Por Marcela Jardim

A 27ª Bienal do Livro reuniu mais de 722 mil visitantes durante os dez dias de evento, com 1500 horas de programação, contando com palestras, apresentações e sessões de autógrafos. Os grandes destaques foram autoras internacionais como Brittainy Cherry (Eleanor e Grey; O ar que ele respira), Lynn Painter (Melhor do que nos filmes) e Hannah Nicole Maehrer (Assistente do vilão), além de famosas editoras como Intrínseca, Arqueiro e Galera Record, por exemplo. Porém, além dessas grandes escritoras e editoras, as autoras independentes também tiveram grande visibilidade no decorrer da convenção.

Durante a palestra realizada no estande da Amazon KDP, intitulada de “O ponto G literário: explorando o universo da literatura erótica e seus leitores”, Nàna Páuvoli, Bruna Pallazzo, Cinthia Basso e Ary Nascimento debateram sobre o mercado editorial, preconceitos enfrentados e suas leitoras. A mediação foi da escritora Lola Belluci.

Estande da Amazon durante a palestra O ponto G literário (Foto: Marcela Jardim)

A autora do best-seller Uma farsa com benefícios, Bruna Pallazzo, afirmou que as escritoras de romances eróticos fazem entrevistas e pesquisas para escrever seus personagens e cenas íntimas para surpreender e não ficar no “mais do mesmo”. Ao contrário do que muitos pensam, a escrita desse gênero literário é complexa e planejada como qualquer outra.

“Se não tivesse história, já seria pornografia. Meus personagens tem história”, declarou Nàna Páuvoli, autora com livros publicados pelas editoras Planeta e Rocco. Além disso, a escritora compartilhou com o público o choque das pessoas ao seu redor quando publicou seu primeiro livro, A coleira. “Foi um choque generalizado com o que eu escrevo, até mesmo meu marido. Um casamento de 19 anos acabou porque eu escrevia contos eróticos”, conta.

Já Bruna, por outro lado, não enfrentou tantos percalços quanto ao gênero que escreve. “Eu faço parte de editoras que publicam só o nicho que eu escrevo, então minha superação foi encontrar meu lugar no mundo. Eu, pelo menos, como escritora, não fiquei batendo na porta para as pessoas me aceitarem, eu achei a porta que estava aberta para mim”. Infelizmente, os romances eróticos são mal vistos por muitas pessoas e as autoras desse nicho sofrem o dobro de dificuldades de escritores independentes de outros estilos literários.

Nina Queiroz, autora de Todos os meus pecados também comentou sobre a discriminação na sua área de escrita. “O apoio vem de dentro do próprio nicho. No começo, fiquei muito receosa. Afinal, quem não ficaria? Muitas pessoas ainda possuem a mente fechada e acreditam que livros com esse tipo de conteúdo não passam de ‘pornografia escrita’ ou ‘lixo’. No entanto, foi com o apoio de outras autoras e das minhas próprias leitoras, que me permiti deixar as algemas do preconceito de lado e me ver livre para explorar minha imaginação, sem me importar com as críticas”.

Mesmo com todas essas dificuldades, as escritoras independentes conquistaram muito nessa Bienal, além de ajudar muito na divulgação das obras, como contou a autora de Incipt, livro viral nas redes sociais, Leonor Carvalho. “Sou uma autora independente que trabalha com e-books, então as estratégias de divulgação são muito diferentes em comparação a um autor que trabalha com livros físicos. Mas acho que converge muito na parte de divulgar nas redes sociais, no senso de comunidade, como se criasse uma família porque dá espaço para os leitores quererem falar sobre os meus livros e, por consequência, divulgarem também”. A escritora portuguesa afirmou também que não imaginava que alcançaria tantas pessoas e que pudesse monetizar com seus livros.

“O que mais funciona para mim, é a instigação da curiosidade constante nos leitores. Como por exemplo: Eu faço inúmeras ilustrações com cenas que chamarão atenção, os posts feitos pela designer são todos pensados de uma forma que atiçe a vontade de ler e até os vídeos divulgados no tráfego são de cenas que despertarão a verdadeira curiosidade em saber o que vem a seguir”, completou Nina sobre as estratégias de marketing para suas obras.

