Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais, conta com parceira alemã no projeto que irá produzir o recurso renovável, fundamental para a diminuição da emissão de gases poluentes na atmosfera
Por Letícia Barros

Sede do Centro de Pesquisa de Hidrogênio Verde, em Itajubá (Foto: Moysés Barros Silva)
O Centro de Hidrogênio Verde (CH2V) na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Itajubá, MG, foi criado a fim de pesquisar sobre esse recurso energético, conhecido como “combustível do futuro” e que colabora para a descarbonização do planeta.
O hidrogênio verde se diferencia do hidrogênio cinza ao ser produzido a partir de fontes de energia renováveis, como a solar, que é o caso do CH2V. Ele pode ser obtido através da eletrólise da água.
No Brasil, o recurso ainda é muito pouco explorado, o que faz desse centro um precursor no assunto. Dentre as razões para isso, estão as dificuldades de armazenamento e logística de distribuição, devido à necessidade, por exemplo, de redes de dutos para seu transporte.
Além disso, a viabilidade financeira também é um empecilho quando se fala nesse vetor energético, por conta dos altos custos de produção em comparação a outras fontes de energia, como o hidrogênio cinza (obtido com o uso de fontes de energia poluentes).
“A expectativa é que a diferença entre os valores dos hidrogênios cinza e verde deva deixar de existir até 2030 em decorrência de economia de escala para os eletrolisadores e a redução cada vez mais do custo de energia elétrica”, explica o coordenador do CH2V e professor da UNIFEI, Jamil Haddad.
Sobre o projeto
O projeto foi consolidado a partir de uma parceria entre a Universidade de Itajubá e a FAPEPE- Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão de Itajubá, graças ao apoio do H2 Brasil, que integra a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e é implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, em colaboração com o Ministério de Minas e Energia e financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento. Essa parceria tem o objetivo de apoiar o aprimoramento da expansão do mercado de hidrogênio verde no país.
A primeira etapa da iniciativa foi a construção da edificação, que possui aproximadamente 800m², e será utilizada por instituições e empresas interessadas no desenvolvimento de estudos e projetos de pesquisa acerca do uso do combustível. Essa parte já foi concluída em setembro de 2023.
A segunda etapa será finalizada em maio desse ano e se tornará o sistema de produção e armazenamento de hidrogênio do centro de pesquisa. Ele será produzido na pressão de 30 bar, e levando em conta seu armazenamento e a possibilidade de abastecer veículos utilizando esse combustível, serão empregados compressores de membrana para elevar essa pressão até 900 bar.
O CH2V possui como um de seus objetivos o estabelecimento de colaborações com instituições de ensino e empresas interessadas no elemento, especialmente as do setor industrial (fabricantes de fertilizantes, siderúrgicas, indústria química) e as interessadas no uso energético do hidrogênio (indústria automotiva, fabricantes de motores e grupos geradores), a fim de promover a troca de experiências e aprendizado, geração de conhecimento e a formação de profissionais qualificados na área.
“Quando o CH2V estiver operando, pretende-se criar cursos para estudantes em nível de graduação e de pós-graduação, e cursos abertos de especialização, sobre aspectos gerais e tópicos específicos em Geração e Uso de Hidrogênio, com formato híbrido, quando cabível incorporando a análise de experiências práticas no CH2V. (…) Pretende-se envolver não apenas os alunos da UNIFEI, mas também a comunidade interessada e outras universidades”, comenta o professor Jamil.
Ao ser perguntado se o futuro do carbono neutro é realmente possível, Jamil afirma que o planeta depende disso. “Acho que todos devemos trabalhar e agir, buscando contribuir para que essa meta seja alcançada, mesmo que as dificuldades e obstáculos, por vezes, possam nos desanimar. Mas, este futuro é na realidade, o futuro para a sobrevivência do nosso planeta e da nossa espécie”.

Colaboradores da iniciativa (Foto: Moysés Barros Silva)
