Doutoranda em Literatura Brasileira pela USP relata sobre sua volta à Unesp para o evento da Semana de Jornalismo e suas experiências durante sua trajetória profissional.

Por Alice Burégio e Marcela Calarezi

Mestre em Comunicação Midiática pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação pela Unesp, desenvolvedora de pesquisas com apoio da CAPES e da FAPESP e ganhadora do prêmio do edital ProAc em 2021 na categoria não ficção, a jornalista Tamiris Volcean retorna à Unesp para ministrar oficina durante a Semana de Jornalismo 2024.

Tamiris voltou à universidade para a realização de uma das oficinas do evento que tem como temática “Tradição e Transformação: 40 anos de Jornalismo Unesp”. Sua oficina teve como assunto principal a “Desinformação no contexto das eleições municipais”, e foi realizada na última quarta-feira (25).

A palestrante é formada em Jornalismo pela Unesp e conta com um currículo extenso. Com um mestrado em Comunicação Midiática e doutoranda em Literatura Brasileira pela USP, Tamiris é autora de três livros – “As pessoas que matamos ao longo da vida”, “Solidões Compartilhadas: pequenas histórias para incentivar mulheres a conquistarem o mundo” e “Mulheres assentadas: mães de todas as lutas” – e é co-fundadora e CEO da plataforma AletheiaFact.org. Além disso, carrega consigo uma trajetória profissional composta por diversas experiências e produções.

Volcean relata como foi a experiência de retornar à instituição e qual foi o sentimento de ser recebida por ex-colegas e professores. “Para mim esse sentimento de comunidade, de coletividade, ele é muito característico da Unesp. Toda vez que eu volto pra cá, isso fica muito evidente “, diz a profissional. Ela complementa expondo também seu sentimento em relação às amizades que construiu. “A coisa mais importante de todas não é a questão de fazer uma oficina, fazer um evento, é a manutenção desse sentimento de coletividade, dessa característica tão boa da Unesp: todos unidos na profissão e na vida acadêmica”, relatou.

A jornalista descreve como a universidade permitiu a ela o desenvolvimento do pensamento crítico e a construção do pensamento humanizado, isso a partir da perspectiva sociológica, antropológica e filosófica que a universidade oferece. Ela conta que tem “um grande sentimento de gratidão pela Unesp, da minha formação crítica e humana, com essa perspectiva consciente em relação aos problemas sociais, aos problemas que o jornalista trabalha, e que muitas vezes são banalizados por uma urgência de mercado. E a Unesp nos dá essa sensibilidade, essa empatia de perceber que o jornalista tem um papel social”.

Tamiris inicialmente ingressou no curso de Biologia, mas acabou percebendo que a sua verdadeira paixão era, de fato, a escrita. Seus pais, professores formados em Letras, a influenciaram a seguir a mesma carreira, mas Volcean diz que não tinha o desejo de seguir na docência, e sim na escrita. Neste momento, percebeu que o jornalismo a permitiria trabalhar nesta área. “O jornalismo, ele te permite contar histórias, não só ficcionais, mas histórias reais. E foi aí que eu decidi mudar de carreira”, disse a jornalista.

A vida profissional de Tamiris é dividida em duas vertentes: a checagem de fatos, tema de sua oficina na Semana de Jornalismo, e a literatura. Além de ser co-fundadora do AletheiaFact.org, plataforma de checagem de fatos, a jornalista também é autora de três livros que tratam sobre questões sociais.

Ao ser questionada sobre como é o processo de trabalhar com dois pilares tão diferentes entre si, Volcean cita o pedagogo Rubem Alves, ao dizer que a profissão é só um detalhe de quem um indivíduo é, que é necessário ser fiel aos desejos e às vontades. “Eu sou da turma do Rubem Alves, que pensa que a gente não pode ter uma única paixão. A gente tem várias, e eu acho que a gente pode alimentar todas elas sem descredibilizar e sem descaracterizar”, diz Tamiris. “Hoje eu venho aqui como líder da Aletheia, mas eu trouxe meus livros também, porque isso faz parte de mim. A princípio pode não fazer sentido, mas depois faz sentido, porque aquilo que você fala com entusiasmo faz parte de você”, explica.

Durante sua trajetória, Tamiris iniciou a escrita e a publicação de crônicas em sua conta na rede social Facebook. Logo, chamou a atenção de editores da empresa em que trabalhava, e, assim, conseguiu a publicação de seu primeiro livro. “Essa publicação me trouxe ainda mais fôlego, eu continuei escrevendo crônicas e fui amadurecendo a minha ideia de literatura. Eu me desloquei da comunicação porque eu percebi que a criação literária, seja ela ficcional ou não, para mim ela tem um papel muito mais de construção emocional do que técnica” contou.

Em seus livros, Tamiris traz com frequência questões sociais. Nas obras “Mulheres Assentadas” e “Solidões Compartilhadas”, relata suas vivências e vivências de outras mulheres diariamente, em relação ao machismo, opressão e medo que as atingem. Volcean menciona que no início se sentia mais confortável em escrever a partir de suas experiências, mas com o tempo, passou a escrever a partir da perspectiva do outro. “A gente  só consegue exercitar a empatia na questão social se a gente se abre e se dispõe a conhecer o mundo do outro”, disse a profissional.

Tamiris Volcean retornou à Unesp para ministrar a oficina “Desinformação no contexto das eleições municipais” durante a Semana de Jornalismo de 2024. O evento ocorre até a sexta-feira (27), com mesa de encerramento às 19h30min do mesmo dia.

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