Torcidas organizadas do Corinthians realizam ações sociais na capital e no interior de São Paulo
Por Higino Diego Carvalho
Torcidas organizadas do Corinthians, da capital e de Bauru, realizam projetos e ações sociais em comunidades carentes, e mostram que a vida de torcedor não se resume aos jogos e a presença nas arquibancadas. Um exemplo vem da Fiel Macabra, agremiação de torcedores sediada em Bauru, e com mais de 30 anos de existência. Mayara Fernandes, responsável pelo departamento social da torcida, explica os tipos de ação que vêm sendo realizadas.
“Fazemos Festas Juninas, Dia das Crianças, Natal. Nós fazemos também campanha do agasalho e distribuição de marmitas praticamente mensalmente. A gente mesmo cozinha. Fazemos tudo aqui”, afirma.
Mayara explica que algumas das ações realizadas fora da sede, como a entrega de marmitas ou agasalhos, são realizadas com frequência em bairros com vulnerabilidade social, como o Fortunato Rocha Lima e o Parque Jaraguá. “Só compartilhar no Instagram, só falar, não resolve. A fome tem pressa, eu mesma costumo falar que tem duas coisas que não esperam, que é a fome e o frio. E é por isso que nós sempre tentamos fazer essas ações com uma certa constância”.
Uma das atividades mais recentes do coletivo ocorreu no Jardim Ivone, na região norte de Bauru, onde foram distribuídas mais de 150 marmitas e cobertores para os moradores da comunidade.
“Foi um lugar que eu fiquei muito surpresa de maneira particular, eu Mayara, foi o lugar que eu mais me emocionei”, conta. “Quando nós chegamos lá para entregar tudo que tínhamos arrecadado, tinha uma fila imensa de pessoas, uma fila virando a esquina. Na hora, eu fiquei com medo de não ser o suficiente para todo mundo, mas graças a Deus foi, acabou que no final todo mundo foi embora com o seu cobertor e a sua marmita”, completou Mayara.
A torcedora também explicou que a realização das ações sociais da Fiel Macabra ocorre, em geral, com a participação dos próprios associados da organizada. Ocasionalmente, contam com alguns parceiros que colaboram com doações.
Mayara comenta que algumas dessas ações são direcionadas também para ajudar integrantes da própria torcida organizada. Doação de cesta básica, mobilização para doação de sangue são alguns exemplos destacados pela coordenadora. “E conforme a torcida vai crescendo, a gente vai podendo ajudar mais gente”, diz.
Capital
Na capital paulista, a Gaviões da Fiel – maior torcida organizada do Corinthians, com mais de 140 mil associados – também realiza ações em comunidades carentes.
“Nós realizamos várias ações: ações que são feitas na quadra (Páscoa e Dia das Crianças), Natal em algumas comunidades que são escolhidas antecipadamente. Tem o Viva leite – que é a entrega de leite para famílias pré cadastrada -, cestas básicas doadas pela prefeitura, entrega de marmitas e roupas aos sábados para moradores de diversas comunidades e moradores de rua, ações de ajuda a desastres naturais como alagamentos, desmoronamentos como ocorreu no litoral norte e sul de São Paulo, incêndios que ocorrem nas favelas”, explica Paulo Julien, um dos responsáveis pelo departamento social da Gaviões. Ele também destaca que a torcida se organiza para conseguir doações de cadeiras de rodas, muletas, andadores, botas ortopédicas, entre outras demandas da comunidade.
Paulo menciona que as ações são realizadas em todas as regiões de São Paulo: Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro. Segundo ele, as comunidades próximas da sede da torcida acabam se beneficiando mais destes projetos, como é o caso de alguns moradores locais que vão a pé até a quadra todas as quintas-feiras para retirar o leite do projeto Viva leite. O programa do Estado de São Paulo disponibiliza cotas de leite para entidades sociais responsáveis para que seja entregue a moradores cadastrados no programa.
Paulo também destaca que, graças a essa intenção de ir onde as pessoas precisam, os associados acabam rodando os pontos mais carentes de São Paulo: “Itapevi, Jaraguá, aqui na Zona Leste, Itaim, São Miguel, Itaquera, perto da Arena, Guaianazes, Aricanduva que é próximo ao Corinthians, que tem um pessoal que é usuário de droga e vive lá debaixo dos viadutos. Então, a gente não escolhe o público. Sem falar que também, como tem as Fiéis por aí, nós sempre estamos em contato com elas para saber se tem algum lugar necessitando, se aparecer alguma comunidade precisando, a gente pega e vai”, afirma.
Sangue Corinthiano
Outro projeto realizado pela torcida é o Sangue Corinthiano, que tem o objetivo de contribuir com os bancos de sangue de diferentes cidades.
“Quando nós começamos o projeto, fazíamos apenas um dia [de campanha], e apenas em uma unidade de um hemocentro em São Paulo. Mas, como a campanha cresceu muito, nós começamos a fazê-la dentro da própria Arena Corinthians, porque lá a gente consegue levar até sete hemocentros”, explicou Vânia Simonetti, presidente do projeto.

Torcedor doa sangue durante campanha em São Paulo. Foto: Divulgação
Vânia conta que a campanha é sempre realizada em dois dias da semana, sexta e sábado. Ocorre nos meses de abril, agosto e dezembro. “A gente consegue alcançar quase mil e quinhentas bolsas de sangue [em dois dias de campanha]. Se a gente contabilizar que, com cada bolsa você consegue salvar até quatro vidas adultas ou oito crianças, por aí nós conseguimos ver quantas vidas são impactadas”.
Um detalhe importante do programa é o alcance que ele possui. Segundo Vânia, o Sangue Corinthiano já ultrapassou fronteiras internacionais em mais de uma oportunidade.
“A campanha tomou um corpo muito grande. Porque quando se trata de Corinthians, a torcida é muito grande. As pessoas dão busca na internet em tudo que é relacionado ao Corinthians, e assim acabam nos achando, como acontece com o Sangue Corinthiano. Elas entram em contato para saber como funciona. Porque já veem no nosso site que a gente tem a opção de se cadastrar para ser um representante em outras cidades. Hoje contamos com mais de trinta cidades e fora do estado também. E também já alcançamos Canadá e Japão”, explicou.
