Com aquisição da Activision Blizzard, Microsoft estimula a competitividade no mercado de games

Por Lívia Ghirardello

Após mais de um ano em um meticuloso processo de validações, a União Europeia dá luz verde para a aquisição histórica da Activision Blizzard pela Microsoft, em uma transação de proporções bilionárias, avaliada em US$ 68,7 bilhões. Entretanto, a gigante dos games e sua maior rival, Sony, não ficou feliz com a decisão: “surpreendente, sem precedentes e irracional”.

Foto: Divulgação / Microsoft

Contrariando a decisão da Autoridade de Competição e Mercado (CMA) do Reino Unido, no dia 15 de maio de 2023, foi enfim autorizada a compra da renomada empresa responsável por franquias consagradas como Call of Duty, Diablo e outros títulos amplamente reconhecidos no universo dos games. A gigante norte-americana desembolsará uma quantia impressionante de US$ 68,7 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 338 bilhões, para concretizar o negócio.

Entretanto, esta integração não foi bem recebida pela Sony, grande empresa do ramo de jogos e principal concorrente da Microsoft. A companhia japonesa teme que games como Call of Duty, franquia mais vendida no mundo, se tornem exclusivos do Xbox e, dessa forma, influencie jogadores a trocarem seu console por um dos modelos rivais.

De acordo com Thiago Onorato, fundador e CEO da House of Gamers, a rival está experimentando um pouco de sua própria estratégia, pois assim funciona o mercado de jogos. Ele explica que “a Sony historicamente é a empresa que se utiliza de jogos exclusivos para vender mais plataformas. Ela usou o God of War, The Last of Us e outras franquias para vender mais consoles e obviamente que as outras empresas também vão buscar um diferencial competitivo”.

Quanto à citada troca de consoles, o CEO complementa que faz parte do mercado. “Pode acontecer dos usuários, dos gamers, dos fãs, escolherem Xbox por conta de uma eventual parceria ou diferencial que coloque para si? Pode. Isso é ilegal? Não. Acho que é uma decisão estratégica, que não é diferente daquilo que já foi feito por outras empresas, inclusive pela própria Sony Playstation”.

Além da preocupação com a exclusividade, demais companhias e jogadores do mundo todo ficam receosos quanto à competitividade dentro deste universo, onde a compra representa uma ameaça à inovação e à competição. Entretanto, Thiago diz que este é um grande passo para, na verdade, igualar o cenário competitivo. “Quando você compara Xbox com Playstation, você tem um cenário bastante desigual no que diz respeito a franquias exclusivas, por exemplo. São várias que hoje são muito grandes, muito fortes e que posicionam a Playstation como uma plataforma bastante robusta, enquanto a Microsoft ainda está criando esse ecossistema.”

Adicionalmente, a empresa norte-americana defende os benefícios de sua aquisição, desde um portfólio de games mais amplo à criação de experiências de jogo mais inovadoras. A empresa destaca, também, que a combinação de seus serviços e plataformas, como o Xbox Game Pass e o serviço de streaming de jogos xCloud, com os jogos populares da Activision Blizzard, trará ainda mais vantagens aos consumidores.

Thiago, por sua vez, ilumina as vantagens que uma grande competitividade traz aos jogadores. Em suas palavras, o consumidor será sempre beneficiado quando há uma competição. “Foram anos, desde 2013, com o domínio da Sony. E a Microsoft mais forte obviamente faz com que o mercado todo se movimente, assim como também precisamos da Nintendo forte, trazendo novos jogos”.

Ele explica ainda que o Brasil precisa melhorar o acesso. “O hardware ainda é muito caro e precisamos que serviços de assinatura sejam mais difundidos e, para isso, a gente precisa de internet rápida em todos os lugares. É necessário que, nas comunidades, todos tenham acesso à internet de qualidade para que possam se divertir, para que possam aprender e interagir com outras pessoas”.

Sendo conselheiro da ONG AbleGamers Brasil, ele ainda destaca as gigantes oportunidades inclusivas que os games proporcionam, além de terem um papel fundamental na interação, uma das missões principais da organização. “Promover a interação é um trabalho que a gente faz na AbleGamers, aqui no Brasil. É justamente promover a inclusão de PCDs no universo gamer para que, dentro deste, eles possam ser o que quiserem, tenham acesso a diferentes mundos, a diferentes pessoas, para que possam se comunicar e viver de forma divertida como qualquer outro gamer”.

Thiago finaliza dizendo que “nós queremos ter um mercado forte, com uma competitividade alta para que haja sempre debate e a gente encontre maneiras de tornar o mercado brasileiro mais acessível para as pessoas”.

A aquisição da Activision Blizzard representa um grande marco na indústria dos games e somente o futuro dirá como essa transação moldará o cenário deste universo, prometendo revolucionar a forma como jogamos e nos divertimos. Agarre o seu controle e prepare-se para testemunhar um novo horizonte de possibilidades. Este é o futuro dos games, trazido a você pela Microsoft e sua mais nova joia: a Activision Blizzard.

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