Por Vinicius araujo silva

Cidades que tem como principal atrativo universidades são chamadas de cidades universitárias. Bauru é conhecida por ser uma grande cidade universitária, contendo grandes instituições como a Universidade Estadual Júlio Mesquita (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) entre outras. Porém, uma mudança radical se mostrou presente nos últimos anos, há uma procura muito maior de apartamentos do que por repúblicas por parte dos estudantes.
“Antes metade da sala era de república”, disse Luis Antonio, estudante de engenharia da Unesp. “Existiam muito mais repúblicas, existia república só de engenharia mecânica, só de engenharia civil, de jornal. Mas nem todas aguentaram passar pela pandemia, como quase não se ficava nas repúblicas, as pessoas foram saindo e o aluguel acabou ficando insustentável”.
As repúblicas restantes, que antes eram divididas por curso, agora não tinham mais esse requisito, a pandemia prejudicou o processo de entrada de novos calouros na faculdade e consequentemente nas repúblicas, essa escassez de novos alunos fez com que ocorresse a entrada de calouros de diversos cursos.
A turma de calouros de 2024 tem em sua maioria estudantes que são de fora de Bauru, e optaram por morar em apartamento, mesmo o valor sendo mais alto. Ao serem perguntados sobre o motivo da escolha, o motivo mais recorrente é a privacidade oferecida, quase como se a diferença do preço fosse o valor da privacidade.
Já para os moradores novos de república, como o Guilherme “além de o aluguel ser mais barato, você cria uma relação de pertencimento a um grupo, as pessoas se ajudam, principalmente para quem chega a uma nova cidade, as pessoas se ajudam”.
No entanto, a diminuição da entrada de calouros em repúblicas ocorreu não só porque a pandemia da covid aconteceu ou por conta da privacidade, mas também por conta dos famosos trotes.
“Tudo tem um limite para brincadeira, quando passa desse limite, acredito não ser legal para nenhuma parte, principalmente para os familiares que não estão aqui conosco para ajudar, mesmo que somos maiores de idade e responsáveis por nós mesmos”, afirma Pedro, estudante de engenharia da Unesp, que morou em república e se mudou para apartamento, ao ser perguntado sobre o motivo da troca.
Com relação aos trotes, mesmo ainda sendo recorrentes, também perderam força. “Hoje em dia são bem mais tranquilos que antigamente”, diz Bruno, estudante de jornalismo da Unesp e morador de república desde 2022.
Porém, mesmo sendo mais leves, ainda preocupam. Tendo em vista acidentes recentes como a morte do jovem calouro no final do mês de março, a liga das repúblicas em reunião decidiu por um protocolo de redução de riscos, que consiste em ter doces, águas e bombeiros nas festas.
