Por Rafael Oliveira |

Sob a pouca luz da lua minguante de uma meia-noite fria de agosto, em algum lugar no acostamento da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, um carro preto como o chão do asfalto quase deserto vai reduzindo a velocidade. Ele para e o brilho baixo do farol se une à escuridão. Uma figura então desce do banco do motorista e anda rápido em direção à porta contrária. Em questão de segundos, ele tira do carro uma silhueta animal e a deixa na beira da pista.

A luz reacende, mas não mais discreta: reluz alta como recomendam as leis de trânsito. Sonolenta, Sara, a sombra que ficou para trás, deita na terra gelada à espera do retorno de seu dono enquanto assiste o brilho do carro se esvair no horizonte até o sol lentamente voltar a esquentar seu corpo.

Essa é uma cena mais comum do que se imagina. Segundo um levantamento realizado em 2022 pelo Instituto Pet Brasil em parceria com 400 organizações não governamentais, o país possui quase 185 mil animais abandonados ou resgatados após maus-tratos sob a tutela de ONGs e grupos protetores. Em Bauru, entre os anos de 2020 e 2021, a quantidade de denúncias de abandono aumentou em 74%, mas acredita-se que o número efetivo de casos seja ainda maior.

O abandono expõe esses animais à fome, ao tempo e a doenças transmissíveis e fatais como leptospirose, leishmaniose e raiva. Além, é claro, do risco elevado de atropelamento.

Foi o que aconteceu com a Sara.

Há cerca de um mês, a cachorrinha foi encontrada gravemente machucada por uma protetora no bairro Nova Esperança. Ela sofreu diversas fraturas na coluna vertebral, coxal e pelve. Sem movimento nas patas traseiras e faminta, precisou se rastejar até a cidade em busca de comida. Sem assistência necessária, Sara dificilmente sobreviveria.

Felizmente, existem pessoas dispostas a ajudar.

O Eco Patinhas é um projeto que foi criado há 4 anos pela bauruense Fabiana Gonzalez. O objetivo é simples: unir a luta pela causa animal com sustentabilidade. Eles coletam, separam e vendem objetos recicláveis, especialmente tampinhas, e destinam o dinheiro arrecadado para a castração de animais carentes.

Apesar do resgate de animais não ser o propósito do projeto, eles se solidarizaram com a história. Sara precisou passar por uma cirurgia cara e arriscada. Hoje ela está melhor, mas precisa fazer uso constante de remédios, além do tratamento fisioterapêutico e, é claro, alimentação.

Os custos com Sara e outros animais sempre fogem do orçamento do Eco Patinhas. Fabiana detalha as dificuldades que a iniciativa enfrenta: “Temos muita dificuldade em encontrar voluntários, mas o que mais nos ajuda é a doação de objetos recicláveis, enquanto a população estiver colaborando, nós estaremos aqui fazendo o nosso trabalho”.

Àqueles que se interessarem em ajudar, o projeto Eco Patinhas aceita voluntários e doações. Para maiores informações, entre em contato pelo WhatsApp (14) 99132-1600.

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