FIFA é acusada por ativistas de praticar lavagem verde sobre emissões de carbono durante a Copa
MARIA ELIZABETH MORAES
Em 2020, a FIFA impôs o desafio de fazer a Copa do Mundo Qatar a primeira edição 100% neutra em carbono da história. Com isso, o Qatar prometeu neutralizar as emissões de gases do efeito estufa, como o gás carbônico, que fossem emitidos em decorrência do evento. Contudo, diversas entidades de defesa do meio ambiente acusam a FIFA de usar métodos de lavagem verde, ou greenwashing, para vender uma imagem sustentável sem comprovação.
A lavagem verde representa uma tentativa de disfarçar a posição de uma organização em relação ao meio ambiente. Para isso, muitas geram selos, propagandas e um discurso de falsa sustentabilidade.
A denúncia foi feita para a Swiss Fairness Commission, o órgão de autorregulação do setor de comunicação da Suíça, onde a FIFA é sediada e abriram um procedimento para investigar se houve propaganda ambiental enganosa. O órgão suiço também recebeu outras reclamações de organizações da Bélgica, França, Reino Unido e Alemanha, que já havia advertido a FIFA antes do início da Copa do Mundo sobre a prática de greenwashing e exigiram a retirada das publicidades “enganosas”.
Veja a seguir quais iniciativas sustentáveis foram divulgadas para o objetivo de um “torneio completamente neutro do ponto de vista climático”:
Um grande viveiro foi construído em torno dos estádios e em outros espaços públicos. O plantio de mais de 16 mil árvores e 680 mil arbustos de espécies locais tinha o objetivo de compensar as emissões de gases de efeito estufa.
O investimento em energia solar não faltou, uma usina de energia solar de 10km² e 800MW, junto com outras cinco subestações de eletricidade, suprimiram os estádios durante a Copa, reduzindo a emissão de carbono e energia limpa para a região também.
Outro grande foco foi a mobilidade urbana. O governo construiu do zero um sistema metroviário que conecta todas as cidades-sede, reduzindo o consumo de combustíveis.
Em entrevista para o Globo Esporte em agosto de 2022, a diretora executiva de sustentabilidade da Copa Qatar 2022, Bodour Al Meer, disse que “nós tivemos um planejamento de cinco etapas para uma Copa do Mundo neutra em carbono. Levantamos uma grande preocupação com as partes interessadas, explicando as nossas necessidades. Procuramos mitigar, reduzir e eliminar o máximo possível de emissões. Contratamos uma consultoria para fazer um relatório. E tudo do projeto que não puder ser evitado, vamos compensar com créditos de carbono”.
Vale lembrar que o Qatar é uma das nações com maiores taxas de emissão de CO2, de acordo com dados do Global Carbon Atlas (Atlas Global de Carbono).
Bruno Díaz, estudante de biologia da Ufscar, simpatiza com as denúncias feitas pelas entidades contra a FIFA, visto que, em 2021, as emissões per capita de CO2 do Qatar aumentaram e que é um dos países que mais emitem CO2 por habitante, então diz não acreditar que a FIFA realmente tenha cumprido com o prometido.