A conexão leitor-autor é o ponto alto do evento. As escritoras conseguem visualizar, pelo menos uma parte, da dimensão de pessoas que acompanham suas histórias e apoiam seu trabalho. “A Bienal é o momento em que eu, como autora e também leitora, posso me conectar às pessoas maravilhosas que o meio literário me trouxe. Seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro, sempre são momentos únicos e especiais”, declarou a autora do best-seller Geek, Camila Cocenza.

O Kindle Direct Publishing, ferramenta de e-books da Amazon, foi a porta de entrada de muitos escritores de todos os gêneros, possibilitando que viver da escrita deixasse de ser um sonho e se tornasse real, sem depender de contratos com grandes editoras.

Estande da Amazon (Divulgação: Bienal do Livro)

“Todo o processo é muito complicado já que na maioria das vezes não temos pessoas nos direcionando no que fazer e acabamos aprendendo com nossos erros, mas hoje, apesar de precisarmos aprender a cotar o livro com as gráficas, criar um site de vendas, diagramar, definir preços acessíveis e encontrar o melhor método de envio, o mais complicado mesmo é despertar no leitor o desejo de compra”, relatou Camila sobre o impasse de publicar um livro físico.

Mesmo com todas essas questões, pequenas editoras viram a oportunidade de expansão no nicho de escritores independentes, como é o caso da Unicorn Books e Fruto Proibido. Ambas chamaram muita atenção durante a Bienal pelo contato direto com as autoras de dezenas de livros, contando com diversas sessões de autógrafos.

Editoras menores, geralmente, focam em gêneros específicos para publicar, facilitando para autores autônomos encontrarem seu lugar. Além disso, a editora também ajuda a realizar o sonho de várias autoras de ter algum de seus e-books em livros físicos. Porém, por ser uma empresa menor, o preço dos exemplares é maior do que de grandes marcas já estabelecidas no mercado editorial.

Os estandes das duas editoras contaram com grandes filas e até mesmo o fechamento dela em um dos dias do evento. Tudo isso ocorreu porque a autora Kelly M, criadora de Desenfreados, um dos livros mais vendidos do Kindle, trouxe o modelo e ator austríaco Erand Arifi, intérprete do personagem principal de seu romance, Kellan Royal. O alvoroço dos fãs dificultou a circulação de pessoas e foi preciso fechar o estande da editora Fruto Proibido.

Estande da Unicorn Books (Divulgação: Bienal do Livro)

Mesmo com altos e baixos, é um fato que as autoras independentes de romances eróticos estão crescendo cada vez mais e conquistando seu espaço, assim como jovens editoras. E que a Bienal do Livro é um evento muito importante para estabelecer a conexão entre os escritores e leitores de todo o Brasil.

Contato das autoras independentes citadas:

Bruna Pallazzo

Obras: “Nossas Primeiras Últimas Vezes”, “A Composição das Nossas Mentiras”, “Uma Farsa Com Benefícios”;

Instagram: @autorabpallazzo;

Nàna Páuvoli

Obras: “Redenção de um cafajeste”, “Nos Braços do Pecado”, “Chantagem”;

Instagram: @nanapauvolih;

Cinthia Basso

Obras: “Enlouquecendo o Magnata”, “Roube meu império”, “Esse canalha é meu”;

Instagram: @autoracinthiabasso;

Ary Nascimento

Obras: “Sob o olhar do mafioso: Máfia Nova Iorque”, “A filha proibida do mafioso”, “Irresistível para o mafioso”;

Instagram: @arynascimento.oficial;

Lola Belluci

Obras: “Irresistível Desejo: a tentação do viúvo”, “Contrato de prazer”, “Manual do clichê imperfeito”;

Instagram: @lola.belluci.autora;

Nina Queiroz

Obras: “Um Casamento Surpresa”, “Todos os meus pecados”, “Até Você Ser Minha”;

Instagram: @ninaqueirozautora;

Leonor Carvalho

Obras: “Modus Operandi”, “Incipt”, “Oblívio”;

Instagram: @autoraleonorcvc;

Camila Cocenza

Obras: “Plano de Jogo”, “Geek”, “Não se apaixone”;

Instagram: @camilacocenza_autora;

Kelly M

Obras: “Sweet Lie”, “Desenfreados”;

Instagram: @autorakellym;

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