Lucas Martins Néia durante sua apresentação no XVII Congresso da Alaic

Texto e foto de Sarah Galindo

Bauru, 21/08/2024. Durante o período ditatorial (1964-1985) muitas violações e abusos contra os direitos humanos foram permitidos. Essas experiências traumáticas, até hoje, são usadas nas produções audiovisuais brasileiras.

Este ano, a Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação (ALAIC) trouxe à UNESP Bauru seu XVII Congresso. Neste evento, existem vários Grupos Temáticos (GT’s) e Grupos de Interesse (GI’s), que trabalham em torno do tema “desinformação, automação e democracia: os desafios da Comunicação”.

O GT 22 focou nos “Estúdios de Televisão e Streamings” e trouxe o Doutor em Ciências da Comunicação, Lucas Martins Néia, para comentar sua pesquisa intitulada “A Ditadura Militar na ficção televisiva brasileira: abordagens e lacunas”. 

Lucas começou sua apresentação ressaltando que durante o período militar existia um apoio maciço das empresas de comunicação, principalmente pelo fator financeiro, e deixou claro que as redes que não sinalizavam a favor dos militares sofriam um corte brutal das verbas, corte este que chegou até a levar algumas emissoras à falência.

O Ato Institucional nº5, de 1968, foi a norma legal mais rígida implantada durante o regime militar e, por conta disso, até as artes tiveram limites impostos. “A partir do AI-5 nós temos a atividade cultural ficando quase impraticável nos teatros/cinemas”, disse Lucas. 

Mas mesmo nesse ambiente de censura sobre as temáticas das telenovelas, elas estavam se aproximando cada vez mais da realidade do país e faziam, de modo muito sutil, alusões à repressão que acontecia no Regime.
Após a redemocratização, com mais liberdade para fazer os roteiros da teledramaturgia, algumas emissoras, como a Rede Globo e o SBT, acabaram usando os anos de repressão como cenário para suas novelas. “A TV aberta trouxe uma discussão mais ampla de algumas questões, notadamente também nas telenovelas”, explicou Lucas.
O comunicador ainda pontuou que levar questões atuais para as produções é um padrão brasileiro. “Pensando nas novelas como um espaço de discussão de brasilidades, de temas que são importantes para o país, os debates tornaram-se um marco da teledramaturgia”, afirmou.

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