Como o progresso da tecnologia tem afetado as pesquisas no decorrer do tempo
Por Maria Clara Rebustini
A tecnologia é um ser em constante evolução na nossa sociedade atual, cada dia se adaptando às mudanças e exigências. Essas mudanças e constantes evoluções começam a demonstrar como cada geração utiliza as ferramentas de pesquisa durante os anos, dentro de sua zona de conforto.
No momento atual, onde tudo existe na palma da mão, os métodos de pesquisa e estudos mudam conforme as gerações, expondo como cada geração vivenciou uma mudança, na tecnologia que, influenciou em seus métodos de pesquisa. Essa evolução não mostra diferença apenas na área da pesquisa, mas também no cotidiano e costumes das pessoas.
As IAs sempre estiveram na internet, sendo cada vez mais integrada, e desenvolvida, ao longo das décadas de sua existência. Começando com seu uso em 1990, trazendo soluções práticas, como a melhoria dos sistemas de busca. Já no início dos anos 2000 foi usada para algoritmos, personalizando a experiência do usuário e otimizando a publicidade.
Em 2021 o lançamento da Siri popularizou as assistentes virtuais baseadas em IA para o grande público e, em 2022, a IA generativa, o tão usado Chat GPT tornou-se comercialmente viável e acessível, marcando enfim a mais recente explosão de popularidade da tecnologia na internet. Consequentemente, cada geração tem seus costumes perante as pesquisas
Cada geração tem seu nome e período de nascimento
Os baby boomers são pessoas nascidas entre 1946 e 1964. A geração X são pessoas de 1965 à 1980, os Millennials nascidos entre 1981 e 1996. A geração Z é entre 1997 à 2010 e a Geração Alfa nascidos a partir de 2010.
Cada geração, portanto, teve a sua primeira introdução à tecnologia, o que interfere em quais os hábitos de pesquisa das mesmas. Evolução essa que, para alguns, afeta mais do que ajuda.
O professor de filosofia e psicólogo Felipe Camargo, de 38 anos, explica que a evolução da internet deixa cada vez mais dinâmico e individualista. “Nos últimos dois anos percebo o impacto gigantesco da IA em praticamente tudo que fazemos na internet”.

Ele explica também que para os jovens, o contato com essa evolução é mais intenso. “Os jovens têm uma sociabilidade completamente diferente da minha geração, por exemplo”. Para ele, “é impossível não ver o impacto dos smartphones tanto na saúde mental quanto nas formas que as amizades e convívios são construídas”, acrescenta.
Sobre a mudança nos mecanismos de pesquisa, Felipe relata que “antes das ferramentas chatbots popularizarem, digamos que as pesquisas eram bem superficiais”.
Ele explica que “o próprio Google tem alterado sua ferramenta de pesquisa para incorporar a IA em suas respostas”. Fala também que “muitos jovens não recorrem mais ao Google, vão direto ao Chat GPT e outros chatbots de pesquisa”. Felipe revela que “eles não têm noção de que modelos de linguagem geral como essas ferramentas, muitas vezes alucinam, criando respostas que não condizem com a realidade”.
Ele explica também que “o mundo tecnológico está em constante transformação, o que há dois anos era utilizado hoje já está ultrapassado”. Felipe diz diante dessas mudanças rápidas nos meios tecnológicos que “cada geração fica com sua zona de conforto, os mais idosos por exemplo, talvez busquem pesquisas sistemáticas, mas a galera mais jovem já incorpora automaticamente o uso de chatbots”.
Já para Daniel Fernando Garcia, de 39 anos, professor de matemática, a tecnologia surgiu para suprir as necessidades e hábitos de cada geração.“As gerações mais antigas tiveram o acesso mais limitado a informações básicas e praticamente tiveram contato com aplicativos restritos a comunicação e busca simples”, afirma.

Ele explica também sobre as gerações mais atuais. “Agora as mais atuais já nasceram e cresceram em um ambiente digital com acesso à internet móvel, aplicativos integrados e acessos a ferramentas de Inteligência Artificial”.
Ele fala que cada geração acaba pesquisando onde sente maior conforto para fazer isso.“Percebo que os mais jovens utilizam mais o celular, por exemplo, para pesquisas em geral de maneira rápida e até automática, usando ferramentas como o Google, TikTok e IA”.
Conta também que as gerações mais velhas continuam mais tradicionais. “Já nos mais velhos percebo certas dificuldades e até mesmo resistências no uso e manejo de certos meios de pesquisa. Utilizando de meios mais tradicionais como computadores, programas de TV informativos e muitas vezes perguntando a terceiros”.
Apesar de ser uma maior parcela da geração mais antiga que tem essas manias, Daniel diz não necessariamente ser uma regra. “Não que isso seja uma regra pois, também percebo que existem pessoas mais velhas que foram se reciclando tecnologicamente com o passar dos tempos”.Daniel fala que “é notório que cada geração pesquisa da forma que aprendeu. Jovens utilizam apps para tudo e preferem acessar coisas rápidas e em grande maioria visuais”.
Ele conta que as gerações mais intermediárias ainda são mais “raiz”.“As gerações compostas por adultos entre 25 a 35 anos ainda tem muita a utilização de um Google mais raiz e ainda assistem a vídeos mais longos no YouTube”, explica. “Porém as gerações mais antigas acabam não pesquisando sozinhos, recorrendo a ajuda de pessoas próximas como familiares”.
Ele relata que por ser um professor universitário e ter contato com uma maior porcentagem de jovens que já nasceram em um ambiente digital, esses tem atitudes diferentes. “No dia a dia esses jovens pegam o celular e pesquisam qualquer dúvida em segundos”, acrescenta. “Já os adultos e até pessoas mais idosas apenas recorrem às ferramentas de busca quando não tem uma opinião formada ou quando o assunto não faz parte da vivência deles”, finaliza.
Geração alfa
Anielly Cristina, de 14 anos, estudante do ensino fundamental, fala que teve uma grande evolução na tecnologia, diversas formas de se comunicar e pesquisar.

“O Google é muito utilizado, mas ultimamente vem crescendo as IAs, então agora também tem o famoso ChatGPT, Gemini e Luzia”. Ela conta também que “existem as pessoas que pesquisam no TikTok às vezes, assim como eu, ou no facebook e instagram, mesmo não sendo apps muito confiáveis”.
Diante disso, uma pesquisa feita pelo mLabs em parceria com a Conversion revela como diferentes faixas etárias se comportam nos diversos canais digitais. A geração Z é a mais conectada, com 67,2% utilizando o chatGPT. Os Millennials tem 58% de uso de IAs e a geração X com 47,5% utilizando IAs em suas buscas.
