A piloto conquistou pontos valiosos para a disputa do campeonato da categoria de base exclusivamente feminina de automobilismo
Por Helena Singillo
O GP de Jedá da F1 Academy, realizado no último domingo (20) na Arábia Saudita, teve Maya Weug como vencedora. Mesmo tendo recebido a bandeira quadriculada primeiro, Chloe Chambers foi punida pela direção da prova e ficou com o segundo lugar.
A corrida principal foi acirrada e cheia de ultrapassagens. A neerlandesa Maya Weug (Ferrari) conquistou sua primeira vitória da temporada e assumiu a liderança da competição.
Ainda é cedo, mas com a conclusão de quatro das 14 corridas do calendário, a disputa pelo campeonato parece ser entre Weug, Doriane Pin (Mercedes) e Chloe Chambers (Red Bull Racing). As três pilotos tiveram tempos parecidos tanto na China quanto na Arábia Saudita e aparecem nas três primeiras classificações, com uma diferença de 7 e 12 pontos, respectivamente, para a líder Weug.
A principal prova do final de semana começou com a maior temperatura da pista até então, o que dificultava o trabalho das pilotos para controlar o uso e desgaste dos pneus. Dada a largada, Weug ultrapassou Pin pelo lado de fora da curva 1 em um movimento perfeitamente executado, ficando em segundo lugar. Mais atrás no grid, a brasileira Rafaela Ferreira recebeu uma punição de 10s após colidir com Felbermayr e fazer a piloto rodar.
Na segunda e terceira volta, Weug travou uma batalha árdua com Chambers pelo 1° lugar e as duas trocaram ultrapassagens precisas durante esse período. No entanto, após uma tentativa, Weug foi empurrada para fora da pista pela piloto da Red Bull e caiu para 3° lugar, atrás de Pin. Sem perder a confiança, na volta 4 Weug atacou Pin na 1° curva do circuito e recuperou a segunda colocação.
Após investigação, Chambers recebeu uma punição de 5s e ela desceria da primeira para a quinta posição, atrás de Weug, Pin e Palmowski. Sem alternativas, a piloto RBR focou em construir um maior intervalo de tempo entre as competidoras para não perder tantas posições.
Com o andamento da corrida, Weug e Pin não tornaram fácil a tarefa de Chambers, seguindo a líder e tentando diminuir a brecha de tempo. A disputa foi milimétrica e, em um esforço impressionante, a piloto RBR manteve 5.01s de distância para Pin, cruzou a linha de chegada primeiro e, mesmo com a punição, garantiu a segunda colocação.
A brasileira Rafaela Ferreira (Racing Bulls) terminou a corrida em 8° e ganharia seus primeiros pontos se não tivesse sido punida com 10s, o que a fez cair para a 13° posição. Aurélia Nobels (Puma) também ficou de fora da zona de pontuação pois terminou em 11°.
No resto do final de semana, Weug teve bom desempenho e conseguiu mais 8 pontos ao ficar em segundo lugar na corrida de Sábado, atrás da vencedora Ella Lloyd (McLaren).
Conheça a F1 Academy
Em 2025, a F1 Academy passou por mudanças para gerar mais competitividade no grid e mais interesse no público. A categoria introduziu o grid invertido na primeira corrida do fim de semana, com as oito primeiras colocações reversas. E também consolidou a dinâmica de pilotos Wild Card — atletas do país-sede da etapa, convidadas a pilotar um carro durante o fim de semana —, formato testado em algumas corridas de 2024.
Nathalia Cesar, criadora do portal Womans Racing, que cobre a categoria no Brasil, acredita que o grid invertido fomenta a competição entre as atletas e torna o processo mais divertido. Sobre as Wild Cards, Nathália não tem uma opinião formada acerca de sua eficácia. “Elas acabam não tendo tanta interação com as outras meninas e equipes, mas é uma oportunidade para elas estarem nos holofotes em um final de semana”, comenta.

Nathalia Cesar em Interlagos. Foto: acervo pessoal
A categoria surgiu com o objetivo de inspirar mulheres dentro e fora das pistas e servir como base de treinamento para as pilotos. Nela, mulheres de 16 a 25 anos podem competir e cada piloto pode ficar até dois anos correndo, o que estimula a rotatividade.
Kelly Namy, diretora administrativa da Equipe PAC Baja, avalia a sua importância para a promoção de mulheres no esporte de motor: “A F1 Academy chegou para abrir portas. Ela reforça a necessidade de ter mais mulheres dentro de categorias e do automobilismo em geral”.
Ela também constata a maior participação feminina nas atividades universitárias de automobilismo e como a F1 Academy é influente para isso. “É muito interessante ver o crescimento de mulheres dentro dos projetos de extensão voltados ao automobilismo e também em cargos de liderança. Quando eu entrei, tinhamos mais mulheres no administrativo, hoje em dia, elas também estão mais em projetos e lidando diretamente com o carro”.

Kelly no carro da equipe PAC Baja. Foto: acervo pessoal
O Brasil na F1 Academy
O grid da competição possui duas brasileiras: a estreante Rafaela Ferreira e a veterana Aurélia Nobels.
Nobels está na sua segunda e última temporada. Ela competiu no ano inaugural da Fórmula 4 Brasileira e também participou das divisões espanhola, saudita e italiana da Fórmula 4. A piloto faz parte da Academia da Ferrari. “Ela já tinha uma bagagem das competições europeias. Já estava ambientada ao ritmo de viagens e treinos. Estou esperando mais dela nessa temporada”, avalia Nathalia.
Por outro lado, Rafaela Ferreira é estreante. Ela correu na Fórmula 4 Brasileira em 2024 e se tornou a primeira mulher a vencer uma prova, com três vitórias na temporada e terminou o campeonato em 4° lugar, com 222 pontos.
“É a primeira vez dela em uma competição internacional, tem muita coisa para se adaptar. A rotina tem muitas viagens que ela antes não fazia dentro do Brasil. Mas ela não tem só talento, tem qualidade e persistência, como foi na Fórmula 4, então vale a pena acompanhar”, observa Nathalia.
Kelly lamenta o pouco reconhecimento do público brasileiro pela competição. “Na Europa, elas têm mais notoriedade pelo cenário do automobilismo já construído lá, mas aqui o conhecimento é muito escasso, as pessoas não sabem o que é a gente ter duas pilotos numa categoria feminina internacional”, afirma.
Próxima corrida
Para o ano, Nathalia destaca Doriane Pin como candidata ao título. “Ela é consistente nas classificações e corridas, participava da Endurance e fez uma mudança radical. Ela tem vantagem por já ter bagagem profissional. Porém, ainda tem muita coisa pra acontecer ”, analisa.
Agora, a F1 Academy segue para Miami, nos Estados Unidos, para sua próxima etapa, do dia 2 a 4 de Maio.
