Em meio ao crescimento populacional e econômico, o país deve se preocupar com infraestrutura e graves problemas sociais
Por Beatriz Apolari
A Índia se tornou o país mais populoso do mundo em abril de 2023, com um contingente populacional de aproximadamente 1,428 bilhão de habitantes, ultrapassando a China, que detém 1,425 bilhão. Os dados são da Organização das Nações Unidas (ONU) e desde a primeira contagem, em 1950, a China mantinha o título de maior população mundial.
Agora no topo do ranking, o país teve uma redução considerável na sua taxa de mortalidade infantil nas últimas três décadas e alta taxa de fertilidade, mantendo sua taxa de crescimento em 1,26% segundo dados divulgados pelo Country Meters.
De acordo com o geógrafo e professor Anderson Cinati, “se a Índia tem muita gente hoje é porque no passado também tinha quando inicia seu processo de crescimento demográfico.” Segundo ele, a região do sul da Ásia, que compreende a Índia, Paquistão e até a China é rica em bacias hidrográficas, terras agricultáveis e solos férteis, que favorecem o crescimento populacional.
Entretanto, possuir uma população tão quantitativa traz desafios. O especialista diz que a nação indiana “vai ter complicações com o abastecimento de água potável, algo que no passado favoreceu, hoje é um problema”.
O professor explica que é difícil ver o fato da Índia ser o país mais populoso do mundo como motivo para comemorações. “Ela vai ter muitas dificuldades para alimentar essa população, que é agrária, mas não dona de sua própria terra”. É importante destacar que mais de 20% da população indiana vive abaixo da linha de pobreza de acordo com pesquisa desenvolvida pela CIA World.
Ao mesmo tempo, a economia indiana apresenta um crescimento notável. No final de 2022, o país se tornou dono da quinta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia tem previsão de crescimento de 5,6% em 2023, e também seria responsável por 15,4% do crescimento mundial.

Imagem de rúpias indianas. Foto: Envato Elements
Anderson pontua que um dos principais fatores que contribuem para esse desenvolvimento é a larga mão de obra barata que o país oferece, mas reitera que a Índia tem investido em tecnologia. “Ela faz uma grande exportação de cérebros, que seria a mão de obra qualificada, para países desenvolvidos. Além disso, a índia tem investido em polos de tecnologia na região sul do país e se especializado na produção de softwares e satélites”, disse.
Por fim, o geógrafo afirma que é importante não assumir que países empobrecem por serem populosos. “Não podemos pensar que todo país populoso é pobre. Por exemplo, os Estados Unidos tem 330 milhões de habitantes e é um país desenvolvido. Se a Índia é pobre, é por conta de seu processo histórico de colonização e exploração”, conclui.
