Com um novo filme para lançar e uma “Turnê de Eras” acontecendo, Barbie e Taylor Swift são as queridinhas (ou nem tanto) na boca do povo

Por Letícia Heloísa

Ontem, dia 6, foi aberta a pré-venda de ingressos da “The Eras Tour”, de Taylor Swift. Tendo o dia 6 e 7 de junho exclusivamente para compradores da “Lover Fest”, que aconteceria em 2020, mas teve os shows cancelados por conta da pandemia. Nos dias 9 e 10, será aberta a pré-venda para clientes do C6 Bank e, no dia 12, as vendas serão para o público geral.

Migrando entre diferentes gerações, Taylor Swift, desde 2006, é inspiração e conquista corações com seus álbuns de caráter íntimo, que transportam os fãs para uma espécie de diário pessoal. Agora, porém, é ela quem se transporta pelas cidades de todo os Estados Unidos durante a “The Eras Tour”, a turnê que apresenta o trabalho de toda a sua carreira.

Falando sobre loiras conhecidas mundialmente, um dos brinquedos mais famosos do mundo desde os anos 1950, a Barbie, cada vez mais expandiu seus horizontes para outros produtos, conteúdos e, no momento, para o cinema. O filme, que traz Margot Robbie como Barbie, estreia dia 21 de julho próximo.

Seja por nostalgia ou identificação, ambas foram e continuam sendo um sucesso estrondoso por onde passam e fazem isso com muita maestria. Mas nem tudo são flores. Tanto a indústria da música, do cinema quanto a fúria da internet contribuem para que a imagem perfeita esteja em queda livre e torne o seu estrelato tão frágil quanto a mente de quem está à mercê do sistema.

Em uma pesquisa feita com um grupo de meninas variadas, de idades diferentes e cada uma vindo de uma cidade distinta, todas tiveram algum produto da Barbie na infância. Nem todas gostam, necessariamente, da boneca, mas em algum momento tiveram ou ganharam algo da Barbie.

Gráfico gerado pelo Formulários Google

“Ela tem vários pontos a serem criticados também, mas é inegável que ela tem o coração não só meu, mas de várias meninas que ganharam sua primeira Barbie ou assistiram os filmes. Ela era aquele pontinho de esperança de que poderíamos ser tudo o que quiséssemos”, diz uma das participantes da pesquisa, Gabrielle Rocha.

As críticas se devem principalmente à falta de diversidade que por muito tempo Barbie deixou vagando por entre as meninas. “Bem clichê, mas o sofrimento de não ser uma Barbie na adolescência foi forte em alguns momentos. Mesmo já entendendo sobre a coisificação e o lúdico mundo que possibilita que o padrão Barbie exista, o pensamento e a vontade de ser aceita, muitas vezes, superou a razão”, relatou Isabela Pitta, outra a participar da pesquisa.

Há uma opinião comum, entretanto, entre as entrevistadas, de que a diversidade reaproximou crianças e jovens da marca. Em 2016, a Mattel, empresa criadora da Barbie, lançou a linha de bonecas mais diversa até então. Existe a crença que nada mais que o dinheiro motivou essa inovação na linha de brinquedos. “Acredito que o sucesso dela seja produto do capitalismo”, opina uma das entrevistadas, Amanda Silva Lima. “A boneca é vendida em muitos modelos e profissões diferentes, instigando as crianças a sempre quererem novas bonecas, com propagandas pesadas em cima disso. Fora os filmes e desenhos, que contribuem muito para que a Barbie seja “a queridinha”. A propaganda da boneca é muito bem estruturada”, completa.

É, realmente, muito bem estruturada. O que nos leva a pensar em Taylor Swift. Tanto Barbie quanto Taylor possuem impecável cuidado com a imagem. A propaganda delas é forte e as permite dançar entre o público que buscam atrair, brincar com isso e tornar dinâmico. É tudo pensado, planejado e muito bem investido.

Agora, será que as mulheres do momento atraem atenção por serem loiras, brancas e magras? Ou mais importante: há um problema quando os assuntos mais comentados de cada indústria são mulheres que não abrangem um grande público quando se trata de representatividade?

“Acho que o problema principal não é nem o filme em si, mas no cenário musical, do cinema e da mídia no geral está presente algo que sempre ocorreu: a falta de representatividade. Quando você olha para o hype que o filme da Barbie teve, você se questiona também como filmes como “A Pequena Sereia”, que estreou com a Halle Bailey, não tiveram tanta força como o filme da Barbie. Sem contar que foi muito criticado pelo simples fato de ter uma mulher negra em papel de protagonismo”, comentou a estudante de Jornalismo, Eloah Kaway.

“Mesmo com esse cenário, no lançamento do Filme da Barbie, a Greta Gerwig tentar quebrar esse padrão e coloca no elenco pessoas talentosas como o Simu Liu, a Issa Rae, Ncuti Gatwa, entre outros personagens para mostrar que a Barbie não precisa ser explicitamente uma mulher branca. Então acho que o filme acerta nessa parte”, finaliza.

No documentário da Netflix “Miss Americana”, Taylor Swift mostra algumas causas em quais é engajada. É notável, entretanto, como a cantora deixou de lado esse espírito despertado no início de 2020.

Taylor Swift não chama a atenção por sua representatividade social, que é quase inexistente. A cantora norte-americana chama seus fãs pela voz que possui e como a usa. O lirismo das músicas e a produção puxam o público como imãs. A letra é o diário cantado, é o que as pessoas querem sentir: como se estivessem ouvindo sobre a própria vida e que, pelo menos por aquele momento, você é especial para o universo, para a música, para alguém ou para você mesmo.

“Eu conheci a Taylor por causa de mulher”, ri a também estudante de jornalismo Giovanna Pasquetto. “Uma colega era super ultra fã da Taylor e sempre dedicava uma música ou outra da loirinha para mim e até o documentário da Netflix assistimos juntas. A sonoridade das músicas dela sempre foi muito viciante para mim. Até aí, eu ainda não era fã dela, mas um dia ouvi a faixa “mirrorball” do álbum dela e me identifiquei tanto com todo aquele sentimento que ela queria transmitir. Desde então, nunca mais parei de ouvir”, explica.

A felicidade está no fato de que identificação há aos montes e talento também. A diversidade, todavia, pode melhorar. “Muitos artistas merecem reconhecimento, mas a meu ver pessoas como: Steven Yeun, Mahershala Ali, Jharrel Jerome são ótimos artistas que representam o público, mas que frequentemente são ignorados pela academia, por exemplo. Porém, eu tenho esperanças de que futuramente isso mude. A gente teve recentemente a Michelle Yeoh e o Ke Huy Quan ganhando o Oscar e isso é uma baita conquista, já que, no passado, artistas do leste asiático nunca tiveram o reconhecimento que merecem”, diz Eloah Kaway, sobre outros artistas que merecem o estrelato e discorre sobre os tesouros da nossa geração.

Em todo caso, seja por falha da Mattel, das indústrias ou da própria Taylor Swift, é preciso haver representatividade, que é importante e nunca deixará de ser. É interessante, também, que o peso seja medido e que as falas soltas aos ventos da web sejam administradas. Mulheres tendem a recebê-las com mais intensidade e frequência sem ao menos ter a oportunidade de mostrar o outro lado da moeda. A desinformação pode vir disfarçada de opinião e visão parcial.

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