Por Manuela A. Pupo

Desde a chegada da Revolução Industrial, somada aos crescentes usos de combustíveis fósseis, é possível notar grandes crises de aquecimento global no mundo. No entanto, a velocidade com que essas mudanças climáticas vêm acontecendo está cada vez maior, e como acrescenta o secretário-geral da ONU, António Guterres: “é assustador e é apenas o início. A era do aquecimento global acabou. A era da ebulição global chegou”. Desse modo, é imprescindível a tomada de medidas imediatas para o combate da problemática pelos países através principalmente da responsabilização dos maiores agentes poluidores e de mudanças nos meios de produção que fomentem um consumismo desenfreado pela sociedade.

De acordo com o O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas responsável por produzir informações científicas, há 90% de certeza que o aumento de temperatura na Terra está sendo causado pela ação do homem. Contudo, o que pouco se fala é sobre como as diferenças socioeconômicas são necessárias para a análise dos maiores contribuintes para a poluição.

Ainda que a sociedade polua, equiparar todos os indivíduos como “o ser humano que causa o aquecimento global”, é deixar de ver, por exemplo, as significativas diferenças entre a quantidade que um cidadão de baixa renda polui em relação a poderosos países e empresas. Além disso, como mostra o estudo “Mudança climática e a desigualdade global das emissões de carbono” feito pelo World Inequality Lab, quem está no topo da pirâmide financeira, ou seja, os 10% mais ricos são responsáveis por cerca de 20 vezes mais emissões em comparação com os 50% mais pobres a nível global.

Um bom exemplo de medida econômica que poderia amenizar a problemática seguindo meios mais justos, é o possível pagamento obrigatório de 170 trilhões de dólares- vindos de países industrializados ricos, responsáveis por níveis excessivos de emissões de gases do efeito estufa – a países em desenvolvimento, até 2050.

Esses cálculos do estudo “Compensation for atmospheric appropriation”, publicado na revista Nature Sustainability, estão de acordo com a proposta de evitar o colapso global, ou seja, para manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC, o orçamento global total de carbono (contando desde 1960) deve ser de 1,8 trilhão de toneladas de CO2. A medida faria com que uma quantia de quase 6 trilhões de dólares por ano fosse dada aos países em desenvolvimento os quais historicamente são considerados pouco poluentes, a fim de que tenham condições necessárias para abandonar o uso de combustíveis fósseis e começar a investir em uma energia limpa.

Além disso, seguindo o cenário de que a indústria de combustíveis fósseis é a que mais emite gás CO2 a níveis globais, e a qual também é base para a produção do plástico (cuja principal matéria prima é o petróleo), é urgente que a sociedade repense o consumo desenfreado, principalmente desse material. Atualmente é possível observar o excesso de plástico descartado incorretamente no meio ambiente, representando um risco não apenas ao meio ambiente, mas também à saúde humana. Somado a isso, consumir esse material de difícil decomposição é também alimentar estas indústrias que mais poluem, sendo necessário rever os meios de produção tradicionais que visam o excesso de fabricação de produtos a fim da obtenção de lucros.

Portanto, nota-se que a situação climática atual tende a piorar se medidas cruciais não forem tomadas, principalmente pelos países e indústrias que mais poluem. A obrigação do pagamento das grandes potências poluentes aos países menores representaria um grande avanço nessa questão. Por exemplo, fazendo com que haja maior incentivo de energia limpa e uma descarbonização do meio ambiente.

Ademais, é também essencial que a sociedade e os meios de produção repensem os modelos de consumismo tradicional que trazem prejuízos, principalmente através do consumo de plástico que tem como base a indústria de petróleo. Esta é uma realidade que pede uma solução urgente. Caso contrário, nosso planeta não será mais um lar para o ser humano.

Fonte Foto: Drbouz/Getty Images

Deixe um comentário