Calouros da universidade se encontram em dificuldades devido à demora no processo seletivo para as bolsas socioeconômicas

Estudantes durante manifestação em frente ao GAC, campus de Bauru Foto: Emilyn Nagate

Por Emilyn Nagate

Os alunos ingressantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), no campus de Bauru, que se inscreveram para o processo seletivo de auxílio permanência, ainda se encontram na espera do resultado da seleção. Muitos calouros encontram desafios para continuar matriculados em seus cursos devido aos longos prazos da seletiva.

Segundo o STAEPE (Seção Técnica de Apoio ao Ensino), as bolsas dos auxílios socioeconômicos são disponibilizadas para o COPE (Coordenadoria de Permanência) pela reitoria e tem como objetivo atender os estudantes que se encontram em situações de vulnerabilidade financeira, garantindo que eles tenham meios para se sustentar e permanecer na universidade.

Entretanto, com as poucas assistentes sociais contratadas para a análise de documentos, renovação da solicitação dos veteranos e avaliação da situação social de cada solicitação nova, os prazos do processo se tornam longos e acabam por prejudicar o estudante.

Diversos calouros enfrentam a realidade de ter que deixar sua cidade de origem para morar em Bauru e conseguir estudar na UNESP, e precisam arcar com despesas para a mudança e instalação, além de que muitos não possuem uma rede de apoio estruturada, passando por problemas financeiros logo nos primeiros meses.

Para a caloura de Jornalismo Jéssica Loredo, “não ter esse auxílio logo de cara para conseguir ir para a faculdade e se manter lá durante esses primeiros meses, é um absurdo. Nesses três primeiros meses, eu tenho que tirar dinheiro de onde não tem para conseguir me manter”.

Jéssica explica que essa situação afeta diretamente seu psicológico e atrapalha sua vida acadêmica. “Tem sido uma preocupação muito grande. Essa semana que eu tenho que pagar meu aluguel, eu tenho ficado muito preocupada porque se eu não conseguir pagar meu aluguel agora vou ter que trancar o curso. Então, eu tenho tentado maneiras de conseguir dinheiro, mas não tem funcionado”.

A caloura diz ainda que não tem tido “muita motivação para estudar, para fazer as coisas que deveria estar fazendo, porque eu não sei nem como eu vou estar amanhã”.

Quem compartilha da mesma opinião é Alex Iarossi, outro ingressante no curso de Jornalismo que também está na espera do processo seletivo.

“Tudo é parte de um ciclo, porque demora para sair a permanência, aí eu tenho que achar um jeito de me bancar, aí eu começo a trabalhar num serviço de tempo integral e não consigo me dedicar 100% à faculdade, enquanto colegas de turma que tem o dia inteiro livre conseguem conciliar a faculdade com a vida”.

O CEUB (Conselho Estudantil da Unesp Bauru), juntamente com o Movimento Estudantil, está realizando reuniões e manifestações para reivindicar a contratação de mais assistentes sociais visando agilizar o processo para a liberação dos auxílios socioeconômicos, bem como reclamar os demais direitos que estão sendo negados aos estudantes da instituição.

Militante do Movimento Correnteza durante preparação para manifestação Foto: Emilyn Nagate

Até a data atual, o processo seletivo dos veteranos já foi encerrado e a situação de alguns calouros avançou na seletiva, enquanto alguns estão na mesma etapa desde quando enviaram seus documentos. Segundo o cronograma disponibilizado no site do SISCOPE, as assistentes sociais ainda estão dentro dos prazos estabelecidos e a equipe tem até o fim de abril para divulgar um resultado preliminar da seletiva dos ingressantes.

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