Por Beatriz De Almeida

Começou nesta segunda-feira (20), no campo de Suzanne-Lenglen, em Paris, as partidas classificatórias para a edição Roland-Garros de 2024. Tenistas de todas as nacionalidades disputam o prêmio do maior torneio de tênis do mundo, que é o principal campeonato em quadra de saibro, conhecido pela sua “vermelhidão”.

O tênis é iniciado com o primeiro saque sendo lançado no fundo da linha de quadra e atingindo, no lado adversário, um dos quadrados à frente da rede e, assim, o jogo se estende com a bola podendo ser rebatida após o quique ao chão, ou ainda com ela no ar. No caso de duplas no campo, o espaço da quadra ganha um corredor lateral, aumentando a zona para rebater a bola. Desta forma, o objetivo principal do esporte é fazer com que a bola atinja o lado adversário, respeitando as linhas de marcação após ultrapassar a rede e não ser rebatida.

Os jogos em uma quadra de piso de saibro são diferentes, as regras se mantêm, mas a forma de lidar com a bola e a raquete mudam. A quadra desacelera a bola e aumenta sua altura, assim, o piso de saibro tira vantagem de tenistas que desfrutam de saques. 

A representação do Brasil no evento estará nas mãos de Beatriz Haddad e Thiago Wild que já estão com as vagas garantidas, mas outros como Thiago Monteiro, Felipe Meligeni, Gustavo Heide e Laura Pigossi ainda disputam por uma classificatória. Atrelando o esporte a atletas brasileiros, em um bairro na zona norte do Rio de Janeiro, o tênis foi capaz de mudar realidades.

Para o jornal Contexto, um professor de educação física explicou como começou a praticar o esporte e ensinar seus alunos. Em um projeto social destinado a profissionais da área de saúde que estavam na linha de frente no combate a Covid 19, durante a pandemia, estava em aberto vagas para profissionais da área da educação física. Assim, Ruan Melo, 29, professor e idealizador do projeto Favela Tênis&Cultura, começou sua prática no esporte, a partir de uma oportunidade de forma gratuita na faculdade.

Após terminar sua graduação, Ruan percebeu que precisava de um espaço dentro de sua comunidade para que ele pudesse praticar e que, da mesma forma que ele gostava do esporte, outras pessoas também poderiam gostar. E, dessa forma, surgiu a ideia de iniciar as aulas de tênis dentro do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

“No primeiro momento foi mais um bate-bola, então pintamos as marcações na quadra da Vila Olímpica e nisso as crianças chegaram, observaram a gente batendo bola e pediram para experimentar, para poder tentar jogar. E aí começam nossos primeiros alunos e nossos treinos”, conta o professor.

Ruan destaca quais as maiores conquistas que o projeto alcançou em sua visão, que se relaciona com a mudança do comportamento dos participantes do Favela Tênis, esses que no auge do projeto, já chegaram ao número de 70 alunos. “No início, eram crianças muito dispersas, muito distintas do grupo. Então, com os ensinamentos do tênis e a nossa metodologia, as crianças passaram a se respeitarem mais e a se aceitar”, adiciona.

O projeto atualmente está sem aulas por conta de reformas no local de treinamento, e nesse meio tempo, Mickelly Fernandes, 17, conta como reproduz as aulas nos tempos de distração. “A gente tem uma mini rede e sempre que temos um tempo livre, jogamos em uma quadra que tem aqui perto, a adaptamos”.

Mesmo sem uma previsão de retorno das aulas, os alunos se mostraram confiantes com tudo que aprenderam no esporte e com o que vão levar para a vida. “Aprendi que nunca perco, ou ganho ou aprendo”, diz o aluno Luiz Filipe, 20.

Sendo considerado um esporte de elite por conta das necessidades de quadras equipadas, roupas, calçados e raquetes especiais, o tênis tem ganhado popularidade no país e hoje está entre os 10 mais praticados.

Para os alunos do Favela Tênis, o projeto social é uma forma de aproximá-los de um esporte que possui alcance global, mesmo sendo moradores de uma região de periferia.

O torneio Roland-Garros acontecerá de 20 de maio a 9 de junho e sua cobertura exclusiva pode ser acompanhada através da Prime Video, ESPN e pela Eurosport, caso o telespectador esteja fora da França. Os vencedores do torneio receberão uma premiação de 2,56 milhões de dólares, quase 5% a mais que Novak Djokovic e Iga Swiatek, os vencedores do ano passado.

Fundado em 1891, o campeonato se representa como um dos Grand Slam, ou seja, “ A Grande Sequência”, que é a junção de todas as grandes premiações do tênis, que se configuram ao Australian Open, US Open, Roland Garros, Wimbledon e Aberto da Austrália.

(Foto: @favelatenis)

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