Time espanhol ameaçou repetir cenário do ano passado, mas buscou virada e se tornou campeão da Champions feminina em cima do Wolfsburg
Por João Marcelo Ferreira
Em um Phillips Stadium lotado, o Barcelona ameaçou repetir script da final do ano passado, em que acabou perdendo de 3×1 para o Lyon, maior campeão da competição, mas venceu por 3×2 e se tornou campeão pela segunda vez na sua história.
Logo no início do jogo mais importante da temporada no futebol feminino de clubes, o Wolfsburg se aproveitou de uma falha da melhor jogadora do mundo em 2020, Lucy Bronze, que perdeu a bola na entrada da área. Ewa Pajor arriscou de fora da área para marcar um golaço e abrir o placar.
No entanto, estava na cara que essa partida não ia terminar em 1×0. Após o gol das lobas, como são chamadas as jogadoras do time alemão, o Barcelona começou a perder um caminhão de chances para empatar o jogo.
Ainda assim, se aproveitando das linhas altas do Barcelona, Ewa Pajor cruzou para Alexandra Popp, que mandou para o fundo das redes em uma bela transição ofensiva das alemãs. Era o cenário perfeito para o Wolfsburg, que foi para o intervalo com um 2×0 bem lucrativo para o que havia sido o jogo até então.
O Barcelona não jogava mal, mas pecava muito na hora de concluir suas chances, algo que pode ser explicado pela ausência de Alexia Putellas, meia-atacante do Barça e atual melhor do mundo, que estava no banco.
Putellas estava voltando de uma lesão no ligamento cruzado anterior que sofreu em 12 de julho do ano passado. O Barcelona inclusive fazia uma temporada praticamente perfeita sem ela, mas pareceu que justamente na final ela estava fazendo mais falta do que o normal. As jogadoras pareciam muito afobadas com bola para construir jogadas em algumas situações e faltava uma liderança e um diferencial técnico no ataque.
O Barça voltou para o segundo tempo atropelando o Wolfsburg. Aos 47, Caroline Graham Hansen fez ótima jogada e só passou para Patri Guijarro empurrar para o fundo do gol. Menos de 2 minutos depois, após cruzamento de Aitana Bonmatí, de novo Guijarro apareceu para cabecear e empatar o jogo, incendiando o Phillips Stadium. Imediatamente, o jogo já se configurava como uma das maiores finais da história da Champions League feminina.

Foto: Uefa.com
Após isso, o Barcelona já tinha ajustado sua defesa e parou de sofrer tantos sustos, ainda que o Wolfsburg continuasse se mostrando perigoso nas transições e contra-ataques.
Mapi León, como de praxe, fazia uma partida gigantesca pelo Barcelona. A zagueira não só era importante em momentos de pressão do Wolfsburg, como também era essencial com bola saindo de trás, identidade do time Jonatan Giráldez, treinador do time espanhol.
A verdade é que o Wolfsburg fazia uma boa partida para o contexto. Para tentar
equilibrar um pouco a diferença técnica entre os dois times, as lobas preferiram apostar em contra-ataques e estavam causando perigo. A questão é que as jogadoras foram cansando, e enquanto acabava o fôlego para dar piques, simultaneamente de pouco em pouco o time alemão foi perdendo a confiança.
O treinador Tommy Stroot só decidiu fazer alguma alteração aos 70 minutos, depois da falha da lateral Lynn Wilms, que tentou afastar uma bola mas acabou acertando na companheira Kathrin Hendrich. A bola sobrou para Mariona Caldentey, que passou para Fridolina Rolfö, marcando o terceiro do Barcelona. O gol também teve participação da brasileira Geyse Ferreira, que havia acabado de entrar em campo. Após isso, o Wolfsburg não teve mais forças para empatar e o Barcelona se tornou bicampeão continental.
