysteria ainda em 2017.
Larissa Pelúcio, Professora de Antropologia na UNESP, Livre-Docente em Estudos de Gênero, Sexualidade e Teorias Feministas, explica por que o nome da artista não era relacionado ao feminismo naquele período, devido ao momento histórico vivido no Brasil.
“Quando a Rita Lee começa sua carreira solo, estávamos em momento incipiente da discussão feminista no Brasil, era um período de ditadura, precisaríamos aguardar o ano de 79 para começar o movimento pela Anistia. O que a compositora produzia, era considerado pela própria esquerda feminista, como algo ligado ao desbunde. Então neste momento não dá para fazer uma leitura a-histórica e ligar isso ao movimento feminista, mas hoje podemos olhar para trás e falar que aquilo era feminismo”.
A docente também explica que essa relação de Rita Lee com o feminismo faz parte de uma leitura influenciada pelo contexto contemporâneo, devido ao crescimento do movimento, atribuindo um novo vocabulário para reler sua trajetória.
“A própria Rita Lee declarava que a forma como ela se postou e se posicionou, durante sua carreira, foram muito espontâneas e naturalmente rebeldes. Mas não tinha uma clara intencionalidade de fazer um protesto, enviar uma mensagem ou de se engajar em grupos políticos específicos. Então temos que tomar muito cuidado ao falar de quem foi Rita Lee nesse processo de constituição do feminismo”,disse a professora.
Mesmo que nos seus dias de glória a “ovelha negra do rock ‘n roll” não tenha sido o mártir do feminismo, é inegável que sua individualidade, seu carisma e sua música, influenciaram milhões de pessoas a acharem sua voz. E quem sabe por quanto tempo seu legado viverá dentro de cada uma dessas.

Sem dúvida alguma Rita Lee continuará em nossos corações… guerreira nunca teve medo de nada… descansa em paz nossa musa aqui sua vida foi só alegria… contagiante suas letras jamais serão esquecidas! Viva Rita Lee!
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