O Emo Caipira prova que não são apenas nas capitais que se faz música boa
João Victor Fortuna

Com raízes no Midwest Emo, subgênero do Rock que se originou no centro-oeste norte americano, o Emo Caipira ou Caipiracore, como é conhecido entre a comunidade, é uma vertente do Rock nacional, que possui artistas e bandas nos quatro cantos do Brasil. Entretanto, é no interior do estado de São Paulo que a cena se popularizou de vez: apesar de ainda ser um segmento nichado, o número de adeptos do Emo Caipira cresce cada vez mais, especialmente com a acessibilidade que streamings de música proporcionam.
O charme e a química gerados pela junção do interior de São Paulo ao Caipiracore é imensurável. Bandas como Mães Católicas de Taubaté, Chão de Taco de Piracicaba e Chococorn and the Sugarcanes de Santa Bárbara D’oeste, se destacam na cena, produzindo conteúdos de qualidade e balançando a cena underground.
Chão de Taco lançou recentemente o videoclipe de seu single de 2021 “Adiante” e a banda Chococorn está com trabalho novo. No último dia três o single “Boa Noite, Tunico foi lançado e já está disponível em todas as plataformas. A música é batizada através do nome do gato de Pedro, guitarrista da banda e faz referências ao popular mangá Oyasumi Punpun (Boa Noite, Punpun). Além de forte inspiração na música “Scott Pilgrim VS My GPA” do ícone do Midwest Emo, Mom Jeans.
Alê, baterista da banda Chococorn, expressou seu amor pelo Emo Caipira e definiu o que seria a vertente ao seu ver. “O tal Emo Caipira é inicialmente uma brincadeira com um movimento gringo chamado “Midwest Emo” que é uma grande inspiração musical pra nós, mas acho que, além disso, o Emo Caipira se espelha numa vontade nossa de valorizar mais o interior de São Paulo, nossa casa, que por muito esteve na sombra das capitais num sentido cultural. É um jeito carinhoso de levantar a estima da nossa base regional e levar esse protagonismo a lugares que antes não dariam atenção ao que podemos mostrar”.
Alê conta sobre as origens da banda e mostra que a criação da Chococorn se assemelha muito a ascensão do Caipiracore, num contexto simples, orgânico, descontraído e divertido. “Inicialmente a gente se uniu pra tocar em uma festa de Halloween de uns colegas por pura aventura, até que a ideia de banda nos pareceu divertido e desde lá ousamos em compor algumas músicas pra preencher o espaço que até então era carente no contexto de cidade pequena; e por acaso trouxemos uma atenção e um público inesperado que só nos motivou mais a continuar e trazer sempre algo melhor pra apresentar”.
A genuinidade, o sentimento e a autenticidade são marcas registradas dessa vertente, que casam muito bem com o singelo, não são gigantescas produções, entretanto há liberdade, uma verdade dentro das obras, assim como define Alê. “Provavelmente o que mais nos atrai pelo nosso tipo de som é que qualquer um pode fazer e gravar em um quarto de casa com o que tem disponível – assim como nós fazemos -. O sentimento de espontaneidade, liberdade criativa e de produção própria é o que, pra nós, nos faz alcançar uma sonoridade autêntica”.
Alê reflete sobre as dificuldades que ele e seus amigos da banda enfrentam nesta jornada no meio musical, porém parece esperançoso com o que o futuro os reserva. “Acho que como qualquer banda underground, ainda não vivemos só de música… No momento, a nossa maior dificuldade entre todas é administrar tempo entre vestibulares, trabalho e faculdade para conseguir se reunir e trabalhar na nossa parte criativa e de prática, como ensaio e treinos”.
Ele explica ainda que a maior dificuldade é conseguir se adequar ao mundo do Music Business, que hoje em dia é muito baseado em algorítimo e investimentos. “O processo tem sido muito intenso e trabalhoso, mas com certeza é prazeroso ver nosso som chegar em novas pessoas que curtem. Além de claro, fazer nosso som chegar em bastante gente que se identifique e possa curtir, nosso principal objetivo é de inspirar a galera a criar arte e expressar algo que tenha a dizer; nada nos traria maior felicidade que saber que alguém perdido conseguiu se achar com nosso trabalho”.
