A música se torna uma ferramenta terapêutica no combate à ansiedade e à depressão

Por KEVILIN ALVES

Ilustração: Freepik

O nono mês do ano, além de dar início à primavera, é conhecido pela campanha internacional “Setembro Amarelo”. O foco principal é a prevenção do suicídio e o incentivo à busca por ajuda profissional no combate à ansiedade e depressão – bem como o tema deste ano sugere: “busque ajuda!”. Embora as formas tradicionais sejam as mais conhecidas, outros métodos terapêuticos têm sido procurados com mais frequência, como é o caso da musicoterapia.

Ao utilizar a música como instrumento e forma de comunicação, a musicoterapia possibilita que o paciente com os sintomas típicos de ansiedade e depressão como autocobrança excessiva, insegurança e isolamento social se expresse fazendo uso de letras e melodias para que trabalhe essas questões com o profissional que o acompanha.

De acordo com a musicoterapeuta Paula Hagemann, a tendência é começar a generalizar o comportamento do ambiente terapêutico às outras áreas de sua vida e se libertar gradualmente do que o faz estagnar. “São pequenas situações que, por meio da vivência musical, fazem com que aquele paciente comece a se expor e ousar um pouco mais”.

Cada canção possui seu ritmo, letra e melodia e, partindo de um gosto individual, é possível construir uma compatibilidade com estilos e artistas. Na musicoterapia não é diferente, o tratamento é feito de forma individualizada procurando respeitar a identidade musical de cada um, já que a música também possui efeitos iatrogênicos – o contrário do esperado. “Diferente do que muitos acreditam, não existe receita, não há um determinado som para cada tratamento. Eu preciso conhecer meu paciente e suas vivências musicais”, comenta Paula.

Além da graduação em musicoterapia, Paula possui mestrado e doutorado em psicologia do desenvolvimento e aprendizagem – Foto: reprodução/Instagram

A música é capaz de despertar diferentes sensações e, quando aplicada num ambiente terapêutico, pode resgatar memórias com alta intensidade emocional. Deborah Rafaela, que participou como paciente de um estudo com foco na musicoterapia, diz ter ativado recordações importantes que antes acreditava ser apenas fruto de sua criatividade. “Não foi imaginação, mas sim uma lembrança, tudo estava no meu subconsciente”.

A proposta é trabalhar com base no que faz sentido para cada paciente, porém nem sempre ele sabe o que está por trás da ansiedade e de seus sentimentos, por isso, segundo Paula, “a música é poderosa, ela evoca lembranças de um jeito que nada na vida consegue”.

Com a intenção de criar um local confortável para expressar tudo o que sente, Paula aponta que a melhor forma de conduzir as sessões é propondo um “prazer musical ativo”, onde o paciente tem a liberdade de se comunicar à sua própria maneira, tocando, cantando, produzindo em cima de melodias e letras já existentes ou que sejam de sua autoria, independente de contar com conhecimento musical prévio ou não.

Assim como todo processo terapêutico, a musicoterapia não tem efeitos imediatos e exige um acompanhamento a longo prazo. “Durante o período que fiz musicoterapia, me senti tranquila, mas agora já percebo novamente os sintomas da ansiedade”, diz Deborah.

Para procurar ajuda através desta modalidade terapêutica não é necessário saber cantar ou tocar instrumentos, pois “cada paciente se beneficia de forma única, de acordo com seus recursos”, explica Paula. O que vai ao encontro da experiência de Deborah que, apesar de um contato inicial com instrumentos na infância, não possui amplo conhecimento musical mas acredita ter observado resultados positivos e pretende iniciar o tratamento contínuo. “Não tinha muitas expectativas mas agora com certeza vou retornar. O processo foi mágico”.

Para conhecer outros tratamentos de saúde que também utilizam a musicoterapia, acesse: https://contextojornalismo.com/2023/09/18/quando-a-medicina-rima-com-a-arte/

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