Animais podem ser treinados para dar auxílio a pacientes autistas

Ana Luiza Moura

O Brasil e o mundo vive, atualmente, um aumento dos diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA). De acordo com os dados do CDC (Center of Diseases Control and Prevention), órgão dos EUA, existe hoje um caso de autismo para cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil possua cerca de 2 milhões de pacientes dentro do espectro.

Diversas são as maneiras procuradas para o alcance de uma vida plena e independente desses indivíduos, como acompanhamento com psicólogo/psiquiatra ou uso de medicamentos. Entretanto, uma opção um tanto inusitada, que vem dando certo para centenas de pacientes, é a utilização de cães de suporte, os quais são treinados para desenvolver habilidades individuais necessárias para o acompanhamento de seus donos.

Este é o caso de João Paulo Martins, psicólogo, e mestre em filosofia pela UNESP, diagnosticado com autismo há aproximadamente cinco anos. Assim que soube do diagnóstico, Martins optou por um cão de suporte e Tomás, da raça Pit Monster, se tornou o seu “cãopanheiro”.

Tomás possui o objetivo de auxílio ao tutor na vida pessoal relacionada a socialização, e nos afazeres cotidianos no geral, tirando-o de situações de crise. João Paulo explica que no aspecto psicológico o cão lhe traz confiança, pois geralmente o animal é levado para fazer um reconhecimento dos locais desconhecidos, e isso permite que o psicólogo se sinta tranquilo e à vontade em qualquer ambiente.

Em termos físicos, o cão o auxilia na questão da hipersensibilidade sensorial. “Quando estou em uma crise, ele me morde ou pula para regular minha atividade cerebral”, diz Martins.

Para isso, JP conta que o cachorro foi treinado desde os seus primeiros cinco meses em uma escola de adestramento, das 9 da manhã até as 18, três vezes por semana. O tutor enfatiza que “os treinamentos de cães de apoio são individuais para atingir as necessidades de cada dono e eles devem ser, porque você tem demandas específicas”. Ele explica também que “quando você conhece uma pessoa com autismo, você não conhece o autismo, e sim uma pessoa só”.

Todo o processo burocrático para que Tomás se tornasse um cão de suporte não foi fácil, pois “ainda não há uma lei que regulamenta esses cães de trabalho, ao não ser cães guias”. Entretanto, já existe uma tramitação no senado e na câmara dos deputados que já foi aceita no Brasil, ou seja, os necessitados desse auxílio estão na apenas na espera da efetivação da lei.

Portanto, atualmente, para o requerimento de um cão de suporte é necessário o treinamento, obter todos os protocolos, e comprovar a deficiência do necessitado. Segundo Martins, apesar de não haver a regulamentação para cães que auxiliam os pacientes de TEA, se atualmente ele frequenta algum estabelecimento, seja ele público ou privado, não se pode negar o acesso desses cães de trabalho, ou até mesmo na caso do Tomás, que é um cão de raça, de 52 kg, que por lei deveria utilizar focinheira, não precisa utilizá-la, já que se ele usar perderá a função dele, e se tornará um “pet”.

O psicólogo lamenta a falta de respeito da população em relação ao horário de trabalho do Tomás. “Acho que o respeito maior está na imponência que o Tomás tem com relação ao porte dele e não pelo serviço que ele faz. Geralmente, eu vejo que é por um desconhecimento da população com relação a isso. E o medo do porte da raça”. Ele também enfatiza que a primeira coisa que as pessoas fazem ao ver o Tomás é passar a mão e tirar foto, o que é prejudicial, já que o animal entende que está “dispensado” do seu trabalho.

Portanto, se você vir um cãozinho com o peitoral amarelo, e um crachá indicando que está no horário de trabalho, como esse abaixo, respeite o seu espaço, já que a vida de seu tutor está em suas patinhas.

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