Quanto mais a mulher conhece seu corpo, maiores serão as chances de acertar no método contraceptivo
Por Giovana Keiko

Imagem de mulher segurando uma colagem de papel em formato de útero (fonte: Freepik)
“Nossa, está enjoada? Certeza que é gravidez!”, “Minha menstruação veio normal a gravidez todinha! Não dá pra confiar no corpo não!”, “Engravidei mesmo usando DIU”.
Até que ponto os relatos disfarçados de alertas podem chegar? É inegável que a informação se espalha com uma velocidade impressionante nos dias atuais, sendo verdadeira ou não, costuma alcançar um número incalculável de pessoas na internet. Posts, vídeos e depoimentos sobre gravidez indesejada e/ou inesperada são a receita da viralização na internet, seguidos pela desinformação concomitante aos conteúdos.
“Muitas vezes as pessoas em seu entorno, devido a sua história mal resolvida de seu próprio nascimento e/ou também muitas vezes da sua própria gestação e parto, descarregam nas gestantes seus medos mais fantasiosos. Isso influência muito negativamente, prejudicando o propósito de ter um parto normal tranquilo”, explica Geni Recher, psicóloga pela Unesp – Bauru, que também já atuou como psicóloga em assistência de parto, que acompanha desde a gestação até depois do nascimento.
Ansiedade intensa, suor frio, taquicardia e até mesmo desmaio ao pensar em gravidez ou parto, são sintomas de Tocofobia, que é o medo extremo de engravidar e/ou parir. A causa ainda é desconhecida, mas vem sendo falada cada vez mais nas redes sociais. Blogueiras como Maju Ferreira, estudante de medicina, e Carol Pinhol, biomédica e doutoranda em biologia celular pela UFMG, falam em seus perfis sobre saúde feminina, métodos anticoncepcionais, saúde da mulher e sexualidade no geral.
Em entrevista, Ana Silva, 19, aluna da Unesp – Bauru diz que “desde que me descobri, lidei com isso sempre fugindo das perguntas da família sobre ter filhos, tanto por não ser assumida (e por não querer explicar o motivo por ser mais complicado pra mim), quanto porque realmente nunca quis engravidar. Acabei conseguindo evitar ao máximo esse assunto, e como na visão da minha família eu nunca namorei e nem tive nenhum interesse romântico, eles só desistiram de perguntar coisas relacionadas a isso”.
Para a psicóloga Marilyn Tozzo, “algumas mulheres podem apresentar medos e ansiedade diante da gravidez, e não há problema nisso. Por outro lado, esse sentimento pode ser potencializado por situações de pressão, pela obrigação de procriação, seja ela familiar, social ou até mesmo pessoal”.
Pós graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental e Neuropsicologia pelo CBI Of Miami, Marilyn explica também que não podemos falar apenas sobre casos mal contados, pois em algumas situações pode haver despreparo profissional para o momento de pré e pós-parto, causando traumas que são repassados de mulheres para mulheres.
Repercussão nas redes
Em 2022, o caso da ex-bbb, Viih Tube ganhou grande repercussão. A moça afirmou que engravidou, mesmo tomando a pílula anticoncepcional desde os 15 anos de idade. Entretanto, depois ela explicou que estava trocando de medicação, e que provavelmente a gravidez ocorreu durante esse período. O relato teve grande alcance nas redes, e consequentemente, causou uma onda de dúvidas e medo.
Carol Pinhol, em seu instagram, fala sobre quando ela tinha medo de engravidar, mesmo sem possibilidade alguma de tal. Em seu perfil, @serintime, ela fala sobre saúde íntima e ajuda milhares de mulheres a entenderem seu corpo, métodos contraceptivos e sexualidade.
Ainda em entrevista, a psicóloga Geni declara que percebe que as gestantes que estão desconectadas do seu próprio corpo, são as mais suscetíveis a adoecer. Além da falta de informação e informações incorretas, levam a mulher a criar fantasias quanto à gestação e ao parto.
“Quanto ao método, a mulher precisa se orientar e buscar ajuda de um profissional ginecologista para buscar o melhor método, que seu corpo vai se adaptar”, finaliza.
