Por Vitor cocito
Em uma sequência de dois jogos emocionantes, Palmeiras e Santos se enfrentaram em busca do título, apesar dos clubes viverem momentos diferentes. O time da capital paulista e o time do litoral protagonizaram a final mais disputada dos últimos três anos. Com um primeiro jogo duro na Vila Belmiro que terminou em 1 a 0 para a equipe da casa e outro jogo com muitas chances para as duas equipes na casa do verdão, que venceu por 2 a 0, no Allianz Parque em São Paulo.
O primeiro jogo
Em Santos, o Palmeiras teve uma chance de abrir o placar logo aos quatro minutos do primeiro tempo com um passe de Endrick para Flaco Lopez, que chutou em cima do goleiro João Paulo. O jogo seguiu sem muitas emoções até o início do segundo tempo. Aos quarenta e sete minutos, o alvinegro praiano abre a conta com um gol de cabeça de Otero, que cabeceia para o chão e deixa o goleiro do verdão sem reação, em um lance originado no cruzamento certeiro de Guilherme pela esquerda.
Após o gol, ambas as equipes seguiram jogando de forma reativa e tiveram chances de alterarem o placar. A chegada mais perigosa foi a do Palmeiras com Rony, aos setenta e oito minutos, que chutou no canto para mais uma defesa do goleiro do peixe, que voltaria a segurar a vitória em mais uma defesa no final do jogo impedindo um gol contra do time da casa.
O segundo jogo
Em São Paulo, o Palmeiras tinha a difícil tarefa de virar mais uma final. Porém, foi o Santos que começou o jogo fazendo pressão e, aos cinco minutos, Weverton defendeu um belo chute de fora da área de Pituca. Pouco tempo após esse susto, o time da casa chegou com perigo com um cruzamento de Piquerez que passou por Flaco e Veiga, que ajeitou a bola para o chute potente de Mayke. Porém, muito bem-posicionado, o zagueiro Gil salvou o Santos tirando esse chute com a cabeça.
O primeiro gol do Palmeiras saiu em um lance polêmico, no qual Endrick sofreu uma falta dentro da área e após a interferência do VAR, o árbitro Raphael Claus marcou pênalti para o verdão. Veiga foi para a cobrança e bateu com força no meio, começando ali mais uma virada.
O jogo seguiu com chances para os dois times, com o lance mais perigoso sendo um chute de Otero que foi salvo em cima da linha pelo lateral Mayke. O gol da virada do Palmeiras veio em uma jogada que se inicia no roubo de bola do Endrick, um lindo corte de Piquerez que cruza a bola na área e Flaco ajeita de cabeça para Aníbal Moreno marcar, levando a torcida à loucura. O jogo ainda seguiu com mais chances para os dois lados até o apito final, que confirmou mais uma vez o título para o Palmeiras.
Em entrevista, Rodrigo César Castro Cabral, ou Rodriguinho, campeão brasileiro com o Athletico Paranaense em 2001, campeão paulista com a equipe do Santos em 2010 entre outros títulos, avaliou a trajetória do Palmeiras até a taça, virando uma final pela terceira vez consecutiva.
“O Palmeiras hoje tem uma forma consolidada de jogar, sabe jogar final. É um time com uma comissão técnica que passa confiança”, afirmou Rodriguinho.
O craque também comentou os reforços dos times: “as equipes estão em cenários distintos, com o Santos jogando a Série B naturalmente o aporte financeiro diminui, mesmo assim conseguiu trazer algumas contratações de expressão, já o Palmeiras trás peças pontuais com mais grife. Além disso, a diferença nos calendários dos times também tem influência no mercado, pois o Santos tem um calendário pobre enquanto o Palmeiras disputa várias competições”.
Sobre o desempenho dos finalistas nos dois jogos da final, o ex-jogador explicou que “o Santos na Vila preponderou, com mais chances no primeiro jogo e esteve mais próximo da vitória. Os dois times jogaram um jogo reativo pouco focado na posse de bola, o jogo foi o que eu considero uma “trocação franca”, porém cautelosa”.
Ele explica também que, no jogo de volta, a euforia da torcida palmeirense, aliada a toda a estrutura do clube, ao histórico na competição e as recentes viradas, empurrou o time. “Mas até o pênalti, o jogo foi equilibrado, o Palmeiras conseguiu jogar melhor e ter mais chances depois da virada”, disse o ex-jogador, atualmente técnico do time sub-20 da Associação Atlética Flamengo de Guarulhos.
Por fim, o atleta comentou sobre o que esperar desses times ao longo do ano: “o Palmeiras continua com cada vez mais fome de títulos, com toda a estrutura e a boa gestão de Leila Pereira, que veste a camisa e proporciona altos investimentos ao clube. É um time que não baixa a guarda e está cada vez mais forte, acredito que no campeonato brasileiro irá terminar entre os três primeiros e é favorito em competições sul-americanas, precisa manter o elenco após a saída de Endrick”.
Com relação ao Santos, ele afirma que o time “tem fome para esse ano, com a camisa pesada e por tudo o que ela representa. O Santos também tem um calendário mais confortável pela frente, o que é atípico, será um ano tranquilo se manter a base do elenco formado por Carille e se permanecer ativo no mercado irá obter êxito”.
