A situação dos animais de rua em Bauru é preocupante. Prefeitura e médica veterinária explicam como a cidade está lidando com essa questão.
Por Ricardo Praxedes

Em 2013, havia quase 50 mil gatos e cães abandonados na cidade de Bauru. Esse número, no entanto, pode ser maior, pois a prefeitura não realiza a contagem de animais nessa situação atualmente. Diante desse cenário, algumas questões que merecem ser investigadas são: Quais os riscos para esses animais e para as pessoas em redor? A prefeitura vem realizando um acompanhamento desses animais?
“A gente pode considerar riscos como os acidentes, vemos um número crescente de acidentes de carro com esses animais soltos, há também riscos à saúde pública, principalmente na cidade de Bauru que é uma região endêmica de leishmaniose.”, explica Gabrielle Cândido, veterinária da BRF Pet Bauru.
Ela também citou algumas medidas que podem ser aplicadas para controlar o crescimento dessa população de animais, entre elas a castração e campanhas de adoção.“Projetos de castração, projetos para incentivar que esses animais de ruas sejam doados, para evitar a superpopulação. Sabemos que, hoje em dia, fazer a castração desses animais de rua ajuda muito a diminuir essa superpopulação, é um item fundamental na parte de controle animal”.
Já para o chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da cidade de Bauru, Murilo Cuoghi, a solução para o problema é mais complexa. “Temos que castrar o máximo de animais possível num período curto para que ocorra algum resultado, porque os animais vão continuar se reproduzindo” comentou.
Além disso, a castração ou doação isoladamente não são suficientes. Ele argumenta que as medidas precisam ser aplicadas em conjunto para que o resultado possa ser efetivo. “Não é somente castrar, é preciso conscientizar, a senhora que põe comida para os gatos pode estar proliferando o problema. Temos colônias que têm tutores responsáveis, que levam para castrar, levam para o veterinário quando o animal está doente, não é só colocar a ração”, afirma.
Murilo também mencionou que poderia ser adotada uma legislação mais rígida para a adoção de animais. “Nos Estados Unidos para ter um cachorro, dependendo do estado, você tem que comprovar que você tem residência, renda. Após adotar você tem um número de dias para apresentar comprovantes de vacinação e castração, para que não se torne um problema ambiental.”
Com relação às medidas que estão sendo aplicadas pela prefeitura em 2023, o especialista em saúde esclarece que está em curso a separação do departamento de zoonoses, pertencente à área da saúde, e um novo departamento, vinculado à secretaria de meio ambiente.
“O CCZ é uma unidade vinculada ao SUS, fazemos a vigilância de zoonoses. As principais zoonoses em Bauru são a leishmaniose, raiva, esporotricose em gatos, [picada de] animais peçonhentos como o escorpião. Foi criado na Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o Departamento de Bem-Estar Defesa e Proteção Animal, é nesse departamento que será feita a política de proteção e controle animal porque é um problema de natureza ambiental”.
Apesar de todos os esforços, a questão dos animais em situação de rua continua sendo um problema que aguarda uma solução definitiva. Acompanhar as atividades desse novo departamento será fundamental para confirmar se a questão está evoluindo na cidade e quais medidas serão efetivamente aplicadas pela prefeitura.
