Um dos maiores sucessos de Agatha Christie, Assassinato no Campo de Golfe completa 100 anos.

Daniela Moraes Bianchezi

Em comemoração aos cem anos desde o seu lançamento, em Março de 1923, Assassinato no Campo de Golfe, de Agatha Christie, traz mais uma aventura do famoso detetive belga Monsieur Hercule Poirot, junto ao seu fiel escudeiro Capitão Hastings.

A história começa quando Poirot recebe uma carta com um pedido de ajuda desesperado de um conhecido milionário sul-americano, o Monsieur Renauld. Na mesma hora, Poirot e Hastings, embarcam numa aventura com destino ao sul da França; mas logo que chegam à residência de Renauld, percebem que era tarde demais, o autor da carta já havia sido assassinado.

Junto ao juiz de instrução, eles são levados à cena do crime e logo presenciam o corpo do milionário que jazia, morto, ao lado de uma cova no meio campo de golfe da propriedade, apunhalado nas costas. As perguntas começam a surgir. Quem ganharia com a sua morte? Poirot sentia uma estranha sensação de que algo lhe parecia muito familiar neste caso, mas o que seria?

Em um clássico da rainha do crime, Agatha Christie nos convida a desvendar um legítimo romance policial, brilhante e envolvente. Poirot vai precisar manter o sangue frio para lidar com um oponente arrogante, além de ligar os pontos e responder as perguntas: o que levou a esse assassinato brutal? E o mais importante, quem é o assassino?

Eh bien, mon ami, foi exatamente isso que ele fez!” – Hercule Poirot

Logo de cara, encontramos uma linguagem um pouco mais intensa e rebuscada – é um livro escrito há 100 anos, afinal – mas ainda mantendo a simplicidade natural de escrita característica da autora, sem torná-la trivial.

Quando Poirot entra em cena, o assassinato já havia ocorrido, ele não tem tempo de explorar o local, de conhecer os suspeitos, nem de conversar com a vítima para conhecer o que lhe afligia tanto a ponto de escrever uma carta. Algo muito similar ao que acontece em “A Mansão Hollow” e em “Poirot perde uma cliente”, onde Poirot também só chega quando o assassinato já havia ocorrido.

Mesmo assim, nosso querido detetive se sente no dever de descobrir o que aconteceu e quem é o assassino. Inicia-se, portanto, a investigação. Com tantos personagens e dialéticas constantes a história fica confusa enquanto os pontos estão sendo postos na frente de Poirot, muitos detalhes continuam sendo banalizados e a reconstrução de cena feita pelos policiais é muito superficial. E é claro que Poirot se irrita, para ele, ninguém está prestando atenção às coisas realmente importantes. Ele logo se dá conta de pontas soltas na história contada pela polícia.

Sem mais revelações sobre o livro, a história é uma grande obra de Agatha Christie que comprova o quão brilhante ela era mesmo no começo de sua carreira. Até quando surgem na história personagens novos e misteriosos, ela não deixa de nos surpreender com seu enredo cativante.

O grande diferencial desse livro, que o transformou em um dos meus livros favoritos da autora, é a forte presença de MUITAS reviravoltas. Até o último capítulo somos surpreendidos por segredos revelados e pode ter certeza que, se você acha que conseguiu desvendar a história, acredite…você não conseguiu! A autora sempre traz uma carta na manga.

Até mesmo Poirot se vê errado em seu raciocínio em pelo menos duas ocasiões ao longo da trama, e também desconfia de suspeitos errados.

Outro ponto interessante é que o nosso fiel companheiro – e narrador da história – Capitão Hastings, vive um romance com uma moça que ele conhece ainda no epílogo, e que acaba também, envolvida no crime. Ele, com o seu famoso requinte inglês, se vê emboscado entre o que é certo e o que o coração deseja, desafiando os seus princípios de justiça.

Os livros protagonizados por Poirot, em que Hastings está na história, são os meus favoritos. Ele traz toda a leveza e inocência que nos faz rir. E deixa Hercule Poirot com a grande pose de herói, pois para Hastings, não faltam elogios ao seu amigo belga, que sempre usa de suas células cinzentas e descobre as motivações do crime.

Inesperado, inteligente, fascinante, surpreendente… essas são as palavras que descrevem o livro, a rainha do crime nunca decepciona e sempre mantém os mais altos níveis de mistério em todas as suas obras.

Editora: Globo Livros (Edição 2020)

Páginas: 288

Idioma: Português

Primeiro lançamento: Março de 1923

Nota:

⭐⭐⭐⭐

 Foto: https://gramaturaalta.com.br/2021/02/17/assassinato-no-campo-de-golfe/

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