Pluralidade das formas de se vestir promove a autoestima e o pertencimento do jovem
- Por Vinícios Cotrim
É fato que a periferia abriga diversos tipos de pessoas, com diferentes origens, raças, culturas, religiões e pensamentos. Além das escolhas para a vida, essas diferenças também impactam no jeito de se vestir dos indivíduos, acarretando em estilos mais casuais, streetwear, sportlife e até os “chavosos”, que é praticado majoritariamente nessas regiões.
O último citado agrega diversas peças diferentes que se tornaram essenciais para essas pessoas. Um tênis caro, normalmente fabricado por marcas conhecidas mundialmente, como Nike, Adidas e Mizuno; bermudas ou calças largas; camisetas de futebol, com preferência de equipes do próprio bairro, conhecidos como “times de várzea”; e um boné de crochê, que possuem diversos estilos. Essa forma de se vestir, além de carregar uma originalidade por possuir diversos acessórios exclusivos, como as camisas e os bonés, também aumenta a autoestima e o pertencimento do jovem periférico.
“Eu cresci me vestindo assim. Meu pai me levava para diversos jogos da várzea durante minha infância, então passei a gostar das camisetas e, por ele ser influente no meio, sempre conseguia algumas peças. O boné já era mais difícil de conseguir, na época não existia essas pessoas de atualmente que fazem por trabalho”, afirma João Pedro, cria do bairro Lauzane Paulista, na zona norte de São Paulo.

O sportlife também abusa das camisas de time, mas concentra outros fatores em seu conjunto total. Por exemplo, os uniformes de equipes europeias são mais visados, muito por conta da exposição atual que o futebol internacional tem nos espectadores brasileiros. Além disso, as principais fornecedoras de materiais esportivos visam criar roupas de grife com os escudos.
A Kappa, marca italiana centenária, evidencia isso principalmente nos uniformes do Venezia. Há alguns anos, as camisas do clube italiano buscam atingir um público de fora do meio futebolístico e, para isso, a marca utiliza de modelos e estilos de roupa mais clássicos para fazer as propagandas de novos lançamentos.

“Sempre gostei de futebol e utilizava as camisas do meu time de coração, porque eram as que eu tinha. Agora, adulto, tenho a possibilidade de comprar as que eu acho bonitas e, por consequência, as que mais agregam ao meu guarda-roupa. Recentemente comprei uma camisa do Sunderland só por ser bonita, com listrado branco e vermelho”, complementou João Pedro, que varia entre os estilos.
Além das camisas de time, também são utilizados tênis esportivos, como os fabricados para andar de skate. Os “tracksuits”. conhecidos como agasalho por quem não é da bolha, são bem conceituados e frequentemente agregam ao estilo.
