Por Gabriel Turolla
Neste sábado (9), em Trestles, na Califórnia, aconteceu o WSL Finals. Assim como em 6 das últimas 8 finais anteriores, o ano da Liga Mundial de Surfe terminou com o troféu enrolado em uma bandeira verde e amarela. Filipe Toledo, que já havia vencido em 2022, se sagrou bicampeão do mundo ao vencer o australiano Ethan Ewing, coroando temporada intocável onde passou quase toda temporada vestindo a lycra amarela, dada ao líder do ranking.
Filipe colocou seu nome de vez na história do esporte, se tornando apenas o décimo surfista a ser bicampeão da maior competição da modalidade. Toledo se igualou a John John Florence, ficando com uma conquista a menos que Gabriel Medina. Kelly Slater continua sendo o maior campeão disparado, com 11 títulos.
Essa foi a 7ª conquista brasileira. Além de Filipinho e Medina, Ítalo Ferreira e Adriano de Souza, o Mineirinho, também já foram campeões.
A disputa do título

Por ser o líder do ranking, Filipe só precisou vencer um rival para conquistar a taça. Numa melhor de três baterias, o brasileiro nascido no litoral norte (mas que vive na Califórnia com a família) venceu o australiano Ethan Ewing, que venceu surpreendentemente o local Griffin Colapinto.
Na primeira bateria, desempenho absurdo de Filipinho para colocar o 1 a 0 no placar. Sabendo aproveitar cada onda da bateria, Toledo surfou demais para compor a seu somatório com um 9.00 e um 8.97, totalizando um excelente 17.97. Ethan ainda fez jogo duro, terminando com um somatório também altíssimo de 17.23.
A bateria decisiva teve clima de tensão devido ao ritmo baixo de boas séries de ondas. Foram mais de 20 minutos até Filipe começar a compor sua pontuação com um 5.17 conquistado mesmo sem a prioridade, com um aéreo reverse. Mesmo com uma nota mediana e novamente sem a prioridade, Filipinho deixou Ethan em “combinação” com um 7.50, ou seja, precisando de uma nota maior que 10.00 para vencer, o que obrigaria o rival a conseguir duas boas ondas no mínimo para virar o confronto.
Ethan até conseguiu duas notas, mas o brasileiro ainda trocou sua menor nota por um 6.77, que fez com que segurasse o crescimento de Ewing na bateria e se tornasse mais uma vez o melhor surfista do mundo.
Voltando de lesão, Ethan Ewing surpreende

Créditos: Luis Sinco.
Muitos esperavam que a final fosse ter apenas quatro competidores. No final da temporada regular, antes da etapa de Teahupoo, Ethan Ewing fraturou duas vértebras nas vésperas da decisão, o que aparentava tirar o jovem atleta do Finals. Como o regulamento não prevê realocação de vagas no Finals em caso de ausências, o evento seria disputado com um surfista a menos.
A surpresa maior foi quando ele viajou para Califórnia para a disputa, em menos de três semanas desde a lesão.
Quem esperava um Ethan sem condições de surfe, se espantou com o desempenho avassalador do australiano. Na segunda fase, despachou o também brasileiro João Chianca com um somatório excepcional de 17.60, conquistado inclusive a maior nota da história da decisão nesse formato de Finals, com 9.60.
Na sequência, enfrentou Griffin Colapinto, cotado como o maior desafio de Filipinho numa eventual final, e venceu. Mais uma vez, um somatório impressionante de 17.10 para ele.
Na primeira bateria da final, outro somatório acima de 17.00 para mostrar que mesmo sem estar 100% fisicamente, ainda continua sendo um dos melhores nomes dessa nova geração do esporte.
Excluindo a fraca segunda bateria da decisão do título, o australiano teve uma média de 8,66 com as seis notas que compuseram seus somatórios durante toda a tarde de disputas.
Chumbinho termina como número 4 do mundo

Em sua segunda participação na elite do surfe, João Chianca, o Chumbinho, fez uma temporada de destaque entre os melhores do mundo, sendo coroado com um 4º lugar em Trestles.
O brasileiro venceu Jack Robinson na primeira bateria do dia, o que fez com que o irmão, o também surfista Lucas Chumbo, não contivesse a emoção e caísse no choro na beira do mar californiano.
Na segunda bateria, que poderia garantir pódio para o brasileiro em caso de vitória, João acabou sendo superado pelo inspirado Ethan Ewing.
Com a vaga garantida em Paris 2024, Chumbinho chega para o próximo ano com bastante moral, cravando seu nome entre os gigantes do esporte.
