Ivan Rodrigo Rossi

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Desde os resultados das eleições do dia 30/10/2022, que elegeram Luiz Inácio Lula Da Silva pela terceira vez ao cargo de presidente da república do Brasil, muitas mudanças comparadas ao antigo governo vieram ao ar. A volta de alguns ministérios e secretarias foi um dos assuntos mais comentados.

Duas dessas novidades foram a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a volta da Secretaria da Diversidade e Inclusão. Além da continuação do Ministério da Igualdade Racial, criado em 2003.

Esses ministérios nos trazem a discussão sobre a diversidade cultural no Brasil e a importância que ela tem. Trata-se de um conceito necessário para se entender a diferença entre várias culturas e todos os processos de diferenciação entre elas.

Diversidade significa pluralidade, variedade, o oposto de algo homogêneo e, atualmente, devido a todo o processo de colonização e miscigenação cultural entre a maioria das nações do mundo, essa pluralidade está espalhada por todo o planeta.

Mas o Brasil é um país com uma diversidade cultural tão grande assim? Para a professora do Departamento de Comunicação Social da FAAC/UNESP, Maria Cristina Gobbi, “a própria formação da América Latina já era culturalmente diversificada, mas por volta de 1492 teve início o processo de expansão dos impérios europeus sobre todo esse território, o que acabou resultando na colonização da região”.

Para a professora, a América Latina em geral já apresenta uma vasta coleção de tradições, costumes, manifestações religiosas e artísticas, o que revela uma enorme gama de diversidade cultural e o Brasil não fica de fora disso.

A criação ou volta de tais ministérios nos leva a pensar sobre quem é e sempre foi o responsável por garantir uma diversidade cultural plena para os diferentes povos que vivem no Brasil. O professor de Jornalismo e Vice-diretor da FAAC- UNESP Juarez Tadeu De Paula Xavier nos dá algumas visões sobre esse assunto.

“Essa tem sido então a tarefa da UNESCO, o braço direito cultural, científico e educacional da Organização das Nações Unidas, que tem se esforçado diuturnamente no sentido de apontar a diversidade como sendo uma questão fundamental a ser debatida”, comenta Juarez.

Para o professor, a necessidade de políticas públicas é de muita importância para garantir essa diversidade, pois isso não significa apenas juntar pessoas diferentes, e sim propiciar que elas possam viver em um ambiente crítico social capaz de assegurar a elas um bem estar.

O professor Juarez, que é militante antirracista, explica que a sociedade depende de ações políticas, debatidas e organizadas por esses ministérios que voltaram à vida com o governo Lula. “Uma questão fundamental é a necessidade de políticas públicas, toda e qualquer ação da defesa a diversidade aplica a necessidade de políticas públicas, seja elas globais, universais ou pontuais”.

O Vice-diretor aponta também exemplos de como essas políticas públicas podem ser aplicadas no nosso País. “No Brasil é necessário que tenha uma política de apoio à diversidade cultural do país, mas também políticas públicas específicas para a população negra, indígena, ribeirinha e para população amazônica. É necessário que exista políticas públicas que assegurem a partir de uma ação do estado, ambiências propícias para diversidade”, explica.

Com isso, conseguimos entender a importância da retomada e da criação de ministérios que favoreçam a diversidade cultural em um país tão rico culturalmente como é o Brasil.

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