Por Maria Eduarda Fonseca

Após derrotas para Uruguai, Colômbia e Argentina, seleção brasileira vive seu pior início na história das eliminatórias

Fernando Diniz Brasil x Argentina (Foto: André Durão)

Nove jogos, quatro derrotas e um empate. Em menos de um ano, a seleção brasileira possui o dobro de partidas perdidas que os últimos três anos com Tite. E, pela primeira vez em sua história, o Brasil perdeu dentro de casa nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Para aqueles críticos de Adenor ‘Tite’, talvez, o silêncio seja a melhor opção. O desagrado dos torcedores com as atuações nas Copas de 2018 e 2022 era evidente, duas vezes eliminado nas quartas de final para um europeu, mas talvez, esse fosse o melhor que a seleção poderia oferecer.

Desde o último jogo do mundial no Catar, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) precisava de um novo nome para assumir o cargo de treinador. Afinal, Tite já havia avisado de sua saída. Dentre várias opções, o nome mais cotado para entrar no cargo era Carlos Ancelotti, atual treinador do considerado “melhor time do mundo”, o Real Madrid. 

Porém, aparentemente, ser o único pentacampeão mundial não brilha mais os olhos, a camisa não é capaz de pesar e impor respeito. Segundo o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, está garantida a contratação do italiano para 2024, conversas foram realizadas com o treinador, porém, para não encerrar seu contrato no meio da temporada e atrapalhar o andamento da equipe merengue, Ancelotti viria somente no meio de 2024. No final de novembro de 2023, Carlos foi questionado sobre sua ida para a seleção e ele negou o acerto. 

Talvez o maior problema da seleção brasileira não seja apenas dentro de campo, mas também fora. A equipe mais vencedora do mundo, atualmente, não é capaz de encher os olhos dos treinadores, de ser vista como a oportunidade da carreira. Ela implora por treinadores e depende de contratos verbais para o seu futuro. 

Para evitar uma crise, a CBF optou por Fernando Diniz, atual treinador do Fluminense, campeão da Copa Libertadores da América, para estar à frente da seleção até a “talvez” chegada de Ancelotti. O trabalho é conjunto: além de comandar o time carioca, na Data FIFA é o responsável pelo Brasil. Após o anúncio, houve muito sobre o que se falar na imprensa. 

Para alguns, era a decisão correta, afinal, é somente para esperar o italiano, e nada melhor do que esperar com um dos melhores treinadores do país. Porém, para outros, a decisão é imatura, é um ano e meio de trabalho “perdido”. Pode ser que com a chegada de Carlos, ele mude tudo, ou, ele apenas não cumpra sua palavra e o Diniz permaneça no comando, e é aí que mora o problema. Para alguns, ele não tem competência para ser o técnico da equipe pentacampeã.

Na sua primeira convocação, Diniz rejuvenesceu o elenco. Daqueles que estavam presentes no Brasil x Croácia, no Catar, apenas seis permaneceram. Houve um clima de surpresa e animação nas redes sociais. Jogadores como Gabriel e Bruno Magalhães, que pediram uma oportunidade durante a Era Tite, conseguiram seu espaço.

Seu primeiro desafio era contra a Bolívia, em casa. O resultado se mostrou mais positivo do que esperava, uma goleada por 5 a 1. A ansiedade que havia por trás da primeira partida, sumiu. Muitos até chegaram a cogitar a permanência de Diniz como principal, após essa vitória, porém, a animação acabou muito cedo. Em sua segunda partida, contra o Peru, a seleção ganhou, mas ganhou suando, com um gol nos últimos minutos. O futebol apresentado não foi o esperado por parte da torcida e imprensa brasileira. 

Nas duas rodadas seguintes, a convocação foi semelhante, apenas uma ou duas mudanças. Mas, infelizmente, o resultado não foi o esperado. Com um empate contra a Venezuela e uma derrota para o Uruguai, a capacidade de Fernando Diniz e de seus jogadores era colocada em jogo. 

Nas duas últimas do ano, nem a convocação de Endrick, a “joia do Palmeiras”, foi capaz de dar um gás para a seleção. Além dele, o técnico até apostou em peças diferentes: Emerson Royal (Tottenham), Carlos Augusto (Inter de Milão), Paulinho (Atlético-MG), João Pedro (Brighton) e Pepê (Porto). Apesar dos novos nomes, o Brasil não foi capaz de somar um ponto. Depois da derrota de 2 a 1 para a Colômbia, e 1 a 0 para a Argentina, em pleno Maracanã, a seleção brasileira assiste sua pior sequência desde 1940. 

Falta de planejamento da CBF. Falta de soluções táticas para Fernando Diniz. Falta de peças. Aquele tão criticado estilo de Tite, chamado de fraco, hoje causa saudade nos torcedores. A pergunta que fica é: como um treinador, capaz de conquistar a Glória Eterna para o Fluminense, não consegue encaixar os melhores jogadores do país em um esquema tático e se impor em seu próprio continente? Afinal, não precisava de muito para ganhar de Venezuela e Colômbia… Então, que venha Ancelotti!

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