Como isso reflete o momento atual da indústria musical

Por Arthur Caires
O MTV Video Music Awards (VMA) aconteceu na última terça-feira, dia 12 de setembro, e teve como grande destaque a presença feminina. Apresentado pela rapper Nicki Minaj, a premiação aconteceu no Prudential Center, em Nova Jersey, sendo notável por ser a primeira edição da história a apresentar exclusivamente artistas mulheres nas indicações para o prêmio de Artista do Ano.
As grandes vencedoras da noite foram Taylor Swift, que levou para casa 9 de suas 11 indicações, a rapper Ice Spice com o prêmio de Artista Revelação e a brasileira Anitta pelo segundo ano consecutivo na categoria de Melhor Clipe Latino. Junto delas, Shakira recebeu da premiação o Vanguard Award, que celebra o impacto da carreira da colombiana.

Essa edição do VMA pode ser vista como um reflexo da presença feminina na indústria da música atual. De acordo com um relatório publicado pela IFPI, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, as mulheres representaram 52% do mercado global de música em 2023, um aumento de 10% em relação a 2022.
“Ter uma das principais categorias sendo dominada por mulheres exibe o comprometimento que essas artistas estão tendo para com seus trabalhos. Podemos exemplificar os últimos trabalhos da SZA, Taylor Swift e Doja Cat como algo que vai além de um simples videoclipe”, diz Kaique Corrêa, repórter no portal de notícias POPline.

É possível observar esse impacto também nos recordes femininos deste ano. Taylor Swift se tornou a primeira artista feminina a ultrapassar os 100 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Além disso, SZA teve cinco hits top 10 na parada de singles da Billboard, sendo o primeiro álbum R&B de uma mulher a fazer isso.
“Eu achei tudo isso muito significativo. Acredito que, embora ainda exista muito machismo e marcas latentes do patriarcado no mercado musical, aos poucos os ‘grandões’ da indústria vão percebendo os movimentos e acompanhando as mudanças do mundo. Já tivemos a quebra da divisão das categorias em masculino e feminino, agora tivemos uma maioria de mulheres e artistas LGBTQIA+ indicados, então acho que, aos poucos, estamos evoluindo”, segundo Matheus de Carvalho, também jornalista no portal POPline.

Atualmente, duas das maiores artistas da indústria musical estão fazendo turnês mundiais em estádios. Beyoncé se tornou a artista negra com a maior bilheteria da história com sua turnê Renaissance World Tour, com vendas de mais de 1,2 milhão de ingressos e um faturamento de US$ 1,3 bilhão, aproximadamente R$ 6,3 bilhões, segundo o site Touring Data.
Junto dela, Taylor Swift caminha para ter a turnê mais rentável de todos os tempos com a The Eras Tour, segundo especialistas. Um estudo da Question Pro estima que os shows movimentam US$ 4,6 bilhões nas economias locais, incluindo gastos com hotéis, alimentação e transporte.
“Isso, até 2016, era algo inimaginável para uma mulher. Pensar que foi apenas com a Formation World Tour, da Beyoncé, que aconteceu a primeira turnê a passar apenas por estádios expõe uma realidade triste onde o trabalho feminino não era valorizado como deveria”, afirma Kaique.

Apesar de todas essas conquistas, a entrega não pode parar. Cantoras novatas como Sabrina Carpenter, Olivia Rodrigo e Ice Spice seguem lançando obras completas e trabalhando para envolver o público-geral. “É uma pena que, muitas das vezes, esses movimentos só tomem forma a partir da pressão do público e dos próprios artistas, mas, ao menos, na inércia não estamos”, comenta Matheus.
“Acredito que os desafios continuarão existindo dentro da indústria, uma vez que ela segue sendo gerida por homens, de sua maioria brancos. Por isso, o esforço e a máxima dedicação devem continuar sendo itens obrigatórios nos próximos anos”, reitera Kaique.
