Sucesso nas redes sociais, o podcast “Caso Bizarro” traz relatos escabrosos que arrepiam e tiram o sono. Como um gênero do nicho do horror tem conquistado espaço e retomado a tradição das lendas urbanas?

Por Léa Secchi

Histórias de casos bizarros e monstros de infância ganham cada vez mais espaço nos meios digitais, se propagam na internet e são compartilhadas em plataformas de streaming. Nascido como quadro do podcast Modus Operandi, o “Caso Bizarro”, de Mabê Bonafé, vem fazendo sucesso no gênero do horror ao trazer relatos pessoais e reais de ouvintes pelo Brasil.

Foto: Deezer/Reprodução

Mabê é publicitária, escritora e roteirista. Viciada em teorias da conspiração, casos sobrenaturais e fã de true crime desde sempre, a host transformou sua paixão em profissão e retoma um sentimento nostálgico ao relembrar os Monstros de Infância dos seus convidados e dos inscritos que a escrevem.

Foto: Modus Operandi/Reprodução

A mineira estreou no meio do Streaming há mais ou menos três anos atrás, no final de 2019, abordando true crime com sua amiga e sócia Carol Moreira. O podcast Modus Operandi traz uma série de episódios com enfoque em crimes reais, serial killers e casos antigos, e surgiu depois de consumirem juntas muitos conteúdos sobre o assunto.

A host conta que a pegada deste projeto é mais jornalística, e que o cuidado com a veracidade dos fatos e qualidade das fontes é muito importante. As histórias tendem a despertar especulações, além do lado mais passional dos ouvintes, e devido a isso, elas priorizam contar aquelas que já passaram por julgamento, mantendo certa distância das narrativas e maior impessoalidade. 

Foto: Modus Operandi/Reprodução

A vontade de criar um programa sobre lendas urbanas ou teorias da conspiração já era comum à Mabê. “São assuntos que sempre me interessei e pesquisei muito sobre”. A decisão de separar o quadro do seu podcast já consolidado veio depois de sentir que ele destoava do contexto geral do Modus. Ela explica: “O Caso traz acontecimentos diversos, não apenas lendas urbanas. Antes, quando fazia parte do Modus, era mais sério, e hoje, é mais descontraído e vai por um caminho mais de comédia”. 

Ademais às diversas colaborações com personalidades do mundo digital, no modelo atual é possível mais aproximação com o ouvinte, e a podcaster expõe “Recebemos as histórias por e-mail, e caso sejam mais delicadas tratamos com mais cuidado ao levar para o público”. Ela e sua equipe selecionam os relatos, que hoje já somam mais de 1500 ao total, leem, organizam por temas, e os selecionam, sempre levando em conta se esses abordam assuntos sensíveis.

Em constante crescimento, o projeto já contava com uma audiência prévia. O público do antigo quadro, hoje podcast independente, migrou com Mabê, e segue conquistando novos ouvintes. Nos últimos três meses, o Caso Bizarro dobrou de tamanho. “O podcast de true crime atinge um número bem maior de pessoas […] o Caso tem 1/4 dos ouvintes do Modus, mas ele ainda assim é muito grande e numeroso”.

Os convidados também trazem consigo a atenção de seus seguidores, que muitas vezes se interessam pela novidade e permanecem. Mabê esclarece que os episódios que mais a fazem rir são aqueles em colaboração com pessoas mais íntimas e amigas. “O com a Foquinha, Fabão e meu ex foram muito divertidos”. Ela ainda comenta: “O público também gosta muito quando gravo como Chico Felitti e o Fi Bort, esses fazem muito sucesso… a galera gosta muito do nosso trio”.  

O episódio que a host mais deu gargalhadas é um recente, em comemoração ao mês da diversidade. #31 – Especial LGBTQIAP+ – parte 1, traz histórias de pessoas da comunidade e segue um eixo temático diferente do padrão de causos sobrenaturais e bizarros. 

Já em relação àquele que mais a apavorou, a podcaster explica que foi o que contou com a participação de Natália Kreuser. “O relato foi sobre uma menina que jogava just dance e a câmera do kinect identificou um corpo além do dela, de uma pessoa mais alta, que não estava ali” .

Mabê sempre teve o ímpeto de investigar mistérios. O seu Monstro de Infância é o ET de Varginhas, e outros como a Autópsia do ET no Fantástico e as Lendas Urbanas do Programa do Gugu sempre a causaram medo conforme crescia. Ela acredita que muitos desses causos míticos brasileiros passam de geração para geração. 

“A gente tem uma cultura folclórica brasileira muito rica, linda e regional […] Cresci com esses ensinamentos e consumia muitos livros sobre o assunto”. O Caso Bizarro a ensinou também sobre muitas lendas diferentes, de regiões e cidades que não conhecia. “Aprendi sobre a existência da Comadre Fulozinha, alguns lugares acreditam que ela seja a Curupira, mãe da mata”. 

A comunicadora acredita que hoje em dia isso não seja mais difundido tanto quanto antigamente, ainda que muitos tentem fazer esse resgate. “Eu sinto que as crianças hoje não crescem com o mesmo aprendizado de folclore como era antes”.  

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Bonafé desde cedo já se interessava por lendas e relembra um de seus casos bizarros de infância: “Em Minas, quando era criança, fundei um clube de caça ao Chupacabras […] Onde eu morava alguns bois começaram a aparecer mortos e comecei a investigar junto a um amigo meu […] Eu, com nove anos, subi o morro com meu amigo e fomos atrás de desvendar a história”.  

O Futuro do Caso Bizarro é promissor. Ela, por fim, compartilha, em primeira mão, uma novidade: “Julho reserva algumas mudanças”. 

O podcast foi adquirido por uma conhecida plataforma de streaming, a Amazon Music, e além disso, contará com mais um episódio semanal disponível somente na nova interface. Segunda e quarta-feira serão os dias reservados aos viciados em histórias estranhas, e no novo espaço eles poderão desfrutar de ainda mais conteúdos. 

Assim, se procede a narração de novos causos e o compartilhamento de cultura em áudio, através da internet. O gênero em crescimento tende a seguir fazendo sucesso e agregar cada vez mais ouvintes, retomando o senso de tradição das lendas urbanas brasileiras.

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