Lançado em 2019, álbum de Lana del Rey é a combinação perfeita entre o indie e o pop da década de 2010 e um dos melhores discos do século 21
Por André Merli

Capa do álbum (foto: Universal Music)
Muito elogiado pela crítica, considerado o melhor álbum de 2019 pela revista norte-americana Pitchfork, com 9,4 de nota, e indicado para o Grammy naquele ano, o disco Norman Fucking Rockwell, de Lana del Rey, completa cinco anos. Para o lançamento, foram produzidos seis videoclipes e 14 músicas melódicas e melancólicas bem ao estilo Lana del Rey, incluindo os sucessos “Doin Time” e “How to disappear”.
Produzido por Lana e Jack Antonoff, o nome do álbum e a faixa homônima são uma referência ao pintor e ilustrador americano Norman Rockwell, e, na primeira faixa, Lana canta sobre seu relacionamento com um artista talentoso e egoísta e o quanto essa relação a afetou. “Você é divertido e selvagem / Mas você não sabe metade da merda que você me fez passar”, canta Lana.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Contexto, o fã e criador da página “Lana del Rey Addiction” no X, Marcos Almeida, afirma que o disco é “um álbum para dirigir e contemplar a vida.” Para ele, “não tem nenhum incômodo em sua narrativa, apesar de trazer questões incômodas”.
O “NFR!” abrange distintas referências ao universo musical e audiovisual, como no clipe de “Doin Time” fazendo alusão ao filme de ficção científica lançado em 1958 “Attack of the 50 Foot Woman”, produzido por Bernard Woolner e dirigido por Nathan Hartz, além de referenciar lendas da música como Beach Boys, John Lennon, Joni Mitchell, David Bowie e Led Zeppelin.

Cena do clipe de “Doin Time”(foto: reprodução/YouTube)
Nascida em Nova York, a cantora e compositora submerge os ouvintes no oeste estadunidense da década de 60 de modo lírico e sensível em faixas como “California” e “Venice Bitch”, essa última chegando aos 9 minutos e 37 segundos de duração.
Lana inicia a primeira música sarcasticamente com o verso “Goddamn, man-child, You fucked me so good that I almost said: I love you”, demonstrando sua relação de amor e ódio com o artista orgulhoso que Lana se envolvia amorosamente.
Além de seus sentimentos e experiências, Lana del Rey também traz pautas sociais e políticas no disco, como na música “The Greatest”, fazendo reflexões ao aquecimento global e críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
A cantora também é uma grande referência para diversos outros artistas, como Billie Eilish e Clairo, que já afirmaram se inspirar nela. Para Handerson Ornelas, que escreveu uma crítica ao álbum em seu lançamento, Lana é “um dos maiores exemplos da onda retrô/revival que passou a dominar a música da década passada, sabendo mesclar muito bem o conflito entre o vintage/antigo e o moderno/novo.” Ele diz também que ela “representa um belo equilíbrio entre passado e futuro da música”.
Handerson também explica que este é o seu álbum preferido de Lana. “Não se trata só de sua obra mais complexa, mas também um balanço perfeito entre o indie e o pop da década de 2010, tornando-se um dos melhores álbuns do século 21. NFR permanece uma obra quase irretocável, que ganha cada vez mais força no status de clássico conforme envelhece”.
Lana tem ganhado um grande destaque em shows e festivais, tendo sido atração principal do grande festival de música californiano Coachella, em abril, onde se apresentou para mais de 100 mil pessoas, sendo esse o maior público de sua carreira. A cantora também esteve presente no Brasil em 2023, como atração principal do festival MITA, fazendo shows nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Lana del Rey em São Paulo no MITA, em 2023 (foto: Fábio Cordeiro/gshow)
Apesar de sua relevância atual, a carreira de Lana teve início oficialmente em 2011, com o lançamento do aclamado single “Video Games” e logo após o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, “Born to Die”, em 2012, o qual possui sua música de maior sucesso “Summertime Sadness”, com mais de 1 bilhão e 400 milhões de streamings apenas na plataforma Spotify, além dos sucessos “Blue Jeans” e “National Anthem”.
Atualmente, a compositora possui 9 álbuns e mais de 100 músicas lançadas, contando com parcerias de grandes nomes da música atual, como Ariana Grande, Miley Cyrus e The Weeknd, além de compor canções para grandes produções audiovisuais como a série de sucesso “Euphoria” e para o filme “O Grande Gatsby”.
O reconhecido álbum “Norman Fucking Rockwell!” está disponível em todas as plataformas digitais para streaming, como o YouTube Music e o Spotify, e conta com 14 músicas e 1 hora e 17 minutos de duração.
