A obesidade é uma epidemia global e a cirurgia gastrointestinal tem sido uma opção viável para tratar o problema e suas complicações
Matheus Venâncio

A cirurgia bariátrica tem se tornado cada vez mais popular como uma solução para a obesidade. Prometendo uma perda de peso significativa e melhorias na saúde, muitos consideram essa intervenção cirúrgica como a solução definitiva para os problemas associados ao excesso de peso. No entanto, há quem questione se a cirurgia bariátrica é realmente a resposta ou se ela pode trazer consigo novos desafios e riscos.
Enquanto alguns enxergam a cirurgia bariátrica como uma oportunidade de alcançar uma vida mais saudável e livre de problemas de saúde relacionados à obesidade, outros levantam preocupações sobre seus efeitos colaterais, complicações a longo prazo e as mudanças radicais que ela impõe ao estilo de vida dos pacientes.
Para o médico cirurgião Humberto Santos Novais “a bariátrica é uma solução, mas nunca deveria ser a primeira solução. Até porque é um procedimento bastante invasivo e algumas técnicas são irreversíveis”. Ele explica que é “um procedimento que já tem quase 30 anos de experiência no mundo e recentemente se percebeu formas de diminuir muito a chance de complicações. Mas é óbvio que é uma coisa antinatural, você vai mexer no intestino da pessoa meio que forçando a pessoa perder peso de uma forma mecânica e provocando uma alteração metabólica muito intensa por causa da cirurgia”.

Para a psiquiatra Verena Simonetti Bacellar Pinheiro Chagas, a cirurgia “pode ser uma solução imediata, mas a pessoa tem que mudar a maneira dela pensar, porque não adianta ela fazer a cirurgia bariátrica e a cabeça dela se mantiver nas coisas de antes. Primeiro é necessário tratar do seu emocional e depois pensar na cirurgia”.
A obesidade é uma epidemia global e a cirurgia bariátrica tem sido uma opção viável para tratar a obesidade grave e suas complicações. A história da cirurgia bariátrica remonta ao século 20, com avanços na técnica e compreensão da obesidade, resultando em procedimentos mais seguros e eficazes.
Nos anos 90, a cirurgia bariátrica ganhou reconhecimento como uma abordagem efetiva para a perda de peso duradoura e tratamento de comorbidades associadas. O número de cirurgias aumentou significativamente em todo o mundo. No entanto, existem riscos e controvérsias associados à cirurgia, como complicações nutricionais, gastrointestinais e psicológicas, além da necessidade de adotar mudanças no estilo de vida após a intervenção.

Diante dessa dicotomia, surge a pergunta: a cirurgia bariátrica é a solução definitiva para a obesidade ou traz novos problemas e desafios? “A cirurgia bariátrica promove um rearranjo metabólico na pessoa, então ela é indicada para pessoas que tem problemas metabólicos, que por conta disso fica muito difícil para ela emagrecer só fazendo regime. Tem que ter um certo grau de obesidade em que a situação fica quase irreversível”, diz Humberto.
“O paciente precisa estar estável emocionalmente para fazer essa cirurgia, uma alteração emocional, uma ansiedade ou compulsão alimentar o paciente pode até perder a cirurgia”, completa a doutora Verena.
O cirurgião explica que existem duas técnicas de cirurgia bariátrica bem diferentes: o Bypass Gástrico e a Sleeve e as duas são invasivas, mas a que tem menos complicações futuras é a técnica Bypass. “Por não precisar fazer uma ressecção do estômago e sim só um desvio do trânsito do intestino e um grampeamento do estômago”, explica.

“No caso do Baypass, é desviado um metro do intestino, ou seja, o alimento consumido só vai encontrar as enzimas digestivas um metro mais abaixo. Já a outra parte do intestino, o metro que ficou isolado, não passa comida nunca então é como se o corpo pensasse que você está de jejum. E quando você come, você vai comer menos devido ao grampeamento do estômago, e por causa dessa extensão o paciente terá problemas de absorção de algumas vitaminas como, por exemplo, a vitamina B12 e o ferro”.
Ele também explica que “o principal fator para o sucesso de um paciente pós-cirúrgico desse procedimento é a atividade física regular”. Já a psiquiatra diz que “se o paciente não estiver com o emocional equilibrado, ela vai continuar com o pensamento da compulsão alimentar mesmo com a cirurgia. E como as absorções são diferentes, ela pode até comer, mas tem que ter um controle e entender sua situação atual. Justamente por isso é necessário um acompanhamento psíquico com o paciente em todos os processos da cirurgia, tanto com um psicólogo como também um psiquiatra. Buscando realmente a mudança de pensamento e não só na parte física”.

